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Auditoria aponta que Santos pagou R$ 5 mi a agente por Vecchio sem clube

Ivan Storti/SantosFC
Emiliano Vecchio nunca emplacou com a camisa santista e pode deixar o clube Imagem: Ivan Storti/SantosFC

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

2018-08-06T04:00:00

06/08/2018 04h00

O Santos descobriu por meio de uma auditoria externa, contratada em janeiro pelo presidente José Carlos Peres, valores considerados abusivos envolvendo o meia argentino Emiliano Vecchio, trazido pelo clube em junho de 2016. O UOL Esporte teve acesso ao contrato que mostra que o acerto com o jogador envolveu o pagamento de R$ 5,3 milhões de luvas para a empresa do agente Luis Augusto Carvalho.

O pagamento acordado envolveu R$ 2,1 milhões no ato da assinatura e mais três parcelas de R$ 1,06 milhão em julho, setembro e novembro do mesmo ano. O alto valor das luvas causa indignação na atual diretoria santista pelo fato de que Vecchio já estava livre no mercado, ou seja, sem vínculo com o clube que atuava antes do Santos, o Qatar SC.

Além disso, se trata de uma cifra considerável para ser investida por um atleta sem grande representatividade no mercado internacional. Geralmente, a prática para o pagamento da bonificação para a assinatura contratual é outra: a diluição do valor no tempo de contrato. O próprio Santos sempre utilizou essa forma de pagamento de luvas.

Recentemente, por exemplo, o Santos recebeu informações de agentes sobre os valores para contar com o atacante Paolo Guerrero. O peruano, recebe R$ 650 mil de salário no Flamengo e quase R$ 300 mil mensais em luvas diluídas em três anos de contrato. Por conta disso, o valor mensal chegava próximo a R$ 1 milhão. Neste período, o Flamengo gastou aproximadamente R$ 43 milhões entre salários, luvas, 13º e férias.

Procurado pela reportagem, o empresário Luis Augusto Carvalho admite que o pagamento foi direcionado a sua empresa, mas explicou que a prática é considerada normal no futebol, uma vez que o jogador e os agentes internacionais envolvidos não poderiam receber por não terem empresa no país.

Ele diz que repassou o montante a Vecchio, ao empresário chileno Fernando Felicevich e outros dois agentes envolvidos por meio de contratos com cada uma das partes. “A empresa que fez a intermediação foi a minha, mas o Vecchio recebeu, o Felicevich e dois empresários do Catar”, explicou. “O Felipe Melo, por exemplo, recebeu luvas do Palmeiras, mas não significa que todo o dinheiro foi para o Felipe Melo”, completou Carvalho.

O empresário citou que na negociação do atacante Jonathan Cafu do Ludogorets-BUL para o Bordeaux-FRA também recebeu posteriormente, em repasse de empresa de um empresário francês que encabeçou as tratativas.

Antes do Santos, Vecchio tinha no currículo o Rosario Central, da Argentina, clube onde começou a carreira, e passagens sem sucesso por Espanha e até mesmo pelo Brasil, no Corinthians e no Barueri. O meia viveu a melhor fase da carreira no futebol chileno, onde atuou pelo Unión Española e pelo Colo Colo.

Ex-presidente considera valor aceitável

Em contato com o UOL Esporte, Modesto Roma considera aceitável o valor pago de luvas no mercado internacional do futebol. Na cotação atual, os R$ 5,3 milhões valem 1,2 milhão de euros. O dirigente ainda ressalta que o argentino foi contratado porque o técnico Dorival Júnior, que comandava o time na época, tratou o jogador como uma espécie de “salvador da pátria”.

“O Vecchio foi colocado pelo Dorival como salvação da pátria na época. Não me lembro exatamente o valor, mas esses R$ 5,3 milhões, devem dar 1 milhão de euros. No mercado internacional do futebol é um valor palatável. Mas cada vez que o time perde vem esses assuntos. Chega, vamos administrar”, afirmou Modesto.

O ex-presidente santista alega não lembrar o motivo de não ter diluído o valor no salário mensal do atleta e “cutucou” a atual diretoria ao lembrar que o Santos não conseguiu inscrever Bryan Ruiz e Carlos Sánchez na Copa do Brasil por não ter pagado comissão aos agentes do negócio.

“Faz três anos. Você acha que eu sei porque eu dilui ou não ou a forma como foi paga, eu não lembro. Trazer coisas de três anos. Foi feito e foi feito. É melhor fazer isso do que trazer o jogadores e não poder inscrever porque não pagou o empresário. E outra. Quanto se pagou de comissão pelo Carlos Sánchez, Bryan Ruiz agora?”, disse.

Vecchio sofreu para ter sequência

Vecchio jamais conseguiu embalar desde a chegada ao Santos. O argentino começou o ano como titular na vaga de Lucas Lima. Logo na primeira partida do ano, participou diretamente dos três gols do Santos na vitória por 3 a 0 diante do Linense, mas teve a sequência interrompida.

O pior momento foi com o técnico Dorival Júnior, quando foi afastado por duas vezes para treinar em separado do elenco após desentendimentos. A maior guinada no Santos ocorreu com a chegada de Levir Culpi, substituto de Dorival no cargo. Com Levir, o jogador ganhou espaço e titularidade, mas viu a melhor sequência ser interrompida por lesões.

Recentemente, o Santos informou que Vecchio e o zagueiro David Braz estavam fora da lista de relacionados para a partida contra o Botafogo no último sábado pelo fato de negociarem com outros clubes. A saída do defensor depende apenas de exames que serão realizados no Sivasspor, da Turquia, nesta semana. Já o futuro de Vecchio ainda segue indefinido. 

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