Loss moldou Pato no Inter, brigou com Dunga e já encarou Barça de Guardiola

Dassler Marques e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

    Osmar Loss, 42 anos, chega ao posto de técnico do Corinthians após a saída de Carille

    Osmar Loss, 42 anos, chega ao posto de técnico do Corinthians após a saída de Carille

Osmar Loss caminha de um lado para o outro sempre com os mesmos trejeitos. Inquieto e sério, o auxiliar gesticula sem parar, aproxima-se dos jogadores do Corinthians e os orienta. A cena vista à exaustão no CT Joaquim Grava nos últimos 15 meses foi reeditada de uma forma diferente na tarde da última quarta-feira. Loss não estava mais à sombra de Fábio Carille. Era ele quem comandava tudo como treinador da equipe.

Chegar a essa fase da carreira é, para Loss, o cumprimento à risca de um plano traçado há mais de duas décadas. Embora tenha apenas 42 anos, o novo treinador do Corinthians está ligado ao futebol desde 1995, ano em que chegou o Internacional com a ideia de um dia comandar um time de ponta do futebol brasileiro.

"Ele se preparou para isso, teve muita paciência e soube esperar chegar o momento certo. Sempre teve tranquilidade para que as portas fossem abertas", disse Jorge Macedo, ex-coordenador da base do Inter, em entrevista ao UOL Esporte.

Em quase duas décadas de convivência, Jorge viu de perto a evolução de Loss, que chegou ao Inter ainda como um estudante de educação física. No começo da trajetória no clube, o gaúcho de Passo Fundo se revezava entre os estudos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e bicos de personal trainer em Porto Alegre.

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Osmar Loss trabalhou ao lado de Fábio Carille a partir de fevereiro da temporada passada

Depois do começo difícil, Loss, enfim, começou a dar os primeiros passos como treinador de futebol. Ele passou por todos os times das categorias de base do Inter, acumulou mais de 30 conquistas e ajudou a revelar nomes como Alexandre Pato, Luís Adriano e a dupla Taison e Fred, convocada por Tite para a disputa da Copa do Mundo. No Corinthians desde 2013, empilhou vitórias na Copinha - com 31 vitórias em 34 jogos, levou o time a quatro finais e levantou a taça em duas oportunidades.

Loss é visto como linha-dura e estudioso

Além da obstinação, duas características marcantes são constantemente citadas pelas pessoas que conviveram com Loss nos últimos anos: a seriedade e o gosto pelos estudos - não só ligados ao futebol, mas pelo esporte em geral. 

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Loss é conhecido pelo perfil estudioso

Ambas já foram colocadas em prática já no Corinthians. Linha-dura, o treinador já puniu jogadores por atrasos e já afastou jogadores do sub-20 corintiano por causa da forma física. A personalidade forte também foi mostrada em outros momentos. Como técnico interino do Inter, chegou a trocar empurrões com o zagueiro gremista Saimon à beira do campo.

Em seguida, já de volta ao time sub-23 do Inter, um desentendimento com Dunga abreviou sua história no Inter e possibilitou a ida ao Corinthians após tentativas frustradas da direção alvinegra. A briga com o então treinador colorado, inclusive, anos mais tarde fez a CBF optar por Rogério Micale na escolha do comandante da seleção olímpica. Dunga, parte importante na tomada de decisão, era o técnico do time principal e preteriu o desafeto. 

O gosto pelo estudo também veio à tona no Corinthians. Quando era técnico da base, Loss tinha uma relação estreita com o departamento de análise de desempenho. Era preciso conhecer todos os adversários de forma minuciosa, até mesmo os mais fracos. O método "implantado' pelo treinador foi mantido até os dias de hoje, mesmo com a sua promoção aos profissionais.

No time principal, Loss passou a ser auxiliar de Carille ao lado de Leandro da Silva, o Cuca, e o ex-volante Fabinho. Único dos três a não ter um passado como jogador de futebol, o gaúcho sempre se ateve ao conhecimento para se destacar. Parte de uma engrenagem extremamente bem-sucedida, sempre foi visto como um expoente na comissão técnica alvinegra.

Trato com os atletas experientes é um ponto fraco

Visto como uma promessa há tempos, Loss deu mostras de que o relacionamento interno é um dos seus pontos fracos. Embora tenha mostrado muita desenvoltura em driblar problemas surgidos na base corintiana, o treinador enfrentou problemas corriqueiros e teve dificuldade em contorná-los quando dirigiu o Bragantino em 2015.

Deslocado ao clube do interior paulista no começo da Série B daquele ano, Loss sofreu com uma crise financeira no clube do interior. Sem bons resultados, acabou demitido em apenas três meses de trabalho na equipe.

O histórico desfavorável fez o Corinthians traçar uma meta. No período que passou como auxiliar, houve a expectativa de que Loss amadurecesse para lidar com os jogadores mais velhos e saber a forma de abordar atletas de idades distintas. 

"Neste momento estou melhor preparado no aspecto profissional e emocionalmente para fazer um bom trabalho", ressaltou Loss em sua primeira coletiva como treinador do Corinthians, na véspera da partida contra o Millonarios-COL, em Itaquera, pela Libertadores.

Empate com Milan e Barcelona

Reprodução
Em 2011, sob o comando de Loss, o Inter arrancou empates com Milan e Barcelona

Loss teve outras oportunidades de comandar uma equipe profissional. Antes de se aventurar no Bragantino, o treinador teve uma passagem apagada pelo Juventude, entre janeiro e agosto de 2010. No Inter, foram duas chances como interino. Na primeira, entre a demissão de Falcão e a contratação de Dorival Júnior, Loss viveu dias de protagonismo.

"Estou muito mais preparado e maduro. O presidente chegou a conversar comigo se eu me sentia preparado. Eu falei que se tivesse apoio seria capaz pelo conhecimento. Optaram pelo Dorival", relembrou Loss. 

Comandante do Inter na Copa Audi de 2011, Loss desafiou dois dos maiores técnicos do mundo e saiu com resultados satisfatórios. Diante do Barcelona de Guardiola, o time gaúcho arrancou um empate por 2 a 2 e só foi derrotado nos pênaltis. Dias depois, repetiu o placar contra o Milan de Massimiliano Allegri e venceu nas penalidades máximas.

Loss não esconde que o português José Mourinho é uma das suas referências no futebol. O treinador é adepto de defesas organizadas, assim como Carille, e também preza pela transição rápida ao ataque, tal qual o atual Corinthians faz.

O novo treinador alvinegro acredita que um jogo mais direto aumenta as chances de se obter bons resultados. Fã dos números, Loss se apega aos estudos e análises de partidas. Uma das conclusões do técnico é que sempre que um gol é marcado, crescem as chances de outro ser feito por qualquer uma das duas equipes nos cinco minutos seguintes.

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