Rival do Brasil, Seedorf elogia Tite e diz que Neymar "não tem vida fácil"

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Milton Keynes (Inglaterra)

  • Marcus Alves/UOL Esporte

Em sua passagem pelo futebol brasileiro, Clarence Seedorf encantou com o seu talento no meio-campo e fez fama também por sua preocupação com os mínimos detalhes no dia a dia. Ao deixar os gramados com o Botafogo para se sentar no banco de reservas, o craque que ganhou tudo com Real Madrid, Milan e Ajax não mudou nem um pouco. Continua atento a todos os pormenores ao seu redor para tentar emplacar na carreira de treinador.

Ele desembarcou em Milton Keynes, nos arredores de Londres, para conduzir a seleção de Camarões, o seu novo desafio, no amistoso contra o Brasil na próxima terça-feira (20), às 17h30 (de Brasília), no Stadium MK.

Ainda se adaptando à nova função, o holandês de 42 anos mantém um ritmo frenético e se preocupa, por exemplo, com o início do jantar dos jogadores na sua ausência. Pede que as entrevistas com a imprensa brasileira sejam aceleradas. Cogita saltar a última delas. No fim das contas, aceita atender a todos, mas com uma condição que retrata com precisão o seu perfil: filmar apenas da cintura para cima e deixar a sua calça de fora de qualquer imagem.

É com esse nível de perfeccionismo que ele espera surpreender o time comandado por Tite em seu último teste no ano.

Com uma geração promissora e que receberá a Copa Africana de Nações em 2019, Seedorf promete partir para o ataque e, mesmo com apenas três meses no cargo, não se acanhar diante da seleção brasileira.

Em um bate-papo com a reportagem do UOL Esporte, ele ressalta o estágio de nove meses no modesto Boavista-RJ como fundamental para o início de sua vida como treinador, fala sobre Tite no futebol europeu e aborda a influência das redes sociais e suas consequências na rotina de jogadores famosos como Neymar.

Com certeza, Neymar não tem uma vida fácil porque qualquer coisa que ele faz...

Clarence Seedorf comentando o uso de redes sociais do brasileiro

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Seedorf

A influência de Oswaldo de Oliveira

O Brasil me preparou mesmo para ser treinador porque de um dia para o outro fui treinar o Milan, né. É claro que me preparei, fiz todo o curso, mas o Boavista-RJ me ajudou com um grupo de meninos fantásticos. Ainda tenho relação com eles, às vezes a gente manda umas mensagens. Foi muito importante essa experiência. O Oswaldo (de Oliveira) me deu muita abertura para olhar (no Botafogo), falar com ele, discutir com ele e ajudar também com os auxiliares analisando os jogos. Todo esse trabalho me ajudou muito para ter uma preparação que serviu para fazer essa troca de um dia ao outro.

Relacionamento com fãs

Acho que tem muito a ver com a escolha do personagem, o quanto ele quer compartilhar. Outra coisa é que hoje em dia você vai no restaurante e o pessoal filma, fica a uma certa distância, então, é difícil. Hoje, as pessoas pensam que está legitimado filmar quando um cara está jantando com a sua família, com os seus amigos, com quem quer que seja. Está faltando mais essa parte educativa das pessoas para entender que a privacidade tem que se manter, tem que perguntar se pode filmar ou fazer foto. Isso não acontece mais.

Exposição dos brasileiros nas redes

Para quem gostaria de ter mais privacidade ou manter um perfil mais discreto, é sempre mais difícil. Agora, tem outros como o Neymar, como o Dani Alves, né… Porque eu gosto do Dani Alves também, ele mostra muito da sua vida pessoal e é uma escolha. Aí é uma escolha sua. Mas, com certeza, Neymar não tem uma vida fácil porque qualquer coisa que ele faz… Mas faz parte.

Avaliação de Tite

Eu acho que cada mercado é um pouco fechado para treinador estrangeiro. Provavelmente, onde tem mais estrangeiros é a Inglaterra. Tite pode treinar em qualquer outro lugar, assim como outros treinadores no Brasil. Não é esse o problema de saber treinar. Acho que, sim, a possibilidade, a língua e também porque na Itália, Espanha, eles procuram promover seus treinadores italianos, espanhóis, coisa normal, como no Brasil, que tem poucos estrangeiros também, vai ter mais brasileiros que estrangeiros. É um processo que eu espero que não saiam muito porque precisa também manter os treinadores bons no Brasil porque é um mercado de futebol importante. Mas Tite é um grande treinador para mim. 

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