Titular indiscutível, Casemiro é "problema" para Tite por não ter reserva

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Milton Keynes (Inglaterra)

  • Dan Mullan/Getty Images

Foi num jogo contra o Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, ainda em 2017, que Casemiro ganhou o coração da comissão técnica ao sugerir uma mudança tática que resultou na virada de 4 a 1, fora de casa. Dono do meio-campo da seleção, a sua influência é hoje tão grande dentro do grupo que virou um problema para a equipe: o que fazer em sua ausência? Essa é uma pergunta para a qual Tite ainda não descobriu uma resposta.

O treinador continua à procura de um jogador que sirva como alternativa ao destaque do Real Madrid sempre que não contar com ele.

Na última sexta-feira (16), justamente contra os mesmos uruguaios, o Brasil se viu sem o seu homem que arma, desarma e pensa o jogo como nenhum outro nome da posição. A bola, ainda assim, continuou passando por ali na vitória por 1 a 0 no Emirates  Stadium, em Londres.

O seu substituto, Walace, foi quem mais trocou passes ao longo dos 90 minutos, com 79 dos 600 realizados pelo time no amistoso. Carregando a equipe para frente, o atleta do Hannover, da Alemanha, não foi nem de longe tão eficiente quanto na marcação e não deu a dinâmica que se espera do setor. Esse foi o seu segundo jogo no novo ciclo.

Medalha de ouro na Olimpíada do Rio-2016, ele precisa de tempo para se ajustar ao ritmo do grupo e se sentir mais à vontade em campo.

"Quando tu mexes numa estrutura do teu meio-campo e tu tens o Walace, que, normalmente era segunda (volante) no Grêmio e que ele joga com dois ou com tripé um pouquinho mais avançado, eventualmente de primeiro, tu não tens a mecânica", explicou Tite, em entrevista coletiva ao fim da partida.

"Quanto tu pegas e troca ele mais o Arthur, já tem dois no meio-campo que não jogam juntos e o entrosamento fica dificultoso (sic). Por isso, a importância, mesmo sem estar nas melhores condições, do Renato (Augusto), porque o link no lado esquerdo já se estabelecia. Eles baixam a cabeça, Renato, Filipe Luís e Neymar e sabem onde triangular. É um grau de dificuldade que, com o passar do tempo, eles podem ter melhor", completou.

Essa é uma visão compartilhada também por seus companheiros.

"Houve algumas mudanças, trocas e a gente vai se comportando da melhor maneira possível. A gente vai se conhecendo cada vez mais. É difícil o cara vir e fazer o primeiro jogo, como fez o Walace, difícil encontrar alguns passes, reconhecer alguns movimentos nossos. Mas isso é jogando, treinando que vai se ambientar", analisou Neymar.

A escassez de opções por ali ficou evidente na decisão da comissão técnica em substituir Casemiro, cortado por lesão, por Rafinha Alcântara, do Barcelona, alguém que joga em um espaço mais avançado, com outras características. Cabe ponderar apenas que, neste caso, foi uma escolha de última hora às vésperas da apresentação da delegação.

Pensando na Copa América de 2019, Tite já anunciou que Fernandinho, do Manchester City, estará de volta à seleção. Provavelmente, o seu retorno deverá acontecer em março de 2019, próxima data-Fifa para reunir o elenco.

A atuação do veterano de 33 anos contra a Bélgica, na eliminação no último Mundial, quando substituiu Casemiro, suspenso, é outro fator, no entanto, que realça a necessidade de encontrar uma solução para esse lugar dentro da equipe. Ele marcou o gol contra que abriu o marcador e foi alvo de críticas dos torcedores.

Na caminhada para a Rússia, além de Casemiro e Fernandinho, Tite testou Rafael Carioca, então no Atlético-MG, como essa peça, mas não gostou do que viu e jamais voltou a chamá-lo

Existe a expectativa de que o Brasil faça algumas mudanças para a sua despedida em 2018 contra Camarões, na próxima terça-feira, às 17h30 (de Brasília), em Milton Keynes, nos arredores de Londres.

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