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Advogados de famílias de vítimas dizem que não foram procurados pelo Fla

Thiago Ribeiro/AGIF
Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Do UOL, no Rio de Janeiro

2019-03-19T16:54:50

19/03/2019 16h54

Os advogados Mariju Maciel, Arley Carvalho e Paula Wolff, representantes das famílias de Christian Esmério, Gedinho, Pablo, Jorge Eduardo, Arthur, Samuel e Rykelmo, todos eles vítimas do incêndio do Ninho do Urubu, convocaram uma entrevista coletiva e informaram que o Flamengo não fez contato ainda para negociar a questão da indenização.

"O Flamengo disse que está em negociação com nove familiares. Nós representamos sete e até agora não fomos chamados. Ninguém foi procurado. O que queremos é que se resolva. Se for administrativamente, ótimo. Para isso, é preciso abrir conversa", afirmou Carvalho.

"Queremos passar o que o Flamengo não tem feito. São 40 dias e o Flamengo vem fazendo o inverso do que tem passado para a mídia. Doloroso representar os familiares nessa condição. Falta de atenção e carinho com que estão sendo tratados. Como advogados, fomos, pelo presidente Landim, pessoas que estariam aflorando uma imposição. Nós estamos é dando o suporte que o clube deveria e não vem fazendo", completou o advogado.

Paula Wolff afirmou que os pais fizeram vídeos que comprovariam a situação, já que a data está registrada neste material:

"Um dos motivos dessa entrevista foi para esclarecer que as famílias não estão sendo chamadas. Gravamos depoimentos dos pais, datados, dizendo que o clube não entrou em contato. Da forma que foi colocado pelo presidente do Flamengo, parece que só não houve acordo por causa dos advogados".

Outra advogada do grupo, Mariju Maciel, foi ainda mais incisiva. Ela disse que o Flamengo mente ao revelar negociação com nove famílias. A advogada ainda questiona que empresas gostariam de vincular sua marca a um clube que tem atuado desta maneira nos bastidores.

"O maior objetivo é deixar claro que não estamos em luta com o Flamengo. Estamos em luto com as famílias. O objetivo principal é que a população saiba a verdade. Não existe negociação com nove famílias, como diz o Flamengo. Tenho dúvida sobre qual patrocinador gostaria de vincular sua marca ao clube. Tivemos a notícia de que o ar-condicionado tinha pegado fogo. Se não foi esse o aparelho da tragédia, vai ser apurado. Mas não podiam estar dormindo lá. As famílias estão abertas a conversas, a um acordo. Quem tem por obrigação procurar é o Flamengo. As famílias não foram causadoras. Não há resistência dos advogados. Ainda não existe o acordo. Mas foi iniciativa dessas famílias. O Flamengo só falou através do tribunal", completou Mariju.

O Fla fez acordo com uma das famílias até o momento, mas o nome foi preservado por razões de segurança. O clube sustenta, sem entrar em detalhes, que a oferta feita é muito maior do que casos similares renderam aos parentes.

Segundo o trio, seus querem que as conversas partam dos valores sugeridos pelo Ministério Público para cada vítima: R$ 2 milhões e R$ 10 mil mensais até que o atleta completasse 45 anos.

Em nota, o clube desmentiu os representantes legais dos familiares. Confira a íntegra:

Em primeiro lugar, o Clube de Regatas do Flamengo esclarece que, diferentemente do que afirmaram os três advogados, jamais afirmou estar negociando com nove famílias. O clube reafirma que já fechou acordo com uma família e negocia com três. E segue aberto para novas negociações. Vale esclarecer que a advogada da família do atleta Rykelmo é a Doutora Gisleine Nunes, que já se reuniu com o corpo jurídico do clube.

Quanto à afirmação de que o clube não procurou as sete famílias representadas pelos três advogados para negociar, o Flamengo lembra que em reunião no Tribunal de Justiça, no dia 21/2/2019, os advogados não concordaram com os termos propostos e encerraram as conversas.

Também diferentemente do que foi dito pelos advogados, o Flamengo vem dando sim todo apoio material e psicológico às famílias dos atletas que se encontravam no Centro de Treinamento George Helal no dia do incêndio (8/2/2019) que vitimou dez jovens.

Nestes 39 dias, o clube procurou estar sempre ao lado das famílias dos atletas, dando suporte financeiro e psicológico. Todas as despesas com transporte, alimentação e hospedagem ficaram a cargo do clube, que não mediu esforços para atender a todas as demandas.

Durante todo o período no qual os três atletas que se feriram permaneceram hospitalizados, o clube manteve um responsável para cuidar da logística dos familiares, além de um médico para acompanhar todos os procedimentos no hospital. A hospedagem e a alimentação dos parentes também ficaram a cargo do clube.

Somente com passagens aéreas e hospedagem de parentes, advogados e empresários dos jogadores o Flamengo gastou até o momento R$ 222.580,30. Nesta quantia está incluído o fretamento de um avião para agilizar os sepultamentos dos casos em que a logística era mais complicada.

Vale registrar que o Flamengo continua dando uma ajuda de custo mensal de R$ 5 mil para as nove famílias que ainda não acertaram as indenizações. Em relação aos 16 atletas sobreviventes, o clube já fechou acordo com 13 famílias e está em negociação com as três restantes.

O clube também já prestou inúmeras homenagens aos atletas, quase todas devidamente registradas pela imprensa, entre elas a missa de sétimo dia, a missa de um mês, além do luto em todos os esportes até o fim de 2019. A homenagem realizada antes do Fla-Flu do dia 14 de fevereiro, no Maracanã, foi toda organizada e custeada pelo clube. Além disso, em todos os sepultamentos havia um representante do clube.

Mais uma vez o Flamengo reitera que continua à disposição das famílias para que tudo seja resolvido o mais rapidamente possível.