Agentes lucraram R$ 7 mi para intermediar saída de Arana do Corinthians

Diego Salgado e Marcus Alves

Do UOL, em São Paulo (SP) e Lisboa (POR)

  • Divulgação/Sevilla

Enquanto o Corinthians faturou menos do que o esperado com a venda de Guilherme Arana ao Sevilla no fim de 2017, outras partes lucraram alto com o negócio pelo lateral esquerdo de 21 anos. Somente com a intermediação do acordo, agentes ganharam ao redor de 1,9 milhão de euros (R$ 7,3 milhões, conforme a cotação da época). Os detalhes da operação foram confirmados em documentos trazidos à tona nesta semana.

O UOL Esporte teve acesso a prestação de contas encaminhada pela equipe espanhola em reunião de seu conselho de acionistas.

O relatório mostra que foram desembolsados 900 mil euros (R$ 3,5 milhões, idem) de seus cofres em comissão a empresários na vinda de Arana. A cifra foi a maior paga pelo clube andaluz em toda a última temporada e provocou controvérsia interna no encontro que ocorreu na segunda-feira.

Pessoas ligadas ao Parque São Jorge afirmaram, em contato com a reportagem, que o time alvinegro teve um custo semelhante em comissão, ficando em 986 mil euros (R$ 3,8 milhões, idem). Mas, como não detinha todos os direitos econômicos do lateral, assumiu apenas metade e descontou a outra fatia da parte do dinheiro que repassou aos parceiros que mantinham o restante do percentual.

Esses foram os números encaminhados pela gestão Roberto de Andrade ao sistema de transferências da Fifa e da CBF.

Não é a primeira vez que uma transação envolvendo o Corinthians chama a atenção pela quantia movimentada em comissões. Na ida do centroavante Jô para o Nagoya Grampus, do Japão, os paulistas desembolsaram o triplo da média em acordos similares analisados pela Fifa.

O pagamento da comissão na despedida de Arana aumentou ainda mais o valor recebido por terceiros na transação.

Dono de somente 40% dos direitos econômicos, o Corinthians bateu o pé na reta final das conversas e conseguiu aumentar a sua participação para 50% antes de selar a saída de Arana, assegurando, assim, metade dos 10 milhões de euros (R$ 43 milhões) combinados. A outra fatia ficou para os empresários Fernando Garcia, Nilson Moura, Guilherme Miranda e Thiago Ferro, que dividiam o resto dos direitos.

O Sevilla parcelou o pagamento do montante em três vezes, faltando ainda depositar os 25% finais da transferência. A previsão é que essa grana chegue aos cofres corintianos em junho de 2019.

A exemplo do que aconteceu em outros repasses, o dinheiro será repartido de forma igual entre o time alvinegro e os representantes do atleta.

Depois de enfrentar dificuldades nos primeiros seis meses em Sevilla, Arana, enfim, se adaptou e assumiu até mesmo uma vaga no 11 inicial dos espanhóis nesta temporada, substituindo o titular Sergio Escudero, lesionado. Ele conseguiu a sequência perseguida e participou, inclusive, da vitória de 3 a 0 sobre o Real Madrid.

No período, ouviu pedido da comissão técnica para que repetisse a desenvoltura mostrada no Corinthians e se soltasse mais no ataque, abusando das canetas e assistências para gols decisivos.

O diretor Joaquin Caparrós, figura reverenciada nos corredores do clube, o comparou aos compatriotas Daniel Alves e Adriano, com quem trabalhou no banco de reservas em Nervión.

Com a volta de Escudero, Arana deixou o time titular e tem sido mais acionado pelo técnico Pablo Machín em competições como a Copa do Rei e a Liga Europa. Ao todo, ele fez 17 partidas até o momento, balançando as redes uma vez. O seu contrato com o Sevilla se encerra em 2022.

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