Rodrygo abandona concentração após imbróglio com Real e irrita Santos

Danilo Lavieri e Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Ivan Storti/Santos FC

    Presidente José Carlos Peres foi avisado por Jair Ventura em telefonema

    Presidente José Carlos Peres foi avisado por Jair Ventura em telefonema

A negociação entre Santos e Real Madrid, da Espanha, envolvendo o atacante Rodrygo, ganhou o primeiro episódio polêmico nesta terça-feira. O UOL Esporte apurou que o jogador deixou a concentração para o jogo contra o Fluminense, nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, sem o aval do clube paulista e irritou a cúpula santista.

O presidente José Carlos Peres foi avisado sobre a "fuga" de Rodrygo pelo técnico Jair Ventura por telefone. O treinador estava extremamente irritado com a postura do atleta. A cúpula santista também ficou estarrecida com o ocorrido e culpa o estafe do jogador.

A reportagem ainda apurou que o Real Madrid recusou a contraproposta do Santos e, por isso, gerou uma briga entre o clube paulista e o estafe por conta da divisão do montante oferecido pelo clube merengue.

O Santos alega que o Real já havia assinalado que pagaria 40 milhões de euros (R$ 174 milhões) pelos 80% dos direitos econômicos do jogador. No entanto, Rodrygo teria que abrir mão de parte das "luvas", fato que não ocorreu por parte dos representantes do atleta.

A ideia era que o Real Madrid aumentasse a proposta de 45 milhões de euros (R$ 196 milhões) para 50 milhões de euros (R$ 218 milhões) para que não ocorresse divergência entre Santos e Rodrygo, mas o clube merengue não aceitou a contraproposta santista.

Em nota oficial, o Santos alega que não aceitará pressão para que ceda em relação aos 40 milhões de euros que pretende receber na negociação. "O Santos F.C. esclarece que a saída do atacante Rodrygo da delegação que enfrentará o Fluminense nessa 4a feira não ocorreu por desejo do clube. O Santos entende que as já públicas negociações para sua venda ao futebol europeu permanecem. O Clube não cederá à pressões desproporcionais e, reitera, acredita na continuidade das negociações em andamento para que seu percentual de 80% seja respeitado".

Jogo de números não deu certo

O Santos acreditava que o imbróglio não passaria por um jogo de números. O Santos quer o valor cheio da multa para não ser contestado pela torcida, já que o pagamento do montante deixa o clube, em tese, de "mãos atadas" no caso. Do outro lado, pelo mesmo motivo, Rodrygo também sai de bem com os torcedores.

O clube paulista alega que já havia sido avisado pelo estafe do atleta que, se o Real chegasse até 45 milhões de euros, o jogador toparia abrir mão de 4 milhões de euros (R$ 17 milhões) para que o clube atinja sua cota máxima. Neste caso, Rodrygo ficaria com "apenas" 5 milhões de euros (R$ 21 milhões) da transferência - fora luvas e salário.

Com isso, o Santos ficaria com 40 milhões de euros (R$ 174 milhões) para receber dos 80% dos direitos que possui - o jogador detém outros 20%.

Para o presidente do Santos, a manobra é especialmente importante do ponto de vista político. Com a multa completa, José Carlos Peres não precisará da aprovação do Conselho Deliberativo para vender Rodrygo. O dirigente ficou "preso" à sua palavra ao prometer que colocaria a venda do atacante em votação entre os conselheiros na última reunião, nesta semana, na Vila Belmiro. Se o Real Madrid pagar o valor completo, o cartola fugiria da votação.

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