Como o Cruzeiro consegue fazer altas propostas mesmo em crise financeira

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

  • © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

    Situação financeira não é boa, mas diretoria não abre mão de fazer altas propostas

    Situação financeira não é boa, mas diretoria não abre mão de fazer altas propostas

A diretoria do Cruzeiro quer presentear seu torcedor com a contratação de um jogador de peso. Há alguns meses, o nome de Ricardo Goulart entrou no radar celeste, e nas últimas semanas Pedro Rocha é quem tem tomado conta dos noticiários envolvendo a Raposa, ambos com propostas que superam os R$ 45 milhões. Mas como trazer jogadores desse quilate se que o clube atravessa grandes dificuldades financeiras?

A resposta para essa pergunta reúne uma série de fatores que o UOL sintetizou para explicar a arquitetura planejada pela diretoria para trazer um reforço badalado e seguir forte no restante da temporada mesmo com os cofres vazios. Veja alguns pontos:

Pagamentos parcelados em até três anos

No final do mês passado, o Cruzeiro ofereceu nada menos que 16 milhões de euros (R$ 72,8 milhões) ao Guangzhou Evergrande, da China, para repatriar Ricardo Goulart, bicampeão brasileiro e ídolo da torcida. Para se ter uma ideia, Goulart deixou a Toca da Raposa em 2015 pelo valor de 15 milhões de euros. Se obtivesse sucesso nas negociações, a diretoria só terminaria de pagar o jogador em 2020. Seriam 6 milhões de euros neste ano, 5 milhões de euros em 2019 e o mesmo valor em 2020. A mesma estratégia será utilizada se o clube conseguir repatriar o atacante Pedro Rocha, hoje no Spartak de Moscou. À espera de uma resposta do clube russo, o Cruzeiro ofereceu 10 milhões de euros (R$45 milhões) pelo atleta, e pretende quitar este montante até a temporada que vem. Os valores não incluem eventuais pagamentos de luvas e vencimentos salariais.

Contar com a venda de jogadores

Se um grande nome desembarcar na Toca da Raposa, pode ser que clube acabe perdendo alguma peça importante no atual elenco. Para se dispor a pagar altas cifras, o Cruzeiro leva em consideração a possibilidade de arrecadar com outras vendas. Há pouco menos de um mês, o jovem Vitinho teve sua multa de R$10 milhões paga pelos agentes e foi negociado para o Brugge. Apesar da perda, a ideia da diretoria é de usar a quantia para levantar fundos para uma futura contratação. Outra possibilidade de gerar mais receita é com a venda do uruguaio De Arrascaeta, que realizou uma Copa do Mundo abaixo do esperado, mas que segue cobiçado no exterior e com o futuro indefinido na Toca.

Ajuda de antigos parceiros

Conselheiro do clube e antigo parceiro da diretoria na contratação dos atletas, Pedro Lourenço, o Pedrinho dos Supermercados BH, é outra alternativa do clube para recorrer ao dinheiro que não tem. Pedrinho já ajudou o Cruzeiro na aquisição de jogadores importantes como De Arrascaeta. Recentemente, o empresário mostrou-se disposto a auxiliar na contratação de Zé Rafael, meia do Bahia. Como o negócio não foi pra frente, o empresário ainda mostra-se favorável a ajudar o clube celeste em caso de uma nova contratação.

Clube conta com receitas futuras

Além de eventuais receitas com vendas e ajuda de parceiros, o Cruzeiro ainda tem as cotas de TV em seus planos, caso precise tirar mais dinheiro para viabilizar a chegada de um grande reforço. O clube só adiantou R$ 9 milhões no ano passado, conforme divulgado em balanço financeiro, e não descarta recorrer aos detentores dos direitos de transmissão para pagar por reforços.

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