Médico critica Renato e atribui demissão do Grêmio a derrota em Gre-Nal

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Grêmio

    Márcio Bolzoni foi desligado da função de médico do departamento de futebol do Grêmio

    Márcio Bolzoni foi desligado da função de médico do departamento de futebol do Grêmio

As mudanças no departamento médico do Grêmio ainda rendem assunto. Neste sábado, Márcio Bolzoni, médico demitido pelo clube, criticou a interferência de Renato Gaúcho nas decisões da diretoria e ainda afirmou que o treinador pediu as trocas no setor para justificar a derrota sofrida no último Gre-Nal, válido pelo Campeonato Brasileiro, e disputado no Beira-Rio.

Além de Bolzoni, Felipe Do Canto também foi desligado do Grêmio.

"A coisa foi feita de maneira muito indelicada. A imprensa já noticiava antes de eu ser comunicado. Foi uma situação bem chata e surpreendente. Desconheço até agora as razões. Fui informado ontem, pelo ex-presidente Duda Kroeff (atualmente vice de futebol) que foi o Renato quem pediu nosso desligamento, meu e do doutor Felipe Do Canto. Isso sem apresentar argumento… E estranho ainda mais a direção aceitar o pedido do Renato", disse Márcio Bolzoni à Rádio Bandeirantes de Porto Alegre. "Ouvi da boca do presidente Duda que ele não gostaria de me demitir, mas que foi um pedido do Renato", completou.

O UOL Esporte mostrou que o Grêmio já havia pensado em mudanças no departamento médico recentemente. O episódio do surto de caxumba no elenco, no primeiro semestre de 2016, ficou no histórico do setor.

"As nossas conversas com o Renato sempre foram claras e abertas. Não acho que o Renato tenha a menor condição de discutir aspectos médicos. Nem é papel do treinador e muito menos dele. Nós sabemos as limitações do Renato e não cabe discutir médico com o treinador. Embora ele como líder ou chefe do futebol do Grêmio, estivesse por nós informado de todos os fatos. Nos últimos fatos médicos, eu sequer estava presente. Se houve fatos que incomodaram ele, eu sequer estava presente. Então fico mais surpreso com o pedido e ainda mais com a direção aceitando o pedido. Não deixa de ser uma interferência em um departamento técnico. Não estamos aqui julgando capacidade do treinador, mas interferir em diagnóstico médico, não é função do treinador", declarou Bolzoni.

Médico do Grêmio há 26 anos, Márcio Bolzoni também atuou nas categorias de base e chegou a ser diretor de futebol do clube. Depois, foi o responsável pelo departamento médico e estava de férias durante a tomada de decisão pela demissão.

"Essa é a terceira passagem do Renato pelo Grêmio e não tivemos nenhum problema. É o segundo mandato do presidente Romildo e não houve problema. Lamento que o departamento de futebol tenha aceitado um pedido do treinador para interferir no departamento médico. No frigir dos ovos, parece que quem nos demitiu foi o Internacional. Por ter sido depois do Gre-Nal. Parece ter sido para procurar um culpado pela derrota do Gre-Nal", disparou o médico.

A decisão de mudar o departamento médico ocorreu logo após as lesões de Jael e André. O primeiro passou por artroscopia no joelho direito e o segundo teve diagnosticada lesão na panturrilha.

"O Renato colocou de uma forma e eles acabaram cedendo. O chato é não saber os motivos. A imprensa noticiou que poderia ter relação com outros episódios, como Jael e caxumba ou Gabriel. Vou tocar em um assunto que já deveria estar esgotado. Não fui eu que fiz cirurgia do Gabriel. Nem eu e nem o doutor Felipe Do Canto. Por favor, esqueçam. Não há relação nenhuma na cirurgia do Gabriel. Ele teve problemas, teve sequelas que estão atrasando a vida do menino, mas nunca tive nada com isso. O Renato era o treinador na época e sabe muito bem o que houve. Não vinculem… Não há relação com o episódio da caxumba. Eu sou clínico, não fui eu que determinei se haveria vacina ou não. Esses assuntos trazidos como possíveis motivos não tem nenhuma verdade, nenhuma razão. Não existem episódios recentes para gerar desconforto", afirmou Márcio Bolzoni.

Jael foi submetido a cirurgia na segunda-feira seguinte ao Gre-Nal 417.

"A lesão do menisco do Jael foi constatada por mim antes de viajar, mas ele tinha poucos sintomas. No momento em que o Jael não apresentou melhora, foi imediatamente operado. Não há nenhum fato médico novo", reiterou o ex-integrante do departamento médico do Grêmio. "A minha impressão é que o treinador quis criar um fato para mostrar seu poder, mostrar que toma decisões e o clube segue", sentenciou Bolzoni.

O Grêmio deve seguir com apenas dois médicos no departamento de futebol até dezembro. A partir de 2019, o clube pretende adotar novo conceito na área de saúde com primeira análise no clube e depois eventual consulta e procedimento sob responsabilidade de especialistas.

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