Atlético-PR pagará quase R$ 3 milhões a Petraglia por "dívida histórica"

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

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    Petraglia aparece como credor do Atlético em balanço: "crédito por valores emprestados"

    Petraglia aparece como credor do Atlético em balanço: "crédito por valores emprestados"

O Atlético-PR divulgou nesta terça-feira (24) o balanço financeiro de 2017. Nele, entre outras informações, aparece o nome de Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo, como credor de R$ 2.852.256,00 do clube, sem detalhamento específico, no item "Outras Obrigações a Pagar".

Em contato com a assessoria de comunicação do Atlético, o UOL Esporte obteve a resposta de que a dívida "trata-se de crédito por valores emprestados ao clube, que serão pagos a valores históricos, ou seja, sem juros e correções". Entretanto, a dívida tratada como histórica não aparece citada em nenhum balanço financeiro desde 2006, conforme pesquisa feita nos balanços do clube que estão disponíveis no site.

Reprodução
Imagem do balanço do exercício 2017: dívida com Petraglia

O balanço foi apresentado e aprovado pelo conselho ainda na noite de segunda-feira (23). Em contato com pessoas que estiveram na reunião, o UOL Esporte apurou que não houve questionamentos sobre a origem da dívida na reunião, mas que Petraglia justificou a poucos interessados, dizendo-se tratar de débitos que ele havia quitado pelo clube ainda em 1995 – quando assumiu o Atlético pela primeira vez - de valores dispostos na negociação para a aquisição do terreno do antigo colégio que ficava ao lado da Arena da Baixada para a primeira obra em 1999 e ainda valores que serviram para ressarcir o Exército Brasileiro pelas desapropriações de terrenos para a obra da Arena da Copa 2014.

Gestão anterior desconhece dívidas com o dirigente

Divulgação/Portal da Copa/Ministério do Esporte
Arena em obras para a Copa: empréstimo de Petraglia não consta em outros balanços

Petraglia está no comando do Atlético-PR, ao lado de Luiz Sallim Emed, que preside o conselho gestor, desde 2012. Nos balanços anteriores a essa gestão, desde que a lei obrigou a publicação dos mesmos em 2006, a dívida com o dirigente não aparece citada. Também neste período o clube acumulou superávit em todos os anos, dispensando qualquer tipo de aporte financeiro de outros.

Seu antecessor, Marcos Malucelli, contestou a justificativa. "Não tinha dívida nenhuma. Pode ver nos balanços da minha gestão: não tem crédito nenhum lá. Eu estava no jurídico, fui eu quem conduziu a negociação com o Expoente (colégio que ficava ao lado do estádio). O Atlético foi quem pagou", relatou. Malucelli ainda citou que Petraglia tentou cobrar uma dívida similar em 2011, durante uma assembleia em que se discutia a construção do estádio para a Copa.

De acordo com o ex-presidente, Petraglia pediu a palavra e disse que havia feito doação para o clube e nunca havia recuperado o dinheiro. Malucelli afirma então ter pedido para a então diretora financeira Maria Aparecida Gonçalves, que trabalhou no clube entre 1995 e 2011, para confirmar a dívida. Em contato com o UOL Esporte, Maria Aparecida respondeu sobre a assembleia, que tem ata registrada no clube.

"Quando saí o Atlético não devia nenhum centavo nem para o Petraglia, nem para nenhum ex-dirigente do Clube. Aliás, em contabilidade isso não existe, como lançar um valor por conta de "dívidas históricas"? Empréstimo se lança no ano seguinte da data do empréstimo, se nesse período de 2012 à 2017 ele emprestou algum valor, deveria estar nos balanços anteriores", explicou.

O UOL Esporte solicitou mais detalhes sobre a dívida ao clube, confrontando os questionamentos, porém não obteve resposta.

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