Peres convida Pelé a se tratar no Santos e explica rixa judicial com Neymar

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Ivan Storti/Santos FC

    Presidente abriu o jogo em entrevista ao UOL Esporte e diz que sofre ameaças de morte

    Presidente abriu o jogo em entrevista ao UOL Esporte e diz que sofre ameaças de morte

O presidente do Santos, José Carlos Peres, afirmou em entrevista exclusiva ao UOL Esporte que pretende mudar a relação entre o clube e o seu maior ídolo: Pelé. Para ele, essa parceria não pode ser mais comercial e sim de amizade. Por conta disso, Peres convidou o Rei do Futebol para realizar tratamento de seu problema na coluna no CT Rei Pelé.

Peres ainda falou da relação com Neymar, outro grande ídolo do Santos. O dirigente diz que pretendia excluir o camisa 10 da seleção do processo que trava na Justiça contra o Barcelona e as empresas do craque. No entanto, o dirigente alega que a presença do atacante no processo favorece ao clube na briga pelos seus direitos.

Além disso, o dirigente santista ainda falou que "inventaram" a reunião que votará a tentativa de seu impeachment no próximo dia 30, que sofre ameaças de morte por conta de denúncias a gestão anterior e sobre contratações e renovações contratuais.

Confira a entrevista completa:

UOL Esporte: Como o senhor tem trabalhado com relação ao processo de impeachment? Houve uma liminar, ela está valendo? Como tem encarado tudo?
José Carlos Peres:
A questão do impeachment eu considero como política porque não cometi nenhum dolo. Não existe nada que me incrimine. O que existe é suposição, uma relação de fatos que não aconteceram. Diante disso, entraram dois pedidos de impeachment, muitos nomes do primeiro estão repetidos no segundo, ou seja, é o mesmo grupo. O que acontece? Passaram para mim, fiz a minha defesa, anexei documentos e encaminhei de volta a Comissão de Inquérito e Sindicância do clube. A partir desse momento não tive nenhum retorno, absolutamente nada. Fiquei sem informação. Ouvia sempre: 'no dia 30 vai ter, ele já foi condenado'. Não, eu não fui condenado. Só vão colocar para o Conselho Deliberativo, em plenário. Muitas notícias, mas não fiquei sabendo de nada. De acordo com a Constituição Federal existe um artigo que diz formalmente que todo o cidadão brasileiro tem o direito de ampla defesa. Então, a partir do momento que me julgaram, me chamaram, estão conversando comigo. Estamos fazendo isso e isso, fica a seu critério o que você quer fazer. Então, tudo isso foi praticamente a revelia. O que eu fiz é que protocolei, através dos meus advogados, uma série de perguntas, que faz parte do direito de defesa, e mantenho o que eu digo. Não processei o Santos, não processei o Conselho, mas, simplesmente, o presidente de uma comissão não quis me dar o direito de defesa. É só isso, mais nada. Então, houve uma liminar para me dar o direito de ampla defesa. A questão se vai ter impeachment, se não vai ter, se vão jogar mais para frente nem discuti porque oficialmente não chegou.

UOL Esporte: Então, o senhor não deve comparecer a reunião do dia 30?
José Carlos Peres:
Não há reunião no dia 30. Há interesse em criarem um fato que não existe, o Conselho Deliberativo, através do presidente Marcelo Teixeira, não marcou nada. O que ele comunicou é lá que existe uma liminar para a minha defesa. Fui em cinco ou seis oportunidades integrante do Conselho, então tenho o maior carinho e respeito, mas se algum dos conselheiros estivesse no meu lugar também estaria pedindo esse mesmo direito. Está tudo em paz, graças a Deus, e tenho a plena certeza que não cometi nenhum erro. Nesse país essa questão de clube de futebol tirar o cara por meios políticos nunca deu certo. No Flamengo teve vários casos de impeachment. Até mesmo com o [Eduardo] Bandeira, nessa gestão, e ele se defendeu. Ele não foi para plenário, não cometeu nenhum erro. O único erro que a gente comete na visão dessas pessoas é tentar arrumar o clube e estamos tentando fazer isso com humildade e trabalho. Estamos trabalhando muito.

UOL Esporte: Resumindo, o senhor desconhece a reunião?
José Carlos Peres:
A gente conversou, estou sabendo. Ninguém me comunicou dessa reunião e ela só acontecerá se for publicada. Até hoje não tem nada. Isso só prejudica o clube, até mesmo os jogadores ficam preocupados. Estamos caminhando bem, nos organizando. Tem muita coisa para fazer ainda, mas o que nós mais queremos é arrumar o clube. Chamamos todos os conselheiros para ajudar a fazermos o que nunca foi feito. Essa interação é para uma administração limpa, objetiva e buscando resultados.

UOL Esporte: A principal acusação deles é sobre uma questão de conflito de interesses ligados a empresa que o senhor teve de agenciamento de atletas. Ela já foi fechada? Está resolvido isso?
José Carlos Peres:
Ela já foi fechada. De acordo com o registro no contrato social foi fechada em 8 de janeiro de 2018. No dia em que assumi, a primeira coisa que fiz foi fechar a empresa. Tenho no meu notebook todos os momentos em que peço pelo fechamento. Eram sete sócios, precisamos das sete assinaturas. Está encerrada, não existe mais.

UOL Esporte: Com relação à gestão do presidente Modesto Roma Júnior aconteceram muitas denúncias pela auditoria realizada pelo clube. O clube pretende tomar uma providência com relação a isso? Teve a questão do Vecchio que foi explicar que não recebeu o montante de luvas pagas. Como funcionará?
José Carlos Peres:
Nós prometemos durante a nossa campanha uma auditoria completa, ou seja, uma auditoria plena. Contratamos no mês de março por meio de uma licitação, uma delas foi vencedora, uma empresa com bastante credibilidade e bagagem para procurar o que está errado nas contas. Foram milhares de contratos. Pegamos os dois últimos anos do ex-presidente Odílio Rodrigues e outros três do Modesto. Terminamos a primeira parte, descobrimos que tinham mais de 400 contratos do marketing que eram tratados separados. Vamos colocar tudo a limpo. O Santos nunca fez isso na vida, agora é hora. Saber o quanto nós devemos, para quem nós devemos, por que devemos, quando devemos pagar e por que foram assinados cada um dos contratos. É de arrepiar o cabelo essa primeira fase. E, um dos casos, relatado foi esse do Vecchio. Ele estava de graça, foi procurado pelo Santos na figura de um empresário que trabalhava no Santos e deram luvas pagas à vista no valor de R$ 5,3 milhões. Estamos montando um esquema de proteção aos dados, mas vazou essa informação. Ele procurou a presidência para reclamar que não recebeu esse valor. Ele estava furioso, me mostrou o recibo assinado por ele de que recebeu quatro parcelas de R$ 250 mil, dá R$ 1 milhão, sendo que uma delas não recebeu. O resto do dinheiro o gato comeu porque ninguém falou para ele para onde foi. Ele vai buscar isso na justiça, pois acha que também foi lesado nessa situação.

UOL Esporte: E o clube vai ajudar o jogador nessa situação?
José Carlos Peres:
Assim que acabar a auditoria nós vamos fazer um processo de ressarcimento ao clube e vamos processar. Há, inclusive, a ideia de buscar o Ministério Público estadual para estar conosco e fazermos com que a denúncia passe pela Comissão de Inquérito e Sindicância. Espero que sejam tão rápidos quanto foram com os meus impeachments, espero que tenham a mesma velocidade, mas em paralelo vamos entrar na justiça. Se o caso merecer nós vamos pedir o ressarcimento via judicial.

UOL Esporte: Teme alguma represália por conta da auditoria feita contra os ex-presidentes? Ameaças?
José Carlos Peres:
Tem, sim. Tem bastante coisa, até ameaças de morte. Você mexe com um funcionário, manda embora... tem ameaça de morte. E outra, recebemos recadinhos por algumas pessoas prometendo destruir o carro, furar o pneu. Mas, também, tem algo. Se partir para isso, não pode ter medo. Tem que acreditar em Deus primeiro e ser justo. Não vamos colocar ninguém na parece que não fez nada. Temos que olhar bem o processo, se é legítimo, ou não. Nós não vamos ser injustos, mas aquilo que o jurídico analisar, como o caso do Vecchio. Está na cara que teve dolo. Como o empresário recebe R$ 5,3 milhões e paga R$ 1 milhão para o atleta? Ele está recebendo as luvas que nem são dele, são do atleta. Isso é apropriação indébita. Então, todas as vezes que vermos coisas assim, com certeza absoluta, vamos encaminhar para a justiça e pedir o ressarcimento.

UOL Esporte: Existe alguma chance do Gabigol renovar o empréstimo ou o Santos tentar comprá-lo em definitivo?
José Carlos Peres
: O contrato é até 31 de dezembro, com um valor fixado que é muito grande, até por ser obrigatório ter. Tudo pode acontecer. Precisamos entender a boa vontade do time lá, também. Se a Inter [de Milão] receber outra proposta, vai colocar ele lá. Se não receber, pode ser que continue com a gente, mas isso é futuro. Não dá para prever agora, só podemos falar que ele vá até 31 de dezembro.

UOL Esporte: Não há nenhuma cláusula para renovação por mais uma temporada?
José Carlos Peres:
Nós tentamos isso na época, mas não quiseram essa opção automática de renovação do empréstimo. Ele jogou muito bem contra o Cruzeiro. Se o árbitro não tivesse cometido o erro, ele sairia sozinho na cara do gol e eliminaria o Cruzeiro, mas o se não trabalha. A questão, então, é que o futuro a Deus pertence. Vamos esperar até dezembro para ver como está, a disposição dele de ficar e do clube de emprestar.

UOL Esporte: Criaram uma comissão para acompanhar a administração do dinheiro da venda do Rodrygo. Quais são os planos com relação ao valor e até ao próprio jogador?
José Carlos Peres:
Foi uma venda fantástica, o maior valor das Américas, e rendeu para o clube um valor altíssimo. Acima da multa, inclusive. O pagamento será feito em duas parcelas: uma agora e outra em julho de 2019. E essa parcela nós pedimos que seja paga de maneira escalonada. Para aqueles que acham que o dinheiro que vamos receber esse ano, metade do valor, que ainda vai dar para ficar planejando. Nós vamos investir, também. Não se gasta, desde a gestão do Marcelo [Teixeira], não se mexeu nada em estrutura. Vamos fazer isso, sim. Será bem-vinda essa comissão para acompanhar os trabalhos. Vamos ouvir o que tem a dizer, também, mas lembro que o Santos tem para pagar até dezembro R$ 119 milhões. É algo absurdo. É o passivo a curto prazo, aquilo que temos que pagar agora. Estamos fazendo algumas negociações para pagar de 30% a 40%, o máximo possível sem perder o dinheiro para pagar salários e outras despesas. O Santos tem uma máquina pesada, não podemos fazer mais compras. Isso, agora, vai ter que ser oficial. Arrecadar oito e gastar 12, as vezes 14? Olha o déficit que fica. Temos que arrumar, está indo o Vecchio embora, o David Braz e já saíram muitos outros. Todos os dias buscamos algumas rescisões de jogadores que não estão nos planos para tirarmos isso das costas do clube. É um ônus que vamos carregar, temos casos como do Leandro Donizete, do Cleber. Temos uma dívida com o Hamburgo [referente ao zagueiro Cleber] de 2,5 milhões de euros e nenhuma prestação foi paga. O Santos é dono de 55% do jogador. E, agora, tem mais 1 milhão de euros que o Hamburgo quer cobrar. O contrato diz que cada atraso geraria mais 250 mil euros, ou seja, são 3,5 milhões de euros. E já fomos citados na Fifa. A situação que deixaram para nós é desesperadora. Precisamos equalizar tudo. Se abrir o fluxo de caixa, já fogem. Não é fácil administrar o caos financeiro.

UOL Esporte: E como anda a relação do Santos com dois ídolos: Neymar e Pelé?
José Carlos Peres:
Com o Pelé há uma relação de afeto, admiração e amizade. Sempre estamos falando com o Pelé, é um ídolo eterno que temos que aplaudir sempre. Esse ama o clube de verdade. Achamos que a relação Santos e Pelé não deve mais ser comercial, mas para trazer coisas boas para ambos. Não existe aquilo: 'ah, vamos contratar o Pelé'. Não, a nossa relação é para negócios pontuais. Fizemos um convite para o Pelé vir se tratar no CT do Santos, colocaríamos todo o departamento de fisioterapia e médicos à disposição dele. Ele está para responder, gostaríamos muito para o clube, que é a casa dele. Os jogadores estão loucos para conhecê-lo. A casa do Pelé é o Santos. Com relação ao Neymar há um processo que corre na Espanha em que a DIS cobra o Barcelona. O Santos e o Neymar estão juntos nessa. Se houver um acordo, o Barcelona paga sozinho. Se não, tem que dividir para os três. É complicada a situação. Apesar de que o Sonda é amigo do Santos e tenho certeza de que não vai prejudicar o clube de maneira alguma.

UOL Esporte: Como ficou a questão do amistoso que o Barcelona teria que vir ao Brasil?
José Carlos Peres:
Dentro da ação que está correndo na Fifa, que na primeira instância os perdemos. Nós trocamos de advogado, agora é um inglês, que conhece muito a Fifa. O Santos tem um processo contra o Neymar e contra o Barcelona. Primeiro por conta do adiantamento que recebeu durante a disputa do Mundial de Clubes, em 2011. Do Neymar o Santos cobra pelo fato de estar junto com o Barcelona nisso. Já era para termos tirado o processo contra o Neymar e deixar somente contra o Barcelona, mas a questão é que o Santos se garante mais quando fala que o outro errou. E tem a questão do amistoso, também. O Barcelona nos procurou para um acordo pagando 4,5 milhões de euros [pelo amistoso], mas, para isso, teríamos que tirar o processo da Fifa. Não concordamos e estamos brigando. O Barcelona ainda falou que se tirássemos o processo até viriam jogar no Maracanã, no Allianz Parque, mas dissemos que já passou o prazo e que agora precisariam pagar. Há grandes chances de recebermos. O Neymar é um ídolo, em momento nenhum queremos brigar com ele, mas é importante que ele esteja no processo para nos ajudar. Rezamos para que isso chegue ao fim e possamos trazer o Neymar para junto de nós, para que visite o CT, para que venha na Vila, para que não venhamos perder o vínculo com ele.

UOL Esporte: O Pelé já falou se deve aceitar o convite para se tratar no clube? No ano passado, em entrevista ao UOL, ele revelou que pagava o próprio camarote na Vila. Estão resolvidas as questões com ele?
José Carlos Peres:
Nós vamos fazer um pedido, passando pelo Conselho Fiscal e pelo Conselho Deliberativo, para isentarmos o Pelé de qualquer coisa no Santos. Pretendemos fazer um retrofit na Vila, não é o momento agora porque temos muitas contas para pagar, mas queremos deixar ela bem bonita. Ela é a nossa Meca, a nossa casa, nós sempre vamos jogar na Vila. A única coisa que entendemos, conforme a nossa promessa de campanha, é jogar parte na Vila e a outra metade em São Paulo. Vamos ter cadeiras limpas, banheiros reformados. Uma arrumada para a Vila também virar palco de eventos e tudo mais.

UOL Esporte: Sobre o lateral esquerdo Dodô. O Santos já negocia para contratá-lo em definitivo?
José Carlos Peres:
O Dodô nós temos até o final do ano para contratar. Já reservamos dinheiro para essa contratação e acreditamos que não teremos problema nenhum. O Dodô quer continuar, está bem adaptado ao clube. Ele joga no time de coração dele. Além de ser profissional, esse é um sonho que ele tinha que realizar para ele e a família que são torcedores do clube. Obviamente que um profissional não mistura muito, mas acaba misturando. Estamos tranquilos sobre o jogador. Há no contrato essa opção de compra.

UOL Esporte: Com relação ao Diogo Vitor. Ele já apareceu ou segue sumido do tratamento?
José Carlos Peres:
O Diogo Vitor me procurou hoje, me mandou uma mensagem. Antes de pegar o avião fiz questão de me encontrar com ele em um local que eles queriam. Tive uma conversa muito madura com ele. Participou comigo o Pedro Dória, que faz parte do Comitê Gestor, e tivemos uma conversa bem madura com ele. Vamos dar todo o apoio desde que queira se ajudar. Seguindo o bom manual do gestor lembramos que ele é um patrimônio do clube, nós investimos nele, está desde os 12 anos no Santos. Ele tem um problema, perdeu o pai e a mãe muito cedo, e precisa de orientação, ajuda e tratamento, também. No processo dele na CBF teve uma atitude que consideramos madura. Foi homem, disse que consumiu em uma festa. Ele foi pego em dois dopings. No primeiro, apareceu essa questão química. Só que no segundo, que foi cinco dias depois, não apareceu mais. O que tinha era muito pouco e confere com o que ele disse. É um bom menino e precisa de muita ajuda, muita mesmo. Ele está abatido e disposto a vir para resolver a situação dele. E o Santos vai fazer tudo o que for possível para ajudá-lo.

UOL Esporte: E a situação do Diego Pituca, Léo Cittadini e Jean Mota. Como está?
José Carlos Peres
: O Pituca nós temos três anos de contrato ainda, é um contrato profissional. Ele recebe um salário bem baixinho, vamos dar uma acertada nisso. Passaremos para cinco anos e dar uma aumentada, isso já está acertado. Já está alinhado e acertado. Lembrando que 50% dos direitos dele são do Botafogo-SP e houve a chance de comprar por um valor bem pequeno. Tentamos pegar esse valor, mas percebemos que valorizou demais. Sobre o Léo Cittadini ele tem contrato até 31 de dezembro e não quis renovar. Nem sempre é o que jogador deseja, sempre tem o lado do empresário. Há a possibilidade de liberação dele até o final do mês, mediante a uma compensação. O Jean Mota houve um pedido de empréstimo que o eu, o nosso treinador e, principalmente, o Ricardo Gomes vetamos. Precisaremos dele de uma maneira ou de outra. Vamos emprestar para que? Se quiser comprar é outra coisa. Se vier uma proposta nós discutimos.

UOL Esporte: O senhor teme a possibilidade do rebaixamento?
José Carlos Peres:
Fui para Belo Horizonte na última segunda-feira, acompanhei os treinamentos da equipe, vi a preleção e tenho conversado muito com o Cuca. Nós precisamos de reforços? Sim, precisamos, mas são nomes muito pontuais. Ele acha que o time é forte e deu a primeira grande resposta. Todos falam que o Cuca quando dirige um clube ele passa uns quatro jogos observando para arrumar tudo. Se perceber, já houve muito ganho de qualidade. Já tem esquema de jogo, os jogadores estão participando mais. Pegamos o Cruzeiro com 50 mil no estádio e ganhamos deles lá. Acredito que conseguiremos mais uma grande vitória no sábado e depois. Vamos sair dessa rapidinho porque time nós temos, os jogadores estão animados. Uma hora essa bola tinha que entrar, então vamos rezar para tudo correr bem. E tem a Libertadores, um jogo difícil contra o Independiente, mas temos muita fé que faremos um bom resultado lá e nos classificarmos para a próxima fase.

UOL Esporte: Com relação ao Pacaembu. Como será feito esse processo de licitação? O clube colocará dinheiro?
José Carlos Peres:
"É preciso ter um clube da Série A como uma das exigências. É que a bandeira do Pacaembu seja de um clube da Série A. A única empresa que tem clube da Série A é a empresa que estamos juntos. É um modelo igual ao do Palmeiras. Eles vão fazer shows, vai ser coberto, vai ter aprofundamento do gramado, vai ter 8 metros a mais de profundidade e, com isso, a capacidade deve ir entre 38 mil e 40 mil pagantes. Não vamos colocar nenhum centavo, nada, apenas ceder nosso nome. O Santos será a bandeira do Pacaembu, vai tremular inclusive no Pacaembu, vai ser preto e branco o estádio. O Santos vai ter percentual nos shows e vamos jogar de graça. De graça, não vamos colocar um centavo. Jogamos lá quando quisermos, não existe obrigatoriedade em nenhuma partida. Podemos jogar todas as partidas na Vila. Não tem nenhuma obrigatoriedade. Toda vez que jogamos em São Paulo levamos R$ 1 milhão para ser gasto em Santos. Como os moradores em Santos, que trabalham em São Paulo e voltam para casa trazendo dinheiro para a cidade. Eles são uteis para a cidade. Não estamos assumindo o Pacaembu, nós somos a bandeira do Pacaembu. A lenda em que o Santos gasta muito de aluguel no Pacaembu, não terá mais isso. E a renda é total do Santos. A parceira vai ganhar com shows.

UOL Esporte: Sobre o Vágner Love, criou-se uma expectativa grande. Ainda há chances dele vir ou é já passado?
José Carlos Peres:
Agora não dá nessa janela, mas daqui quatro meses nós vamos garantir com certeza absoluta. Vamos ver e o interesse continua. Ele não pode sair pois tem dois anos de contrato. Em dezembro vamos fazer um acordo com o Besiktas para liberar ele pra gente. Não morreu pra gente, vamos voltar com toda a carga para concretizar isso. Temos que elogiar a atitude do Vágner Love. Tomamos conhecimento que ele poderia vir nos últimos quatro dias. O Cuca nos avisou da possibilidade. Ele trabalhou com o Cuca duas vezes, uma delas na China. Eu fui atrás. É muito difícil fazer em quatro dias uma negociação dessa e colocar no BID (Boletim Informativo Diário) com a janela fechando. Contatamos o Besiktas, fizemos um trabalho, eles aceitaram liberar o jogador. Tivemos um trabalho com o Vágner Love. Ele estava louco pra vestir a camisa do Santos. Foi uma negociação dura, pois o que ele ganha lá é impossível pagar aqui. Ele não pode ganhar a mesma coisa aqui. Colocamos um valor pra ele, houve uma discussão, a gente fechou, ele assinou o contrato. O time do Besiktas fechou o negócio, fomos procurar o presidente para mandar a rescisão, pois já tínhamos o contrato assinado. Esperamos o dia inteiro (quarta-feira) e não aparecia. Onde ele está? Ele estava na Áustria em pré-temporada e a gente querendo fechar logo. O presidente recebeu por e-mail toda a documentação. O Vágner tinha um dinheiro para receber e fez um acordo com eles. E o santos Fez um esforço para resolver isso também. Eles se desentenderam e a gente ficou fazendo pressão, saímos do jogo, continuamos pressionando. Eu ligando, o Cuca ligando, o Ricardo Gomes ligando. E o que aconteceu? Não veio o contrato e ninguém deu uma satisfação para a gente até hoje.

UOL Esporte: E com relação ao Júnior Brandão?
José Carlos Peres:
Ficamos sabendo depois do jogo (contra o Cruzeiro) que eles querem reabrir negociação. O Ricardo Gomes (executivo de futebol do Santos) queria saber se era verdade. O Ricardo esteve lá em Goiânia e o valor era 'excepcional'. Este valor é muito cedo para pagar por este jogador. Nós vimos alguns jogos dele, acrescentaria bem, mas temos que esperar um valor razoável e que seja justo hoje. Tenho plena certeza que vai dar negócio nas próximas horas, ou melhor, a expectativa é que o negócio dê certo. Pode fechar, é um pedido do técnico (Cuca), ele acha que tem bastante valor.

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