Lateral superou "não" na base e viajava 60 km por dia para treinar no Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/Inter

    Fabiano apresentado pelo Inter, clube que defendeu quando criança em escolinha

    Fabiano apresentado pelo Inter, clube que defendeu quando criança em escolinha

Fabiano tinha tudo para nunca jogar no Internacional. Antes da carreira de atleta, deu os primeiros chutes no Genoma Colorado, projeto de escolinhas do Inter, mas dali não saiu para a base vermelha. Tentou dois testes mais tarde, não passou em ambos. Mal sabia ele que o destino lhe colocaria de volta onde tudo começou dez anos depois.

"Naquela época, entre 2006 e 2007, eu comecei no projeto Genoma Colorado [Fabiano aparece circulado na foto abaixo] da cidade de Itapiranga, que ficava a 30 km da minha cidade [São João do Oeste-SC]. Eu ia para os treinos três vezes na semana, de ônibus junto com um amigo da cidade e meu irmão. Jogamos o Estadual do Genoma e fomos campeões, depois fomos para o Brasileiro que era disputado em Gramado e Canela [cidades da serra gaúcha]", comentou o jogador em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Arquivo Pessoal

Só que o Genoma não levou Fabiano para o Inter. O convite para tentar seguir a carreira de atleta partiu do São Luiz de Ijuí, clube do interior gaúcho. Ali, já perto de 17 anos, ele voltou a tentar a sorte no Colorado, sem sucesso.

"Fiz teste duas vezes para as categorias de base. Primeiro no juvenil, através do Genoma, depois quando eu já jogava na base do São Luiz. Fiz teste e não passei", contou. "Para ser bem sincero, naquele momento do projeto não eram treinos diários, ritmo de clube, então eu nem tinha na minha cabeça levar o futebol como profissão. Apenas quando fui para o São Luiz é que comecei a ter certeza que jogaria futebol", acrescentou.

Fabiano andava 60 km (ida e volta de sua cidade) na época de escolinha, foi morar distante de sua família ainda adolescente e rejeitado duas vezes pela base do Inter. Mal sabia ele que 10 anos depois, já com 26 de idade, seria procurado pelo clube para atuar no profissional.

"Quando não fui aprovado, foi algo que fez com que eu visse em mim que precisava melhorar em todos os aspectos. Para que um dia quem sabe pudesse ter de novo essa oportunidade. Foi fundamental eu ver naquele momento que não estava preparado e precisava melhorar. Veio, então, a chance e quero aproveitar da melhor maneira possível, sabendo que estou em um grande clube e que vestir a camisa do Inter é uma responsabilidade muito grande. Estou feliz e preparado para isso", contou.

Um lateral diferente

Ricardo Duarte/Inter

Fabiano se profissionalizou no São Luiz, depois transferiu-se para a Chapecoense. Mas ainda não era lateral. Durante toda sua formação ele atuou como zagueiro. Por conta da capacidade defensiva e da estatura, isso o fez se transformar em um lateral diferente do comum.

"Na apresentação do técnico Gilmar Dal Pozzo [na Chapecoense], em 2012, veio a primeira chance como lateral. Logo que ele chegou, me disse que pretendia mudar o sistema. Nós estávamos jogando com três zagueiros, ele queria colocar uma linha de quatro e eu seria lateral direito. Na minha primeira partida fiz um gol, na vitória por 4 a 0 sobre o Caxias. Isso foi me dando confiança. É claro que encontrava dificuldades no começo, principalmente na parte ofensiva. Não era minha característica. Na defesa eu não tinha problemas, já estava acostumado. Mas era uma coisa bem diferente, o sistema mudou, mudou minha carreira toda", contou.

"Eu sempre falo que defender é uma característica minha. Pela minha estatura (mede 1,88m), e hoje não se vê tantos jogadores defensivos na lateral. São mais jogadores de chegada no ataque. Eu primeiramente preservo a marcação. Sempre foi assim e com certeza tenho que melhorar no aspecto ofensivo, chegar mais na linha de fundo, fazer cruzamento, chegar ao ataque, essa cobrança precisa ser feita para que possamos sempre melhorar", completou.

Gol do título no Palmeiras, posição 'maldita' no Inter

Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Fabiano foi o terceiro melhor lateral direito do Brasil em 2014. Acabou contratado pelo Cruzeiro onde não teve muitas chances devido a concorrência com Mike e Ceará. Emprestado ao Palmeiras, marcou o gol do título brasileiro de 2016.

"Foi um dos momentos marcantes na minha vida. É uma coisa que vai ficar para sempre. Vou ser lembrado. Momentos de conquista entram para história. Foi especial", lembra. "Quando surgiu a chance de eu vestir a camisa de um grande clube, um animo maior, buscar um novo espaço, resolvi vir para o Inter. Estou muito feliz e quero entrar para história do clube aqui também", contou.

Mas não é nada fácil ser lateral direito do Inter. Só neste ano o Colorado já contratou três jogadores além de Fabiano para a posição (Dudu, Ruan e Zeca). Edenílson e Gabriel Dias também atuaram improvisados por ali. No ano passado, Claudio Winck, Alemão e William também passaram pelo posto.

"É uma responsabilidade e uma cobrança muiot grande. Isso faz com que você precise treinar sempre para ter uma melhora, porque quando acontece este tipo de coisa, esta rotatividade numa posição, a cobrança aumenta muito por parte do torcedor. Mas essa cobrança tem que se transformar em confiança, temos que passar confiança para os companheiros da posição também, conversar, nos ajudar a cada dia para o melhor do clube. É fundamental que possamos estar juntos para todos melhorarmos e o coletivo ganhar", disse. "Estou feliz e adaptado ao Inter. Eu conhecia alguns atletas e isso me ajudou na ambientação. O grupo é muito bom, me recebeu muito bem e me faz sentir bem todos os dias", finalizou.

Mesmo com a concorrência de Zeca, Fabiano será titular neste domingo às 19h (de Brasília) diante do Cruzeiro pela terceira rodada do Brasileirão. 

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