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Após Deco e Pepe, Portugal acena com o fim dos brasileiros naturalizados

Fernando Santos a seleção portuguesa durante jogo contra o Irã - Maja Hitij - FIFA/FIFA via Getty Images
Fernando Santos a seleção portuguesa durante jogo contra o Irã Imagem: Maja Hitij - FIFA/FIFA via Getty Images

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

29/09/2018 04h00

Ex-Palmeiras, Dyego Sousa aproveitou cruzamento vindo da esquerda e, sozinho, completou para dar a vitória ao Braga sobre o Sporting e garantir a liderança da Liga Portuguesa ao lado do Benfica, na última segunda-feira, 24. Natural de São Luís, no Maranhão, o centroavante de 29 anos marcou seis vezes nos últimos sete jogos e é o artilheiro isolado da competição.

Com a carreira comandada por um dos empresários mais influentes do mundo, Jorge Mendes, que cuida de Cristiano Ronaldo e outros craques, ele atravessa excelente fase e carrega o sonho de defender a seleção local.

"Eu hoje me considero mais português (do que brasileiro)", disse Dyego, em entrevista ao UOL Esporte.

"No Brasil, eu vou de férias, mas, ainda assim mais raramente. Em sete, oito anos fui duas ou três vezes, no máximo. A minha família vem mais, a minha irmã esteve aqui, e meus pais também. Me estabilizei, tenho minha própria casa e não tenho do que reclamar", prosseguiu.

O desejo do goleador do Braga é compartilhado pelo colega de vestiário Matheus Magalhães - goleiro e irmão do palmeirense Moisés -, pelo zagueiro Jardel - atual capitão do Benfica - e por outros brasileiros que encontraram em Portugal o lugar ideal por evolução nos gramados e construção de suas famílias longe de casa.

O trio esbarra apenas na resistência do técnico Fernando Santos, que deixa claro não ser um entusiasta da prática que, entre outros nomes, "brindou" o país com Deco, Pepe e Liedson ao longo da última década.

"Por princípio, não sou um fervoroso adepto de jogadores não portugueses (na seleção), mas é claro que existem casos e casos", afirmou Santos, que mantém o discurso sempre que perguntado sobre o assunto.

"Alguns jogadores estão aqui (em Portugal) há muito (tempo) e criam essa identidade. O Deco veio pequeno e foi crescendo como português. Quando há esse sentimento, é possível (cogitar a ideia), caso contrário, preferencialmente não. Farei o possível por encontrar uma solução que não seja essa. Não digo desta água não beberei, mas farei tudo para não beber", completou.

Ele descarta, por exemplo, pedir para que qualquer atleta se naturalize para defender os atuais campeões europeus.

No grupo que levou para a última Copa do Mundo, foram sete "estrangeiros" convocados pelo comandante. Além do luso-brasileiro Pepe, os franceses Anthony Lopes, Adrien Silva e Raphael Guerreiro, o alemão Cédric Soares, o angolano William Carvalho e o cabo-verdiano Gelson Martins fizeram parte da lista.

Com problemas no setor defensivo, existia um lobby moderado para que Jardel, especialmente, ganhasse uma chance antes da viagem para a Rússia e fosse testado como alternativa em virtude da idade elevada dos demais centrais.

Ainda que em menor grau, o mesmo volta a acontecer agora com Dyego Sousa, que, a exemplo de Pepe, tem suas raízes fincadas, é casado com uma portuguesa e se sente em casa na região norte do país. Essa é uma hipótese remota, contudo.

Se a entrada na seleção principal soa complicada neste momento, existe pelo menos mais espaço na base. Em sua convocação mais recente para a categoria sub-18, Portugal incluiu dois brasileiros: Pedro Neves, mais conhecido como Pepe, que atua pelo Everton, e Marcos Paulo, promessa badalada do Fluminense. Os dois possuem cidadania local.

Com Cristiano Ronaldo mais próximo do fim da carreira, a discussão sobre o futuro é cada vez mais presente no futebol português, mas deixa escanteada, nesse momento, qualquer possível influência do Brasil.

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