Acusado de estupro, Jobson deixa cadeia e negocia com o Remo para a Série C

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

  • Vitor Silva / SSPress

O atacante Jobson deixou a cadeia em Paranã, no interior do Tocantins, onde estava preso sob acusação de estupro. De acordo com a defesa, Jobson teve a prisão preventiva revogada por causa da morosidade na tramitação de seu caso.

Ele responderá em liberdade à acusação de supostamente ter participado do estupro de mulheres menores de idade durante uma festa em 2016.

Paralelamente Jobson pensa em voltar ao futebol. A defesa diz que as medidas impostas pela Justiça não impediriam Jobson de jogar futebol profissionalmente, já que ele só estaria proibido de frequentar bares do tipo "inferninho" e ficar fora de casa até tarde da noite, a não ser que esteja trabalhando ou estudando.

"Ele está muito bem, tranquilo e disposto", disse o advogado Josenildo Ferreira que, ao lado de Giselle Duarte e Joás Gomes, cuida da defesa do atacante. "Ele deve estar apenas uns cinco quilos acima do peso dele no auge. É um cavalo puro sangue. Um jogador de futebol como ele, quando voltar à forma física, vai arrebentar de novo porque ninguém esquece como se joga futebol."

Arquivo pessoal
Jobson com seus advogados Giselle Duarte e Josenildo Ferreira, no dia em que saiu da prisão

Um clube já interessado em contar com o jogador de 30 anos, que brilhou com a camisa do Botafogo em 2009, é o Remo, de Belém, que disputa a Série C do Campeonato Brasileiro.

Em contato com a reportagem, o diretor de futebol Milton Campos afirmou que começou a conversar com os representantes de Jobson ainda em fevereiro, mas não esperava que ele pudesse estar em liberdade tão cedo. Na ocasião, o técnico Ney da Mata havia dado o aval para a contratação.

Nesta quinta-feira, assim que Jobson conseguiu a liberdade, o diretor voltou a conversar com o representante do atacante. "Antes de dar prosseguimento às conversas preciso saber o que pensa o Givanildo Oliveira", afirmou o cartola, se referindo ao atual treinador do Remo.

"O Jobson é um atleta que se quiser jogar bola, e a cadeia tiver feito seu papel de ressocialização, pode ser útil", disse o diretor do Remo. "O jogador saiu hoje, precisamos ouvi-lo, saber como está o estado emocional dele. Mas isso só acontecera se o treinador quiser contar com o atleta."

Sobre a possibilidade de ter no elenco uma pessoa acusada de ter cometido um estupro, Milton Campo mencionou o princípio constitucional da presunção de inocência.

"Se ele for julgado e condenado, vai pagar pelo crime. Mas ele não é réu confesso e está contestando a acusação. Pelo princípio da presunção de inocência, ele não é culpado."

Josenildo Ferreira diz que Jobson conseguirá provar que é inocente das acusações. Antes de ser suspeito de estupro, o ex-atacante do Botafogo já havia sido punido pelo uso de drogas como cocaína e crack. Segundo seu advogado, Jobson está longe de qualquer substância ilícita há anos.

Entenda a acusação

Jobson responde na Justiça pela acusação de estupro de vulneráveis. O caso inicialmente foi investigado pela Polícia Civil do Pará, mas foi transferido para a Justiça de Tocantins. A festa onde supostamente teria ocorrido o crime aconteceu em uma chácara na cidade de Couto Magalhães, no oeste de Tocantins, onde o atacante mora, perto da divisa com o Pará.

Na época, duas garotas disseram à polícia que estavam sob efeito de bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes colocadas na bebida.

Ainda que não estivessem inconscientes, manter relações sexuais com menores de 14 anos é considerado crime de "estupro presumido" no Brasil. Pela lei penal brasileira, uma pessoa menor de 14 anos não possui o discernimento necessário para decidir manter uma relação sexual. Assim, ainda que ela faça sexo consensual com alguém maior de idade, o ato é considerado estupro.

Preso provisoriamente, Jobson deixou a prisão no dia 28 de agosto de 2017. Na ocasião, o jogador recebeu uma tornozeleira eletrônica para que fosse monitorado. Ele não poderia deixar o município em que mora sem autorização judicial e deveria permanecer em casa todos os dias entre 19h e 6h.

O monitoramento eletrônico apontou que Jobson deixou a área estabelecida pelo menos oito vezes no mês de setembro. Algumas das viagens eram para Conceição do Araguaia, onde o jogador ficava até tarde da noite. Jobson retornou à prisão em 29 de setembro.

Suspenso do futebol profissional por doping até março de 2018, Jobson vinha atuando no futebol amador. Em junho do ano passado, o atacante foi suspenso de torneio em Conceição do Araguaia (PA) por agredir árbitro e adversário. A punição no torneio amador é válida por 180 dias.

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