Antes de San-São, maior desafio de Cuca é blindar elenco de guerra política

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

  • Thiago Ribeiro/AGIF

    Cuca tem conseguido fazer com que a política não interfira dentro de campo

    Cuca tem conseguido fazer com que a política não interfira dentro de campo

Desde que chegou ao Santos, no fim de julho, Cuca se viu em meio a um caos político que ainda segue sem data para acabar – apesar da assembleia marcada para definir o futuro do presidente José Carlos Peres, no dia 29 de setembro. Ao menos por enquanto, porém, o técnico vem conseguindo blindar o elenco de tudo que acontece fora das quatro linhas, tanto é que o time engatou uma sequência de sete jogos sem sofrer gols e oito sem derrotas. Mas a missão continua, e parece cada vez mais difícil tendo em vista a semana que o Santos vive antes do primeiro clássico do treinador, contra o São Paulo, domingo (16), na Vila Belmiro, às 16h.

José Carlos Peres e Orlando Rollo trocam farpas públicas já há algum tempo, mas a semana que antecede o clássico ganhou ainda mais ares de uma guerra política. O vice chegou a acusar o presidente de um suposto 'crime' na assinatura de contrato de Carlos Sánchez. Peres, por sua vez, defendeu-se, acusou Rollo de querer alcançar o poder através de seu impeachment e ainda deu ordem a funcionários para não obedecerem o vice.

Nesta quinta-feira (13), foi a vez de José Carlos Peres ofuscar a apresentação do jovem Felippe Cardoso para voltar a atacar Orlando Rollo, que, por sua vez, concedeu uma coletiva para fazer o mesmo com o atual presidente. E a tendência é que este jogo de ataques e defesas entre os dois dirigentes permaneça pelo menos até o dia 29. Mais trabalho para Cuca que, pela primeira vez desde que assumiu o comando do Peixe, consegue ter uma semana livre para trabalhar o time.

Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte concedida nesta quinta-feira (13), ainda antes das coletivas de José Peres e Orlando Rollo, Cuca voltou a falar sobre a questão política que envolve o Santos e, assim como já havia feito em coletiva anterior, clamou mais uma vez por paz.

Com contrato até o fim de 2019, Cuca também não deixou de apontar os problemas que a briga política acarreta no clube como, por exemplo, não conseguir dar início ao planejamento para a próxima temporada. Com a saída recente do executivo de futebol Ricardo Gomes, o Santos dificilmente trará outro profissional para o cargo antes de resolver a questão do impeachment.

"É um processo que está ocorrendo aqui entre o presidente e o próprio vice, em cima desse impeachment, e a gente torce para que aconteça o melhor para o clube, que o clube se una, se fortaleça ainda mais, porque eu já falei, é um lugar maravilhoso para plantar, e se plantar bem, regar certinho, vai colher. Agora, se plantar bem e o outro vier e pisar em cima e não der água para a planta, não vai colher nada. É fácil entender. Se todo mundo fizer sua parte certinho, no ano que vem vai colher", alertou Cuca, que vê a contratação de um novo diretor como um dos primeiros passos para já preparar a equipe santista para a temporada de 2019.

O lado político está pegando fogo, mas daqui a pouco vai acalmar"

"A estrutura tem que andar junto com o crescimento geral. É igual treinador. Se não estudar fica para trás. O Santos tem a categoria de base que eu acho que mais revela jogadores do Brasil. Essas coisas têm que andar juntas, sincronizado, profissional e amador, e isso é trabalho do treinador também. O que falta são detalhes de ajuste, primeiro ter o diretor de futebol para ele unir o amador com o profissional e trabalhar de forma única. Mas tem que esperar. Hoje não teria como falar em montagem para o ano que vem porque a gente não tem nem o diretor e o lado político está pegando fogo. Mas daqui a pouco vai acalmar", acrescentou.

Recentemente, Cuca se envolveu em uma polêmica com a diretoria santista ao responder, durante uma coletiva, que o Santos precisava evoluir profissionalmente. E apesar do cenário político, o treinador acredita já há evolução em alguns detalhes específicos. Porém, sabe que só mesmo a paz nos bastidores poderá trazer a melhora que o clube tanto necessita.

"Outro dia me perguntaram numa coletiva do Pacaembu, pós-jogo com o Independiente, após a confusão com a polícia, após tudo aquilo, se o Santos tinha que melhorar profissionalmente, e eu falei que sim. Foi eu falar isso para o mundo cair inteiro nas minhas costas. Eu não fui falar que precisa melhorar, eu respondi uma pergunta. E é meu sentimento. Só que eu vejo que nós já estamos melhorando. Eu não vou falar o quê, mas tem coisas aqui já andando melhores que antes", declarou Cuca, que torce pelo fim das brigas políticas o quanto antes.

A gente tem que esperar passar esse momento e blindar o elenco"

"Mas não posso falar em montagem para o ano que vem porque o Santos é conturbado politicamente, e esse momento que estamos vivendo é muito conturbado. Estamos sem um diretor de futebol, então como eu vou falar em contratação se eu não tenho diretor? Como vou falar se está com pedido de impeachment do nosso presidente? Então a gente tem que esperar passar esse momento, blindar o elenco, coisa que estou fazendo, e torcer para que a gente tenha um Santos unido, e não um Santos que um puxe para um lado, o outro contra, isso fragiliza muito a gente. Se o Santos tiver unido, com o potencial que tem aqui, com a torcida que tem, é um lugar certo para ganhar no ano que vem", completou o comandante santista.

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