Base do Palmeiras, ele largou futebol e faz sucesso com muçarela de búfala

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    Jorge Nakid, no Flu. Ele é o 4º jogador da esquerda para a direita, embaixo

    Jorge Nakid, no Flu. Ele é o 4º jogador da esquerda para a direita, embaixo

Em uma manhã de domingo normal, Jorge Nakid foi personagem de uma matéria do Globo Rural sobre o seu sucesso no ramo de muçarela de búfala. A empresa de quase 20 anos é o principal negócio da família. Mas o que faz a história de Nakid sair do Globo Rural para ser contada na página de esporte é o futebol. Ele foi das categorias de base do Palmeiras, passou pelo time profissional do Ituano e atuou pelo Fluminense

Jorge começou a carreira nas equipes inferiores do Palmeiras, passou pelo Juventus, destacou-se no Montenegro de Osasco e foi no Ituano que teve mais oportunidades. Na equipe de Itu, era titular do meio-campo e quem ficava na reserva é conhecido de todos, Juninho Paulista. 

"O Juninho Paulista era banco meu, o Juninho acabou indo para o São Paulo. Ele estava subindo, a diferença de idade era de uns 3 anos. Ele era meu banco, eu fui para o Fluminense, ele foi para o São Paulo, ele acabou estourando, foi o camisa 10 da seleção brasileira e eu acabei vendendo queijo", relembra Jorge Nakid em entrevista bem-humorada ao UOL Esporte. 

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Nakid na época que era base do Palmeiras
Jorge Nakid ri, porque realmente as carreiras do titular e do reserva tomaram destinos bem diferentes e inusitados. Enquanto Juninho Paulista brilhou, Jorge preferiu encerrar a carreira aos 24 anos, quando se mudou para a fazenda dos pais, em Sete Barras (SP), passou por dificuldades no início, mas se descobriu empresário no ramo da muçarela de búfala. A empresa Levitare é hoje o sustento da família. 

"É complicada a mudança de ares. Eu estava no Rio de Janeiro, morava a um quarteirão da praia, atravessava a rua e estava em Copacabana e do nada estava em Sete Barras, na fazenda e no meio do nada. Não tinha nada, comecei a ajudar meu pai. Eu fui vender cabo de enxada, plantar pepino, abobrinha, tinha pintinhos, vendia pintinhos, porco. Era dificuldade financeira. Começamos a fazer queijos, mas no volume pequeno, me deram ideia de búfala, éramos avessos, mas mudamos, deu certo e o negócio acabou engrenando, mas isso são 20 anos", conta.

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Jorge ressalta que apesar de ter desistido do futebol por falta de paciência, era bom jogador. A carreira profissional foi de 1988 a 1994 depois de rodar por times menores. "Eu era bom meia, viu?! Mas aqui na empresa minha irmã me ajuda, a gente deu sorte em um segmento que se iniciava, mas ninguém é campeão sozinho, como no futebol. Pelo resultado, acho que fui mais competente como empresário", brincou. 

Dois anos no Fluminense e encontro com ídolos 

Jorge Nakid ficou dois anos no Fluminense, até 1992, jogou contra estrelas e foi treinado por Edinho, hoje comentarista de futebol. Foi campeão da Taça Guanabara de 1991, quando o título do Carioca ficou com o Flamengo. 

"Eu estava no Fluminense e no final de 1991 tínhamos perdido a final do carioca para o Flamengo, era um belo time. Joguei com Bobô, Renato, Ricardo Pinto. Flamengo estava no auge com Júnior, Zinho, Junior Baiano, Paulo Nunes, Djalminha, jogamos contra o pessoal que acabou estourando", disse. 

Quando perguntado pelo melhor jogo da carreira, ele ressalta o Fla-Flu do Campeonato Carioca de 1991. Mas não destacou sua atuação ou do seu time, que perdeu, mas sim da torcida no Maracanã. 

"Fla-Flu de 1991 eu acredito que tinham umas 90 mil pessoas, era a época da geral sem cadeiras. Imagina o barulho de 90 mil pessoas! Só pra quem participou que sabe como é arrepiante". 

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Jorge Nakid no time do Fluminense contra o Vasco
Faltou paciência para esperar dar certo no futebol

"No Fluminense eu era jovem. Se eu tivesse tipo paciência, na minha época quando eu pedi para sair o vice-presidente achou estranho. O passe era meu. É difícil, se tivesse alguém para projetar, era uma coisa, mas o passe era meu. Se eu tivesse tido empresário, ou até acerto do Fluminense, mas tinha medo de ficar preso e não conseguir liberação, porque naquela época não tinha Lei Pelé. Hoje jogador é uma pizza, na minha época não". 

"Em 1994 meu pai acabou mudando para a fazenda, eu acabei me mudando. Acabei jogando mais um tempo, quando ele comprou a fazenda, eu fiquei desanimado, o salário caiu, o tempo passou e meu pai achava que estava velho para o futebol e acabei parando". 

 A ajuda ao treinador da base do São Paulo 

Jorge é amigo de Orlando Ribeiro, técnico do sub-20 do São Paulo. Ele conta que antes do treinador fazer sucesso na base do tricolor, trabalhou na empresa de Nakid como entregador de queijo. 

"Eu joguei com Orlando no Ituano. Ele é treinador do sub-20 do São Paulo. Ele era professor de educação física e disse pra mim que precisava trabalhar. Eu disse que não tinha opção, que o que eu tinha era um Fiorino para fazer entrega de queijo, como motorista. E o Orlando trabalhou comigo fazendo entrega de queijo. Surgiu a oportunidade de ser olheiro em Cotia. Ele assumiu sub-15, sub-17 e há uns 3 anos é do sub-20 do São Paulo. São histórias vitoriosas", contou. 

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