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"Novo" no Brasil, VAR divide opiniões e vai da crítica à rejeição na Europa

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Itália fez balanço positivo do VAR, mas alemães não ficaram tão felizes com o vídeo Imagem: AFP PHOTO / MARCO BERTORELLO

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

2018-08-02T04:00:00

02/08/2018 04h00

Um dos grandes assuntos do futebol brasileiro após sua utilização na última quarta-feira (1), em partidas da Copa do Brasil, o árbitro assistente de vídeo também tem dado o que falar nas principais ligas europeias. Na última temporada o VAR foi usado nos campeonatos Alemão e Italiano, e nas próximas semanas será a vez de Espanha e França aderirem à tecnologia, enquanto a Inglaterra adiou a implementação.

A chegada do VAR nas cinco grandes ligas virou coisa séria mesmo há um ano, quando a Bundesliga e a Serie A italiana estrearam o vídeo. Os resultados da primeira temporada variaram entre as ligas: na Alemanha recebeu muitas críticas; na Itália a novidade foi considerada um sucesso, inclusive com divulgação dos números de acerto por parte da federação italiana.

Durante toda a temporada 2017-18, incluindo jogos da Serie A e da Copa da Itália, foram 2.023 lances polêmicos checados pelos assistentes de vídeo em 397 partidas (cinco por jogo, em média). Destes, 117 decisões de campo foram alteradas por influência do VAR (uma intervenção a cada 3,3 partidas). Pelas contas da federação, com o auxílio do VAR a arbitragem errou apenas 0,89% dos lances, em vez dos 5,78% caso a tecnologia estivesse ausente.

Os números italianos, no entanto, não impressionam os alemães. Por lá o VAR foi envolvido em falhas técnicas e gafes, a mais destacada quando um árbitro interrompeu um intervalo e mandou atletas voltaram do vestiário para marcar um pênalti. Os erros arranharam a imagem da tecnologia com os torcedores, mas não foram o problema principal. O pior foi o caso envolvendo o então chefe do VAR no país, Hellmut Krug. Ele perdeu o emprego após ser acusado por um jornal de influenciar diretamente a reversão de dois pênaltis em uma partida do Schalke 04, o time para o qual torce.

Nesta temporada, Ligue 1 e La Liga entram no clube dos grandes campeonatos que usam o VAR, dando força à popularização da tecnologia. Os franceses testaram o vídeo no ano anterior, a partir das quartas de final da Copa da França e da Copa da Liga — um modelo de implementação que pode ser seguido no futebol brasileiro, diga-se. No Campeonato Francês a vigilância aumentará sobre Neymar, que na Copa do Mundo chegou a cavar um pênalti que acabou anulado pelo VAR.

Na Espanha, o vídeo só ganhou força nos bastidores após uma mudança de cargo. Segundo denúncia da Liga, foram dez ofícios apresentados à federação espanhola a favor do VAR, e nenhuma resposta. O embargo teria terminado após a queda do então presidente Ángel María Vilar, que acabou preso por envolvimento em corrupção.

Desta forma o Campeonato Inglês torna-se o único, entre as cinco principais ligas europeias, a ainda não colocar o VAR em prática. Houve testes em torneios secundários, que devem continuar nesta temporada, mas na Premier League a tecnologia foi rejeitada por dois terços dos clubes. O uso até aqui foi controverso, com falhas técnicas insólitas. Em comunicado, a liga diz esperar “mais melhorias no sistema” antes de uma implantação mais ampla.

No Brasil, o VAR estreou discretamente em competições nacionais na última quarta-feira (1) em três partidas da Copa do Brasil. Em duas ocasiões os árbitros chegaram a receber informações via ponto eletrônico, mas nem precisaram rever o lance na TV para mandar as partidas seguirem.

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