Topo

Futebol


"Inimigo" do Fla, vice do Cruzeiro já foi grande parceiro rubro-negro

Itair Machado teve relações próximas ao clube carioca na época de Ipatinga - Vinnicius Silva/Cruzeiro
Itair Machado teve relações próximas ao clube carioca na época de Ipatinga Imagem: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Leo Burlá e Thiago Fernandes

Do UOL, no Rio de Janeiro e Belo Horizonte

14/01/2019 04h00

O tom bélico adotado por Itair Machado, vice de futebol do Cruzeiro, sugere que o mineiro é inimigo número 1 do Flamengo. Mas se as negociações por conta da chegada de Arrascaeta ao clube carioca indicaram algum problema entre as partes, o histórico aponta em outra direção.

Ex-presidente do Ipatinga, Machado foi um dos maiores parceiros de negócios com o Fla nos anos 2000, mais especificamente entre 2006 e 2007. Durante este período, o Fla trouxe do time mineiro Walter Minhoca, Diego Silva, Léo Medeiros, Paulinho, Luizinho, Jailton, Leandro Salino, além de Ney Franco e toda sua comissão técnica.

A aproximação entre as partes veio em um momento de grave crise financeira na Gávea, e o encontro foi promovido por Zezé Perrella, então presidente cruzeirense. Vice de futebol à época, Kleber Leite é só elogios a Machado e relembrou os negócios feitos com o diretor.

"Não sei como alguém pode brigar com o Itair, que é uma figura doce, adorável. Estávamos em situação complicada e ele nos ajudou muito. Ele foi um bom companheiro. Ingratidão é algo imperdoável para mim", recordou Leite.

Kleber Liete, ex-vice presidente de futebol do Flamengo - André Luiz Mello/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Kleber Liete, ex-vice presidente de futebol do Flamengo
Imagem: André Luiz Mello/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

As palavras generosas do rubro-negro não combinam com o tom adotado pelo diretor da Raposa durante o imbróglio com o Fla. Ao falar em "aliciamento" e desrespeito às regras, Machado não só abriu fogo como também debochou do rival ao falar que o time não saía do "cheirinho".

"Você, para aliciar jogador dos outros, tem que ter o dinheiro para pagar à vista. O Cruzeiro não é Casas Bahia, não", disse ao jornal "O Globo" na ocasião.

O estilo controverso, inclusive, afastou o dirigente das negociações pelo meia. O escolhido para ir ao Uruguai foi o agente André Cury. Ele teve a incumbência de representar o clube nas tratativas por conta dos ataques constantes de Itair ao representante de Arrascaeta, Daniel Fonseca, e ao CEO do Fla, Bruno Spindel.

Mesmo que tenha utilizado a estratégia da provocação, o dirigente acabou cedendo em alguns pontos. Ele havia exigido o perdão de dívidas pelas aquisições de Mancuello, Gonzalo Latorre e do próprio Arrascaeta. As solicitações, no entanto, não foram atendidas. O valor negociado foi de 15 milhões de euros (R$ 63,7 milhões), o maior da história do futebol brasileiro.

 Arrascaeta assinou com o Flamengo um contrato até 2022. Até então, a compra mais cara efetivada por uma equipe brasileira havia acontecido com o atacante Tévez. Para contratar o jogador em dezembro de 2004, o Corinthians pagou cerca de R$ 60 milhões.

O Cruzeiro receberá 8,5 milhões (R$ 35,7 milhões) de euros pelos 25% que tem sobre o jogador. A outra parcela, que pertence ao Supermercados BH, foi negociada por 4,5 milhões de euros (R$ 18,9 milhões). Os outros 2 milhões (R$ 8,4 milhões) ficarão com o Defensor, ex-clube do atleta, e com agentes do jogador, que possuem 25%. Segundo apurou o UOL Esporte, André Cury ainda receberá uma comissão pela venda.

Mais Futebol