Principal delator de escândalo da Fifa, J. Hawilla morre aos 74 anos

Do UOL, em São paulo

  • Zanone Fraissat /MONICA BERGAMO

O empresário J. Hawilla morreu nesta sexta-feira, aos 74 anos. Empresário do ramo de direitos comerciais de futebol e dono da Traffic, Hawilla estava internado em São Paulo e foi o principal delator do esquema de corrupção na compra de direitos de transmissão de eventos esportivos, que levou a prisões de dirigentes sul-americanos, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

A informação da morte de Hawilla foi confirmada pela "TV TEM", emissora criada pelo empresário. A emissora de televisão comprou as afiliadas da Rede Globo nas cidades de Sorocaba, Bauru, Itapetininga e São José do Rio Preto, e várias cidades do interior paulista. Ele ainda foi dono da rede de jornais "Bom Dia", após iniciar a carreira como jornalista esportivo.

Depois disso, ele criou a Traffic, empresa responsável pela exploração de propaganda dentro dos gramados e que depois passaria a ser uma das mais famosas agências de marketing esportivo. Através da Traffic, Hawilla envolveu-se com os principais dirigentes do futebol e delatou o esquema de corrupção na Fifa.

Hawilla vinha sofrendo de graves problemas respiratórios. Nos últimos anos, o empresário costumava deixar aparelho de respiração artificial próximo à cama para dormir. Em fevereiro, Hawilla pediu à Justiça dos EUA para retornar ao Brasil para tratar do problema no pulmão.

Pouco antes de iniciar delação, Hawilla havia superado um câncer abaixo da língua. O tratamento foi feito com quimioterapia e radioterapia.

Delação nos EUA para não ser preso

Hawilla fechou acordo com a Justiça dos Estados Unidos em 2014. Na época, residindo na América do Norte, o empresário aceitou delatar à Justiça norte-americana os esquemas de subornos em contratos comerciais de competições de futebol das Américas.

As delações de Hawilla possibilitaram a Justiça local aumentar seu raio de investigação também para a América do Sul. Além do acordo de delação, Hawilla tinha se comprometido a pagar US$ 151 milhões aos EUA como restituição. O valor não foi pago integralmente.

O processo no Tribunal de Nova York contra Hawilla continua em aberto. A audiência tinha sido adiada para o fim do ano. Na Justiça norte-americana, ainda constam  as acusações por conspiração, lavagem de dinheiro, fraude eletrônica e obstrução da Justiça.

Hawilla aceitou relatar às autoridades dos EUA para evitar a prisão. Os esquemas envolviam a Conmebol e CBF e tinham como alvos os direitos televisivos da Copa América, Copa Libertadores e Copa do Brasil.

Sua participação como testemunha do caso de fato acabou com o depoimento no final de 2017, acusando dirigentes como o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, de ter recebido propina. A polícia dos Estados Unidos prendeu dirigentes da Conmebol e CBF, entre os quais o ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

Atenta à investigação dos EUA, a Fifa baniu do futebol Marco Polo Del Nero

Como parte do acordo com a Justiça dos EUA, Hawilla confessou ter cometido crimes ao pagar propina a cartolas em troca de direitos sobre competições. Os acordos feitos por Hawilla eram feitos pela Traffic.

Hawilla disse que pagou propina para a CBF

Em dezembro do ano passado, Hawilla prestou depoimento na Suprema Corte do Brooklyn, em Nova York, onde estão sendo julgados dirigentes da Conmebol e da Fifa por casos de corrupção

Segundo Hawilla, a Traffic e a Klefer (do empresário Kleber Leite) assinaram contrato de cessão de direitos de transmissão das Copas do Brasil de 2013 a 2022, em que teria também concordado em pagar R$ 1,5 milhão para José Maria Marin, e Ricardo Teixeira, ex-presidentes da CBF, e Marco Polo Del Nero. O contrato foi assinado em 15 de agosto de 2012 em São Paulo.

"O Kleber (Leite) me ligou dizendo que tinha um acerto de pagamento de propina e que tínhamos que pagar R$ 1,5 milhão de propina. Ele falou que era R$ 500 mil para cada um: Teixeira, Marco Polo e Marin", afirmou Hawilla, em dezembro.

Hawilla revelou que as propinas a dirigentes da Conmebol começaram no início da década de 90, quando negociou direitos da Copa América com o então presidente da entidade, Nicolás Leoz. Foi Hawilla quem intermediou a parceria CBF/Nike, nos anos 90.

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