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Governo gastou R$ 5,3 bi em 9 estádios que não chegaram nem à Copa América

Comitê Rio-2016
Estádio Mané Garrincha, em Brasília, recebeu R$ 1,4 bi em investimentos públicos e está fora da Copa América Imagem: Comitê Rio-2016

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

2018-09-19T04:00:00

19/09/2018 04h00

A Conmebol divulgou nesta terça-feira os estádios que receberão jogos da Copa América de 2019, no Brasil. Na lista, dos estádios que foram sedes na Copa de 2014 estão apenas Maracanã, Fonte Nova e Mineirão. Quatro anos depois do Mundial, nove estádios, que receberam R$ 5,3 bilhões em investimentos públicos, sequer chegam à competição sul-americana. Os dados oficiais estão na matriz de responsabilidades publicada pelo Ministério do Esporte em dezembro de 2014. 

As arenas da Copa que ficaram de fora da Copa América são Mané Garrincha (Brasília), Arena Pantanal (Cuiabá), Arena da Baixada (Curitiba), Castelão (Fortaleza), Arena Amazônia (Manaus), Arena das Dunas (Natal), Beira Rio (Porto Alegre), Arena Pernambuco (Recife) e Arena Corinthians (São Paulo). Juntos, os estádios tiveram acesso a R$ 2,7 bilhões em financiamentos federais e mais R$ 2,6 bilhões em repasses diretos de dinheiro público.

O Mané Garrincha lidera a lista como o que mais custou aos cofres públicos: R$ 1,4 bilhão, feito exclusivamente com repasse de dinheiro público. Fora da Copa América, é o maior “elefante branco” do Mundial. Com capacidade para 70 mil pessoas, só costuma ter grandes públicos nas eventuais vendas de mando de clubes grandes da Série A. No Campeonato do Distrito Federal, o jogo de maior público foi a final, com 5 mil pagantes.

A Arena da Amazônia teve R$ 660 milhões em investimentos públicos, sendo R$ 400 milhões em financiamento federal e R$ 260 milhões em repasse de verba pública. Assim como o Mané Garrincha, o estádio só enche em visitas de clube grandes e seleções. No Amazonense, a média de público é de 603 torcedores por partida, e, na final, a arena com capacidade para 44 mil pessoas recebeu 780.

A Arena Pantanal, com investimentos estatais de R$ 596 milhões, é outro caso semelhante – estádios que foram alvo de aportes grandes de dinheiro público, e, desde o Mundial, só funcionam em sua capacidade projetada em ocasiões especiais, com confrontos entre os grandes clubes brasileiros ou seleções.

Para estes locais, a Copa América poderia ser um desses eventos. Para os outros estádios do Mundial que também ficaram fora, em que pese o fato de serem melhor utilizados por clubes durante a temporada, seria garantia de receita e casa cheia. Em vez disso, além de Mineirão, Fonte Nova e Maracanã, serão utilizados o Allianz Parque, do Palmeiras, e a Arena Grêmio.

Investimentos públicos em estádios de 2014 (financiamento + repasses de verba)

Brasília - Reforma do Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha): R$ 1,4 bilhão

Cuiabá - Construção da Arena Multiuso Pantanal: R$ 596,4 milhões

Curitiba - Complexo Esportivo Curitiba 2014: R$ 131,2 milhões

Fortaleza - Reforma do Estádio Governador Plácido Castelo (Castelão): R$ 518,6 milhões

Manaus - Reconstrução da Arena da Amazônia: R$ 660,5 milhões

Natal - Construção da Arena das Dunas: R$ 400 milhões

Porto Alegre - Reforma do Estádio Beira Rio: R$ 275,1 milhões

Recife - Construção da Arena Pernambuco: R$ 532,6 milhões

São Paulo - Construção da Arena Corinthians: R$ 820 milhões

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