Ex-funcionária do Leeds acusa Federação Inglesa de ignorar caso de machismo

Do UOL, em São Paulo

  • Twitter/lucyjward_

    Demitida em 2015, Lucy Ward trabalhou por 11 anos no Leeds United

    Demitida em 2015, Lucy Ward trabalhou por 11 anos no Leeds United

A Associação de Futebol inglesa (FA, na sigla em inglês) é acusada por uma funcionária de um clube da Premier League de falhar durante a investigação de um escândalo sexista revelado em 2016. Em entrevista publicada pelo jornal inglês "The Telegraph" nesta quinta-feira (10), Lucy Ward afirmou que não foi ouvida após denunciar ter sido alvo de comentários machistas e demitida de maneira injusta, em 2015, pelo então presidente do Leeds United, Massimo Cellino. Ainda assim, à época, a FA publicou que não havia qualquer ação que fosse necessária contra os diretores do clube.

"Eles fizeram uma 'investigação' sem falar com a peça-chave da situação, o que é inédito", declarou Ward, ao jornal. "Eles não investigaram. Se tivessem, eles teriam entrado em contato com meus representantes, que fizeram solicitações a eles e providenciaram o julgamento em 2016. Eles tiveram a sentença legal escrita e ainda não agiram contra os indivíduos que me discriminaram", completou Lucy, que atualmente trabalha como gestora de apoio à educação em um time da Premier League e como comentarista de futebol. 

Em 2018, FA sofreu de acusação semelhante após ser publicado que a atacante Eni Aluko não foi ouvida depois de denunciar ter sido alvo de comentários racistas pelo técnico da seleção inglesa feminina à época, Mark Sampson. 

"Minha motivação para a resolução deste caso é para que não aconteça com mais ninguém. Eu sou filha de alguém, e se suas filhas passassem pelo que passei, elas odiariam. Foi horrível, uma experiência terrível", completou Ward. 

Em 2017, durante um evento de futebol, o presidente da FA, Greg Clarke, foi questionado sobre o caso de Ward, mas admitiu que nunca tinha ouvido qualquer menção sobre o assunto.

Aos advogados de Ward, a FA afirmou que, pela ação judicial ser contra o clube, não poderia tomar qualquer medida punitiva contra os dirigentes diretamente. 

Por meio de nota ao "The Telegraph", a entidade declarou ter investigado o caso de Lucy "de acordo com as regras e regulamentações da FA e considerou todas as evidências disponibilizadas pelos procedimentos do tribunal do trabalho".

"O julgamento do Tribunal do Trabalho foi feito contra o Leeds United F.C., e não contra qualquer dos indivíduos citados. Nessas circunstâncias, e com base nas evidências disponíveis, o mínimo necessário para que a FA tomasse qualquer medida contra pessoas físicas não foi atingido", encerrou a associação. 

Entenda o caso

Ward, que trabalhou no Leeds por 11 anos, ouviu do então presidente, Massimo Cellino, que mulheres não tinham lugar no futebol e que deveriam ficar em quartos ou em clínicas de estética. À época, Cellino demitiu o então técnico do time principal, Neil Redfear, companheiro de Ward. Decidiu, também, desligar a funcionária. 

Em abril de 2016, Ward venceu um processo que movia contra o clube, por discriminação e demissão injusta, e recebeu 290 mil libras (R$ 1,372 milhões, na cotação atual) do Leeds. Na visão do tribunal, o então diretor executivo, Adam Pearson, e o ex-secretário, Stuart Hayton, "tentaram justificar o que fizeram dando evidências evasivas e não confiáveis". Já o presidente, Massimo Cellino, "fez uma suposição sexista e estereotipada de que a carreira de uma mulher não era importante ou menos importante que a de um homem".

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