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Súmula da Série A3 de SP cita ameaça de morte; dirigente fala em retaliação

Olímpia empatou com Taboão, mas presidente do time da casa se irritou com arbitragem - CA Taboão da Serra/Divulgação
Olímpia empatou com Taboão, mas presidente do time da casa se irritou com arbitragem Imagem: CA Taboão da Serra/Divulgação

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

12/02/2019 15h33

O Olímpia recebeu o Taboão da Serra no último domingo (10), em jogo pela sexta rodada da Série A3 do Campeonato Paulista, e empatou por 1 a 1. Lanterna, o Olímpia conquistou seu primeiro ponto na competição graças ao resultado. Mas o presidente da equipe, Antônio Delomodarme, não tinha muito o que comemorar após o apito final.

Irritado, o dirigente cobrou a arbitragem após a partida. Segundo a súmula no site da FPF, "a equipe de arbitragem foi ofendida pelo presidente da equipe do Olímpia Futebol Clube, senhor Antônio Delomodarme, que proferiu as seguintes palavras: "Seus vagabundos, seu bandeira de m.... Um dia vai morrer árbitro aqui".

"Após o ocorrido, com a equipe de arbitragem já no vestiário, o mesmo adentrou as dependências do vestiário da arbitragem e, contido por duas pessoas não identificadas e o fiscal da FPF, prosseguiu com as ameaças, desta vez diretamente ao árbitro assistente número um, senhor Claudenir Donizeti Gonçalves da Silva: 'Seu filho da p...! Já é a segunda vez que você vem aqui prejudicar a gente, já avisei o (Ednílson) Corona que um dia vão matar árbitro aqui, vou contratar uns 50 negos aqui da vila para matar árbitro qualquer dia'. A todo instante que insultava e ofendia, ele era contido por essas duas pessoas não identificadas (...)", registra o documento. Ex-auxiliar, Ednílson Corona é o atual presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF).

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Principal alvo da fúria do dirigente, o assistente Claudenir Donizeti Gonçalves da Silva também relatou o incidente na súmula. Segundo ele, Delomodarme "adentrou as dependências do vestiário e (...) começou a me ofender e ameaçar".

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Imagem: Reprodução

Procurado pelo UOL Esporte, Antônio Delomodarme confirmou o desentendimento com o trio de arbitragem. Segundo Niquinha, como é conhecido, Claudenir Donizeti Gonçalves da Silva não tem "condições" físicas e técnicas de arbitrar partidas. No entanto, o presidente do Olímpia negou com veemência que tenha feito qualquer ameaça à arbitragem do jogo.

"Fui ver o bandeira pesado e disse: 'vocês da arbitragem vivem prejudicando a gente, dentro e fora de casa, e a Federação (Paulista de Futebol) insiste em mandar você. Vai se cuidar primeiro, vai se preparar'. Esse tipo de coisa. Eu estou cansado de ser roubado. Eles dizem que eu ameacei. Tem coisa que eu falei mesmo. Disse que são sem-vergonha mesmo, mal-intencionados", defendeu-se o dirigente por telefone, afirmando que não fez as ameaças contidas na súmula.

"Logico que não. Eu falei assim: 'Você tinha que apanhar de cinta para ver se você aprende'. Isso eu falei. Porque criança, quando fazia arte, tomava uma cintadinha na bunda e aprendia o caminho certo. Mas sem matar ninguém. Eu sou uma pessoa benquista aqui em Olímpia, sou presidente da Câmara (de Vereadores). Tenho responsabilidades demais para falar uma coisa dessas", acrescentou.

"Olímpia vem sendo prejudicado pela arbitragem"

Para o presidente do Olímpia, o clube tem sido prejudicado com recorrência pelas arbitragens na Série A-3 do Campeonato Paulista. O registro na súmula, por outro lado, seria fruto de corporativismo por parte dos árbitros da competição.

"É o seguinte: o Olímpia Futebol Clube vem sendo prejudicado em todos os jogos do campeonato pela arbitragem. Eu já reclamei com o presidente da comissão de arbitragem da federação", disse.

"Estamos sendo prejudicado em todos os jogos, fora e dentro de casa. Domingo, o juiz deixou de dar dois pênaltis. O Olímpia Futebol Clube vem sendo prejudicado. Vai indo, vai indo, e a gente chegou no limite de ser prejudicado pela arbitragem", acrescentou, indo além.

"Não fui com ameaça nem nada. O que eles escrevem na súmula parece que tem fé pública. Eles são corporativistas. As mentiras que eles escrevem viram verdades. A verdade que a gente fala é uma mentira. É isso aí, o futebol brasileiro está acabando, está indo para o fundo do poço, por causa desse tipo de arbitragem. Eles não são ruins, são mal-intencionados", reforçou.

Mas a quem interessaria prejudicar o Olímpia? Niquinha não faz acusações diretas, mas insinua que as reclamações recorrentes que faz "por falar demais" estariam gerando insatisfações. E promete: caso seu time seja rebaixado para a quarta divisão do Campeonato Paulista, vai recorrer aos tribunais.

"Eu sou um presidente que não me calo. Se eu achar que está errado, eu falo. A verdade tem que ser dita. Você sabe que a verdade dói no Brasil. Às vezes, as pessoas não gostam de ouvir as verdades. Não pode falar as verdades. É retaliado, tem retaliação. Eu não fico quieto, eu falo. Vou para a Justiça comum, não estou nem aí. Se o Olímpia cair, vou entrar contra a arbitragem e contra a FPF por compensação esportiva e financeira", discursou.

Por fim, Delomodarme afirmou não temer uma ação da FPF ou dos árbitros na Justiça. "Eles só carregaram a súmula, falando essas besteiras aí. Os corporativistas vão testemunhar a favor, são tudo da mesma cambuia", critica. "Mas, até agora, não chegou nada. Não ameacei ninguém. Tinha policial presente, viu que não falei nada disso. Eles (árbitros) já ouvem (da torcida) o nome de ladrão quando estão apitando - o que eles merecem. Se tiver (processo) também, vamos responder e provar o contrário", completou.

Procurado pela reportagem, o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), Antonio Assunção de Olim, afirmou que o caso será julgado na próxima segunda-feira (18), às 17h30. O Olímpia volta a campo nesta quarta-feira (13), quando visita o Velo Clube às 20h (horário de Brasília).

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