Prisão de jogador acusado de assassinar transexual abala clube gaúcho

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Polícia Civil RS

    Suspeito de assassinato, Douglas Gluszszak foi preso

    Suspeito de assassinato, Douglas Gluszszak foi preso

A prisão do atacante Douglas Gluszszak, de 22 anos, da Associação Esportiva São Borja, na manhã de quinta-feira (21), abalou o clube. Acusado de assassinar a transexual Thalia Costa Barbosa, de 33 anos, o jogador não havia dado sinais de comportamento violento a serviço da agremiação.

A reportagem do UOL Esporte conversou com Eduardo Rocha dos Santos, diretor de futebol do clube da cidade da fronteira oeste, distante 600 Km de Porto Alegre. Segundo o dirigente, o jogador tinha ótimo comportamento no clube.

"Ele jamais mostrou qualquer comportamento violento. Era um atleta responsável, nunca faltou ou mesmo se atrasou em treinamentos. Estava conosco desde março, foi trazido por um empresário e aprovado pelo antigo treinador do time", disse o dirigente.

Este era o primeiro clube profissional de Douglas. O jogador morava em um alojamento mantido pelo clube junto a 16 outros atletas. Era atacante titular da equipe e marcou dois gols em oito jogos pela Segunda Divisão do Rio Grande do Sul, que, apesar do nome, equivale à terceira divisão do futebol local.

O crime teria ocorrido por volta das 20h de quarta-feira. Douglas teria assassinado a pancadas a transexual com quem mantinha um relacionamento em segredo. Segundo informações da polícia local, a motivação para o crime teria sido chantagem. Thalia, bastante conhecida em São Borja, estaria ameaçando publicar fotos do relacionamento com Douglas nas redes sociais. O atleta é casado e tem uma filha de quatro meses.

"A gente só ficou sabendo do relacionamento dele com ela (Thalia) ontem. Ninguém desconfiava de nada", afirmou Eduardo.

Prisão durante treinamento

A prisão de Eduardo ocorreu na manhã de quinta-feira durante um treinamento do São Borja, que se prepara para a partida diante do Gaúcho de Passo Fundo, marcada para dia 1º de julho. Em terceiro no Grupo A, o time tem chance de classificação para próxima fase.

"Nós abrimos prontamente a sede do clube para a polícia. Não poderia ser diferente. Não sabíamos de nada. O delegado me perguntou se tinha um jogador meu com ferimento na mão. Eu disse que o Douglas tinha aparecido com um corte. Ele me contou a situação, paramos o treino e ele se apresentou. Foi depor, não se opôs à prisão. Foi algo que nos abalou muito. Por isso reunimos a direção, os jogadores, falamos com todos, porque foi algo que abalou muito o grupo. Você imagina: você mora com um companheiro, e em uma manhã ele é preso acusado de assassinato", contou.

O São Borja passa por um processo de reconstrução. Depois de quase 10 anos alijado de competições profissionais, o clube voltou a funcionar neste ano e procura se firmar no contexto do interior gaúcho.

"Essa notícia é muito ruim. Muito ruim pelo trabalho que estamos fazendo. Nós cuidamos muito disso, pedimos os antecedentes criminais de todos os jogadores, nenhum atleta nosso tem passagem pela polícia. Estamos trabalhando muito atrás de patrocinadores, em escolinhas, categorias de base, nosso clube está voltando agora, e essa notícia é muito ruim para a imagem do clube. Mas a comunidade aqui sabe quem está trabalhando no clube, nos apoiou muito, estão sabendo separar as coisas", comentou.

Douglas segue detido. Nesta sexta-feira, sua família, natural de Canoas, chegou a São Borja para dar apoio ao jogador.

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