Vasco tira a limpo empréstimos de Carlos Leite e patrocínio que não vingou

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

O Conselho Deliberativo do Vasco terá, na noite desta terça-feira, uma das reuniões mais aguardadas de 2018. Na sede da Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro, os conselheiros irão tirar a limpo os empréstimos do empresário Carlos Leite ao clube e também o contrato com a empresa do ramo farmacêutico Lasa, patrocínio este que não vingou em função da marca não ter pago o que havia acordado.

A convocação foi uma obrigação a exercer do presidente do Conselho, Roberto Monteiro, baseado no estatuto do clube, que em seu artigo 76 prevê reuniões sempre que haja requerimentos com as assinaturas de pelo menos 1/5 dos conselheiros. No caso, 60 membros de oposição protocolaram o documento.

Carlos Leite já emprestou mais de R$ 20 milhões ao Vasco, dinheiro este que foi utilizado para pagar salários atrasados. Indicado pelo ex-presidente Eurico Miranda para ser conselheiro benemérito – atualmente se encontra como suplente – o empresário já utilizou as redes sociais para justificar seus empréstimos:

"Os empréstimos que fiz ao Vasco foram para pagamento de folhas salarias, de forma pública e notória, uma vez que o clube corria risco de perder jogadores em ações na Justiça. Em vez de deixar completar quatro meses e fazer como outros agentes, ingressando na Justiça para liberar os atletas que trabalham com a minha empresa, socorri mais uma vez o clube em um momento delicado. Poderia retirar o Paulinho do Vasco, mas renovei o seu contrato, aumentando a multa rescisória".

Além de Paulinho, Carlos Leite possui atualmente mais 11 jogadores do elenco. Entre ano passado e o início de 2018 ele foi em parte restituído com a venda de outros de seus atletas: o volante Douglas, o zagueiro Luan, o lateral direito Madson e o meia Mateus Vital.

Divulgação
Convocação do Conselho Deliberativo do Vasco

Em relação ao contrato com a Lasa, assinado pela gestão Eurico Miranda, o Vasco havia firmado um vínculo onde a empresa se comprometia a pagar R$ 10 milhões à vista no primeiro mês e mais R$ 8 milhões diluídos ao longo da temporada. Embora o clube tenha notificado os atrasados e cobrado uma posição, a marca não efetuou o pagamento e o Cruzmaltino optou pela rescisão.

O Vasco agora busca na Justiça cerca de R$ 2,5 milhões em multa, valor este que alega ter direito em cláusula do contrato. Membro da oposição e um dos 60 conselheiros que assinou o requerimento cobrando explicações, o ex-candidato à presidência Julio Brant clamou por transparência no clube.

"O objetivo da oposição é dar transparência e fiscalizar em nome dos sócios, torcedores os contratos e todos os processos centrais que ocorrem no Vasco, como, por exemplo, os contratos de empréstimo e de patrocínio. A oposição quer deixar claro o direito do vascaíno em saber o que se passa dentro do clube. Nós vamos lutar por isso! Eleições diretas, transparência e fiscalização são a nossa bandeira. Lutar para que qualquer ação seja com a ótica da boa-fé para o clube. Esse tipo de atitude e comportamento mostra que a oposição está unida, articulada e com um número muito grande, como nunca teve, de conselheiros dispostos a mudar esta realidade do Vasco", declarou ao UOL Esporte.

Membro do "Casaca" - grupo político que teve afiliados com participação direta nas negociações com a Lasa e que é ligado a Eurico Miranda - o conselheiro João Carlos Nóbrega utilizou o site da agremiação para comentar sobre o tema.

Lembrando de outros patrocínios que foram assinados pela gestão Roberto Dinamite e que geraram dívidas ao clube, ele informou que Brant foi procurado para ser informado sobre o contrato com a Lasa uma vez que poderia assumir o clube, mas que o mesmo teria alegado "agenda cheia e deu de ombros". No texto, também disse que "não há nada a esconder" e que os oposicionistas irão "experimentar o constrangimento":

"(...) O Vasco é credor de multa contratual com a Lasa. Não expôs a marca da empresa sequer uma vez. Ao contrário de prática secularmente vigente, vide exemplo citado acima, não houve um centavo de comissionamento a quem quer que fosse. Portanto, considero a petição que obriga a convocação desta reunião um acinte. Vindo de quem vem, que se preparem para experimentar o constrangimento que tentam agora impor. Ao contrário deles, não há rabo do lado de cá. Ao contrário deles, moralistóides de ocasião, queremos pensar o clube de forma institucional. Mas se eles preferem alimentar rancor diariamente, problema algum: que venham quentes porque aqui está fervendo (...)".

Além de informar o debate sobre Carlos Leite e Lasa, o documento de convocação da reunião destaca "assuntos gerais" como um dos tópicos. Para alguns conselheiros, este tema poderá trazer novidades pois alegam que há muito tempo ele não era colocado em pauta.

As reuniões do Conselho Deliberativo do Vasco têm sido tensas. Na que elegeu Alexandre Campello como novo presidente do clube, por exemplo, os conselheiros quase chegaram às vias de fato (veja no vídeo acima).

UOL revelou que empresa enfrenta processos e denúncias de que está inativa

No dia 8 de março de 2018, o UOL Esporte, em conteúdo exclusivo, revelou que a Lasa possui um histórico de mudanças de dono, batalhas judiciais com funcionários que não recebiam e até a perda de grande parte de sua sede. Levantando os processos, consta até mesmo que a empresa sofre denúncias de que está inativa.

Durante o período de elaboração da matéria, a reportagem tentou entrar em contato com a Lasa em diversos meios, como telefone, email, site oficial e redes sociais, mas não conseguiu um diálogo.

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