Corinthians minimiza 'incidente' e tranquiliza torcida sobre penhora

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Wikipedia

Horas após uma decisão da Justiça pela penhora da taça do Mundial de Clubes, o Corinthians tranquiliza sua torcida e diz estar perto de um acordo com o Instituto Santanense de Ensino Superior. Em pronunciamento nesta quinta-feira (8), o diretor de marketing do clube, Luis Paulo Rosenberg, e o pró-reitor administrativo da universidade, Paulo Linhares, 'fizeram as pazes' quanto à dívida alvinegra de cerca de R$ 2,5 milhões.

"Justamente agora, quando estamos às vésperas de um entendimento vantajoso para o clube e para a universidade, tivemos este incidente", lamentou Rosenberg, avisando a torcida de que o troféu conquistado no Japão em 2012 não corre riscos. "Eles [Instituto] pediram para esclarecer a posição dos atuais gestores e tranquilizar a torcida de que não há nenhuma intenção de se valer de um símbolo tão importante para resolver uma pendência jurídica", afirma.

O imbróglio existe desde 2008, quando o Corinthians rompeu de forma unilateral um contrato com a UniSant'Anna. A universidade entrou na Justiça, ganhou o processo e passou a tentar bloquear receitas do clube para que a dívida fosse paga. Aconteceu, por exemplo, na venda de Rodriguinho para o Pyramids (EGI) em agosto. Nesta semana, a entidade acusou Corinthians e CBF de fraude pelo pagamento adiantado de premiação da Copa do Brasil e pediu a penhora da taça do Mundial de Clubes de 2012.

Em seu pronunciamento, Rosenberg explica que houve "desencontro de ideias" entre o Corinthians e a UniSant'Anna em 2008, o que motivou a universidade a buscar seus direitos na Justiça. Acontece que neste ano a entidade foi adquirida por outro grupo, que estaria disposto a resolver tudo amigavelmente. Neste meio tempo, no entanto, o processo avançou e virou o problema atual.

O pró-reitor administrativo do Instituto Santanense, Paulo Linhares, reforça a declaração de Rosenberg. "A UniSant'Anna está sob nova gestão, e nosso foco principal é trabalhar pela educação e não mover processos judiciais. Assim que assumimos, neste ano, começamos a fazer bons acordos e um deles, tratado com prioridade, é o acordo com o Corinthians", diz, garantindo que a universidade "em nenhum momento houve intuito de desrespeitar a honra do Corinthians".

"Nós assumimos recentemente. Esta condição jurídica, iniciada na gestão anterior, que vem desde 2008, já vinha sendo tratada. Agora vamos cuidar não de remoer o passado, tratar de problemas passados, mas de tranquilizar a todos e dizer que daqui para frente esperamos uma nova história e parceria com o Corinthians", afirma o representante do Instituto Santanense.

Entenda o caso

A instituição de ensino executou o Corinthians para recebimento da dívida, já reconhecida pela Justiça. Para isso, pediu o bloqueio dos valores que o clube tinha a receber por ter chegado à final da Copa do Brasil. Oficiada para depositar o valor diretamente na conta da credora, a CBF respondeu no dia 23 de outubro que já tinha realizado o depósito nos cofres corintianos um dia antes, no dia 22

Para o Instituto Santanense, a medida configurou fraude em conluio entre Corinthians e CBF. A empresa argumenta que, no dia 22, antes da CBF realizar o depósito, diversos veículos de imprensa já tinham noticiado a ordem de penhora. Além disso, aponta que, nos autos, o alvinegro já havia dado à entidade máxima do futebol brasileiro um recibo de quitação no dia 19 de outubro, três dias antes da data na qual a CBF depositou o valor.

"É inconteste que o Executado tinha ciência do pleito formulado pelo Exequente e, assim, em conluio com a CBF buscou adiantar o recebimento do prêmio ao qual fazia jus, frustrando, assim, o cumprimento da determinação judicial de bloqueio desses valores", diz o documento acusando a fraude.

Além da penhora da taça do Mundial, o Instituto Santanense ainda pede que todo o processo seja encaminhado ao Ministério Público, para a apuração de irregularidades. O Corinthians e a CBF ainda não foram notificados sobre a acusação, protocolada nesta quarta-feira.

Andrés trata do caso com ironia

Presidente do Corinthians, Andrés Sanchez foi irônico ao tratar da penhora, durante coletiva nesta quinta-feira. "Pelo menos, o Corinthians tem duas taças de Mundial para penhorar, né? Temos terreno, ônibus, carro... Temos patrimônio. O Corinthians tem dois Mundiais e quiseram isso. Era uma faculdade que tinha no Parque São Jorge. A faculdade tem a receber, o Corinthians também tem. Estava bem adiantado o acordo, mas infelizmente os advogados quiseram uma nota midiática e fizeram isso com a taça do Mundial. O que tiver de pagar, vamos pagar, e vamos esperar o processo para receber a nossa parte. É uma ação midiática, os advogados devem torcer para outro time e fizeram isso. Quanto vale a taça no valor financeiro? Mas é direito deles, a Justiça existe para isso. Temos 48 horas para resolver e vamos resolver", disse.

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