MP e Atlético-PR decidem por "torcida única" em todos jogos do time em casa

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Site Oficial CAP

O Ministério Público do Paraná e o Atlético Paranaense firmaram um acordo e anunciaram que, já a partir do duelo pela Copa do Brasil contra o Cruzeiro, todos os jogos do Furacão em Curitiba terão uma espécie de torcida única. A decisão, na prática, significa dizer que torcedores de outras equipes que forem à Arena da Baixada não poderão entrar com a camisa de seus clubes e não terão um espaço reservado separadamente para acompanhar aos jogos, mas terão direito de entrar.

De acordo com o promotor de justiça Maximiliano Deliberador, o projeto é um teste na tentativa de reduzir a violência e otimizar o trabalho da Política Militar. "Podem entrar todos os torcedores, mas com duas condições: não haverá escolta de torcidas. Quando vem de fora, a escolta pega já fora da cidade, às vezes em até 100 km. E dentro vai a Cavalaria fechando ruas, algo complicado. Isso vai acabar", alertou.

Segundo o promotor, o projeto não viola nenhum direito de torcedores. "O Estatuto do Torcedor fala que o espaço é reservado para qualquer pessoa e ela tem o direito de comprar qualquer ingresso. Se o Cruzeiro pedir a carga de 10%, vai receber, mas os lugares serão diluídos em meio à torcida. E não vai ser permitido portar objetos que possam causar transtornos. Por exemplo, a camisa do outro clube", ponderou.

O início será já na quarta-feira (16), no jogo citado da Copa do Brasil. Não há prazo para encerramento. "A avaliação será jogo a jogo", afirmou Deliberador, que não quis projetar como reações emocionais – como um gol do Cruzeiro ou das demais equipes visitantes - terão consequências. "Vamos ter que discutir na prática. O clube tem um número muito grande de stewards (vigias) dentro do estádio. Mas eu te digo: vamos ter que descobrir na prática. Inclusive como o torcedor vai se comportar. O cuidado vai haver."

Deliberador ainda argumentou que a ideia não é proibir torcedores visitantes de irem ao estádio. "Não é uma proposta de isolamento, é de mudar a concepção de futebol. Se você tratar como dois exércitos diferentes, pessoas que não deveriam ter nenhum problema, você acirra a animosidade."

CBF aprovou a medida; Atlético não comenta ideia

Através da assessoria de imprensa, a Confederação Brasileira de Futebol disse que não vê problemas na iniciativa e que ela será respeitada, "visando o combate à violência". A Conmebol também foi procurada, mas não retornou as mensagens. O Atlético terá ao menos mais um jogo pela Copa Sul-Americana até o final do ano.

O UOL Esporte também procurou o Atlético, que disse que não iria se manifestar sobre a medida. No jogo contra o Palmeiras, das 19.077 pessoas presentes à arquibancada, 4.592 eram visitantes – cerca de 25% do total. A arrecadação foi de quase 740 mil reais. A capacidade da Arena é de 42 mil pessoas.

Coritiba e Paraná ainda não aderiram ao projeto

O Ministério Público afirmou que a medida não é impositiva, mas sim um acordo com a diretoria do Furacão. "Deixar claro: não há uma imposição do MP. Foi uma proposta, um consenso, algo completamente consensual. Analisamos não só São Paulo, mas fora do Brasil", disse o promotor, citando que o modelo já é adotado na Argentina desde 2013.

Os demais clubes de Curitiba, Coritiba e Paraná, não aderiram ao projeto, mesmo convidados. O Coxa se mostrou contrário à ideia e o Tricolor ficou de responder ao MP em breve. Deliberador se mostrou otimista. "Vai existir um trabalho que começou hoje de informações. Vai estar em todos os lugares, na venda dos ingressos, tudo. A ideia é a informação mais ampla possível. Esse é o primeiro jogo e é um projeto piloto. O momento de acertar e errar é agora. Se no final chegar e descobrir que não funciona, voltamos atrás. Senão, vamos para frente".

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