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Por que diretor que dividiu fãs na Roma agita mercado e é alvo do Arsenal

Quality Sport Images/Getty Images
Diretor esportivo e ex-goleiro, Monchi rescindiu com a Roma Imagem: Quality Sport Images/Getty Images

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

2019-03-10T04:00:00

10/03/2019 04h00

Monchi mal deixou a Roma, e a imprensa europeia já o aponta como alvo do Arsenal. O diretor esportivo já havia transformado o Sevilla em referência no mercado de transferências, feito apostas virarem ouro e reerguido a esperança da torcida. No entanto, no clube italiano, com o qual rescindiu nesta semana, a história foi mais curta e menos gloriosa.

Após agradar e desagradar a gregos, troianos e romanos que torcem pela Roma, o ex-goleiro espanhol Ramón Rodríguez Verdejo, o "Monchi" que tanto conhece o mundo das transferências, agora vê a si próprio como um dos personagens do mercado da bola e o histórico pelo Sevilla é o que mantém em alta na Europa.

17 anos de sucesso no Sevilla

Aitor Alcalde Colomer/Getty Images
Imagem: Aitor Alcalde Colomer/Getty Images

Monchi se tornou diretor do Sevilla em 2000, após o rebaixamento para a segunda divisão do Espanhol. Não se tratava de uma simples queda: o clube terminou o campeonato daquele ano na lanterna e com 10 pontos a menos que o Atlético de Madri, penúltimo colocado.

Portanto, o cenário era de uma casa endividada que precisava ser reorganizada. Ele deveria ajudar a desenvolver a base do Sevilla e implantar um sistema de observação de talentos dentro e fora da Espanha. Em resumo, reconstruir uma equipe sem grandes cifras.

Jesús Navas e Sergio Ramos são dois dos espanhóis descobertos graças ao trabalho de Monchi, que era fã do futebol brasileiro e logo veio ao Brasil para observar atletas que se tornariam ídolos do Sevilla, como o lateral Daniel Alves e o atacante Luis Fabiano.

Eram jogadores relativamente jovens, baratos e com estilos de jogo que poderiam funcionar no coletivo que o clube montava. Em 2011, Monchi buscou Rakitic no Schalke 04 por 2,5 milhões de euros; três anos depois, vendeu o croata ao Barcelona por 18 milhões de euros.

Não por acaso, o jornal inglês "Guardian" o chama de "Transfer Wizard" (O "Mago das Contratações").

O Sevilla viveu 17 anos de luxo com ele no cargo: foram 10 títulos de 2000 a 2017, começando pela segunda divisão de 2000/2001 e incluindo cinco edições da Liga Europa (2005/2006, 2006/2007, 2013/2014, 2014/2015 e 2015/2016).

Roma sem Alisson, Salah e taças

Matteo Ciambelli/NurPhoto via Getty Images
Imagem: Matteo Ciambelli/NurPhoto via Getty Images

É preciso ser objetivo: Monchi passou pela Roma sem títulos. Seu melhor resultado foi alcançar a semifinal da Liga dos Campeões 2017/2018 - com feito heroico, vale ressaltar, já que esta vaga foi conquistada com virada histórica sobre o Barcelona.

No entanto, muitos críticos não aprovaram a venda do goleiro Alisson para o Liverpool. Especialmente se considerarmos que a Roma já havia negociado Mohamed Salah para o mesmo clube inglês, onde o egípcio logo se tornou referência.

Tratado como um "pequeno príncipe" da Roma, Zaniolo, de 19 anos, foi uma aposta aparentemente certeira de Monchi. A promessa custou apenas 4 milhões de euros como parte da negociação que vendeu Nainggolan para a Inter de Milão por 38 milhões de euros.

Por outro lado, a própria saída de Nainggolan é um dos fatores que incomodam os críticos do dirigente. Há de se levar em conta o fato de que estas transferências cumpriram pelo menos uma categoria no histórico de Monchi: dinheiro em caixa e saúde financeira.

Porém, se a temporada anterior da Champions League impressionou, a atual decepcionou com eliminação nas oitavas para o Porto. Para piorar, a humilhante derrota por 7 a 1 para a Fiorentina, nas quartas de final da Copa da Itália, abalou ainda mais a relação.

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