De choque com Kalil a torcida: o que pesou para Larghi sair do Atlético-MG

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG

    Thiago Larghi deixou o cargo de técnico do Atlético-MG na noite dessa quinta-feira

    Thiago Larghi deixou o cargo de técnico do Atlético-MG na noite dessa quinta-feira

O Atlético-MG esperou a confirmação do acerto com Levir Culpi para anunciar a demissão de Thiago Larghi, na noite da última quarta-feira (17). A pressão sobre o antigo treinador, mais evidente no fim de setembro, foi o que acarretou em sua demissão.

O primeiro ultimato dado ao técnico foi durante a semana do jogo contra o Sport, antes mesmo da polêmica declaração sobre o tempo de jejum do Galo no Campeonato Brasileiro. À época, a diretoria não gostou do empate com o time reserva do Cruzeiro e tampouco do revés para o Flamengo. Às vésperas da partida contra o time do Recife, o técnico já havia escutado que um tropeço em casa (revés ou empate) seria o suficiente para tirá-lo do clube. A goleada por 5 a 2 deu sobrevida a Larghi.

Mesmo com o prolongamento de sua estadia na Cidade do Galo, Thiago Larghi cometeu um ato falho às vésperas do jogo com o Sport. O treinador minimizou a distância da equipe para os líderes do Brasileiro e o jejum de 47 anos sem uma taça do torneio.

"O torcedor, sempre que perde, vai ver um monte de defeitos. Vamos lembrar que são 47 anos sem esse título. Esse ano teria a obrigação de ter esse título? Por que? Não sei. Temos que ter um pouco de calma, temos que avaliar com a razão muitas vezes, nós profissionais principalmente, aquilo que tem sido bem feito, que a gente precisa corrigir para o próximo ano", afirmou na ocasião.

A declaração pegou tão mal que até Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Atlético-MG, se manifestou sobre o fato. O político detonou a declaração de Larghi.

"Ele precisa ir à sala de troféus da Avenida Olegário Maciel, chegar perto de uma Libertadores, de uma Recopa Sul-Americana e uma Copa do Brasil, para sentir o que é o espírito vencedor e a responsabilidade de levar o Atlético a ganhar títulos importantes continuamente", afirmou ao blog de Chico Maia, seu assessor de imprensa, durante passeata na capital mineira.

O ato falho de Larghi fez com que a pressão por melhores resultados e um desempenho acima do apresentado fosse ampliada. Com um crítico de peso como Kalil, precisava de bom aproveitamento contra os adversários de outubro para se manter prestigiado pela cúpula alvinegra.

A prova de fogo seria nos jogos seguintes. O Galo enfrentou Chapecoense e América-MG na sequência. A expectativa de seis pontos diante dos times que lutam contra o rebaixamento foi trocada pela realidade de apenas um. A igualdade com o América-MG foi o estopim para a diretoria, sobretudo pela pressão vinda das cadeiras. Parte dos 20 mil torcedores que foram ao local do duelo xingaram o treinador e chegaram a chamá-lo de "burro" pelo resultado e mudanças no decorrer do confronto.

Atrelado a tudo isso, estava o receio de perder uma vaga no grupo dos seis primeiros colocados. Na sexta posição, com 46 pontos, o Galo viu o Santos se aproximar na tabela de classificação do Brasileiro. O Peixe está a apenas quatro da equipe mineira, o que alimenta a pressão por parte da torcida sobre diretoria. A saída mais fácil foi tirar o técnico do cargo neste momento.

O clima já era de fim de relação na Arena Independência. Sérgio Sette Câmara (presidente), Lásaro Cândido Cunha (vice-presidente jurídico) e Alexandre Gallo (diretor de futebol) se reuniram no vestiário do estádio a fim de discutir o futuro do técnico.

Ali, ainda no Horto, a cúpula decidiu que era necessário trocar o comandante. A definição foi acompanhada da ideia de buscar Levir Culpi. O técnico, entretanto, precisava de um tempo para pensar e se reunir com os demais atletas.

Thiago Larghi já sabia da decisão da diretoria, tanto sobre sua demissão quanto em relação à busca de Levir Culpi. Os atletas, desconfiados por conta do comportamento atípico ao fim do último confronto, também souberam da situação e saíram em defesa do técnico, tal como Elias e Gabriel fizeram. O problema é que já era fato consumado.

Larghi foi demitido e teve um cargo na comissão técnica oferecido por Alexandre Gallo. O ex-treinador da equipe, todavia, optou por deixar o clube em busca de um novo desafio. Ele tenciona seguir a carreira de treinador após a primeira experiência na área. 

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