Em conversa com Allana, mãe de Daniel diz que pediu para ele não ir à festa

Adriano Wilkson, Bruno Abdala e Karla Torralba

Do UOL, em São José dos Pinhais e em São Paulo

  • Reprodução

    Allana e Daniel na foto do aniversário de 17 anos da filha do casal Brittes

    Allana e Daniel na foto do aniversário de 17 anos da filha do casal Brittes

As conversas de WhatsApp entre a família de Daniel Corrêa e Allana Brittes no dia seguinte ao assassinato do jogador mostram que a mãe da vítima disse ter pedido ao filho para que não fosse a São José dos Pinhais (PR), cidade onde o crime foi cometido após um "after party" na casa dos Brittes. O UOL Esporte teve acesso ao documento com as transcrições em ata notarial, que foi anexada ao processo judicial.

Eliana Aparecida Corrêa, mãe de Daniel, trocou várias mensagens com Allana em 28 de outubro querendo saber o paradeiro do filho e disse que pediu para o jogador não ir ao Paraná participar da festa de aniversário. A dentista queria que Daniel ficasse cuidando da filha dele, de dois anos. 

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Allana é filha de Edison Brittes Júnior, o Juninho, que assumiu ter matado Daniel após uma sessão de espancamento. Segundo ele, o jogador estaria tentando estuprar sua mulher, Cristiana. Os três integrantes da família estão presos sob suspeita de terem cometido o crime.

Quando surge a notícia de um corpo encontrado na cidade, a filha de Juninho se mostra prestativa na conversa com Eliana e diz que estava indo com os pais ao IML (Instituto Médico Legal). "Fica tranquila, por favor", escreveu Allana.

Às 20h54 de 28 de outubro, Eliana envia um áudio a Allana, no qual relata que acredita ser Daniel o homem não identificado no IML. Em choque e nervosa, a mãe diz que pediu ao jogador para que não fosse à festa de 18 anos de aniversário da adolescente.

Diz a transcrição do áudio da mãe de Daniel:

"Allana, eu acho que é ele sim. Minha irmã já mandou foto de um juiz aí, eu acho que é ele sim, mas Allana, confirma porque estou em estado de choque aqui, parece que estou em um pesadelo, não consigo nem chorar, só consigo ficar com raiva dele, por (sic) eu falei muito para ele não ir, para ele vir e ficar com a filha dele, mas ele não quis, entendeu? É, aí tô com raiva dele ainda, tô com raiva, não sei porque vai mudar isso em mim".

Allana diz após o áudio:

"Meu Deus, eu não acredito nisso. Eu vou ir lá sim. Tô indo já. Tô dentro do carro".

Eliana questiona às 21h07 se "demora muito ainda?". Às 21h14, a mãe de Daniel envia outra mensagem. "Lana, não precisa já estamos cientes que é ele mesmo!!!!".

Às 21h16 Allana responde: "Já estava a caminho". E depois: "Não acredito nisso. Me diz que é mentira". 

Nesse momento, conforme diria à polícia depois, Allana já sabia que Daniel havia sido espancado por Juninho, mas mentiu para proteger o pai.

A mãe de Daniel fala às 21h17: "Infelizmente. Estamos desesperados". Allana manda a última mensagem do dia 28 de outubro: "Meu deus", escreve.

Além de Allana, Cristiana e Edison Brittes, Ygor King, David Vollero da Silva e Eduardo da Silva estão presos acusados de participação no assassinato.

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