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Ex-promessa do Santos, Patito vira reserva de luxo em sensação portuguesa

Reprodução/Instagram
Patito Rodriguez em lance com Militão no jogo Moreirense x Porto Imagem: Reprodução/Instagram

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

2019-02-17T04:00:00

17/02/2019 04h00

Enquanto Éder Militão tentava arrancar pela direita, uma figura conhecida do futebol brasileiro, que havia entrado com todo gás nos minutos finais, corria para tentar bloqueá-lo. Fez de tudo um pouco, recebeu cartão amarelo em seguida, mas não conseguiu apenas impedir o empate do Porto por 1 a 1 aos 47 do segundo tempo. Hoje, atuando no modesto Moreirense, Patito Rodríguez ainda tenta se afastar da pecha de eterna promessa.

Na manhã seguinte, ao analisar a sua atuação, o jornal Record resumiu apenas com o comentário "mais velocidade" e lhe atribuiu a nota 2 em uma escala em que cinco é a maior delas.

Hoje, com 28 anos, o argentino virou praticamente um peregrino, tendo rodado ao todo por seis países diferentes até aqui: além de sua própria terra natal, passou por Brasil, Malásia, Grécia, Austrália e agora Portugal.

Nunca mais foi o mesmo Patito que, em seu início de carreira com o Independiente, despontava como promessa, conquistou o título da Copa Sul-Americana e seduziu o Santos a pagar R$ 2,5 milhões em julho de 2012 para reuni-lo com Neymar e companhia.

Divulgação/Santos FC
Argentino Patito Rodriguez ao lado de Robinho em treino do Santos Imagem: Divulgação/Santos FC

Naquela altura, o meia-atacante tinha o mundo aos seus pés, com um salário estimado na época de cerca de R$ 270 mil mensais e que ocupava a parte de cima da folha salarial alvinegra na Vila do Belmiro. As mordomias, no entanto, ficaram para trás e passam longe de sua realidade atual em Moreira dos Cónegos, um vilarejo pacato no norte de Portugal, que possui 5 mil habitantes e pertence ao concelho de Guimarães.

Para se ter uma ideia, o seu estádio tem capacidade para 6 mil pessoas, superior à população da cidade, e costuma encher somente quando o vizinho Porto ou outro dos grandes vem visitá-lo.

A grana, por sua vez, também é muito mais curta, o que obrigou Patito a deixar para trás o padrão que gozava em sua passagem pelo Santos e aceitar hoje um vencimento mensal que não supera os 10 mil euros (R$ 40 mil). A média da Liga NOS, fora das equipes tradicionais, gira em torno de 5,5 mil euros (R$ 22 mil).

É um outro patamar, mas que não o tem impedido de contribuir preponderantemente como uma espécie de reserva de luxo na surpreendente campanha do Moreirense, sensação local que ocupa a quinta colocação na tabela, imediatamente atrás dos mais poderosos Porto, Benfica, Sporting e Braga. O seu técnico Ivo Vieira é tido como o de melhor trabalho no futebol português nesta temporada.

Em paralelo a isso, chama a atenção a qualidade do futebol, que serviu para bater o Benfica em Lisboa e segurar o Porto dentro de casa.

Até aqui, Patito mostrou muito mais transpiração do que inspiração, tendo sido acionado em 12 dos 25 compromissos do Moreirense. Em oito deles, entrou vindo do banco de reservas e foi titular em outros quatro. Ele não começa uma partida desde a derrota de 4 a 3 para o Porto, pela Taça de Portugal, em 18 de dezembro.

Com uma rotina pacata ao lado de sua família, o camisa 21 tem mais uma temporada de contrato em Moreira dos Cónegos antes de decidir se ficará em Portugal ou desbravará atrás de mais um país em sua carreira.

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