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Paulista - 2019


Zago explica sucesso do Red Bull no Paulista e promete atacar o Santos

Divulgação/Red Bull Brasil
Imagem: Divulgação/Red Bull Brasil

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

2019-03-23T04:00:00

23/03/2019 04h00

Melhor ataque do campeonato (19 gols), 75% de aproveitamento, invencibilidade diante dos grandes e um feito que não acontecia desde 2008 no Paulistão: um time pequeno encerrar a primeira fase na liderança, algo que o Guaratinguetá conseguiu pela última vez. É com este cenário que o Red Bull, do técnico Antônio Carlos Zago, chega para enfrentar o Santos no primeiro jogo das quartas de final do Estadual, hoje, no Pacaembu, às 19h30.

Mas o que tem dentro desse Red Bull para a realização de uma campanha tão surpreendente? O UOL Esporte conversou por telefone com o treinador dois dias antes de um dos jogos mais especiais de sua carreira na função, iniciada há quase dez anos, no São Caetano, e renovada recentemente após um ciclo de trabalhos na Europa. E a resposta gira em torno de algo essencial no futebol: o planejamento que deu certo.

"A gente trabalhou desde o ano passado na busca de jogadores que se encaixassem naquilo que nós pretendíamos como jogo este ano, e acabamos acertando. Foram jogadores escolhidos a dedo que assimilaram muito rápido a proposta que foi passada a eles em relação ao que queríamos como jogo. Acho que isso aí foi a chave de tudo. Acertar nas contratações e jogadores que, acima de tudo, estão ajudando no desenvolvimento dos mais jovens, já que a política do clube também é trabalhar com as categorias de base", disse o técnico do Red Bull, que caiu no grupo mais complicado da primeira fase, pelo menos a julgar pelos números finais.

Fernando Santos/Folha Imagem
Imagem: Fernando Santos/Folha Imagem
"Nosso primeiro objetivo era classificar. Isso foi acontecendo durante o campeonato, e durante o campeonato também começamos a ver que poderíamos tentar um algo a mais, ficar entra os quatro melhores colocados. Queira ou não queira, nós caímos, na minha opinião, no grupo mais difícil que teve: Santos, Red Bull, Ponte Preta que, na minha opinião, se não fosse o regulamento poderia estar classificada também, e o São Caetano, em que as coisas não encaixaram. A gente foi pegando gosto pelo campeonato, pelas vitórias. É importante os jogadores terem essa mentalidade vencedora, como nós estamos batalhando aqui desde o início, e isso foi facilitando para que a gente conseguisse essa primeira colocação na classificação geral", acrescentou.

O sucesso pós-planejamento, porém, não é alcançado sem trabalho e uma estrutura que lhe permite executar o que tem em mente. E este, para Antônio Carlos, é outro ponto chave para a boa campanha do Red Bull: "Chego no clube de manhã, saio à noite, até pela estrutura que temos, então a gente vem trabalhando bastante com os profissionais que temos no clube, e tem tudo para você desfrutar e fazer sempre o melhor, para a sua carreira e para o clube".

Período sabático na Europa: "ajuda bastante"

Depois iniciar a carreira de técnico na metade de 2009, no São Caetano, Zago acumulou passagens por Palmeiras, Grêmio Barueri, Mogi Mirim, Vila Nova e Audax. Os principais resultados, porém, começaram a surgir depois de um período na Europa em que fez cursos para treinador e trabalhou como auxiliar na Roma, da Itália, onde atuou por um bom tempo como jogador (entre 1998 e 2002), e no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

Divulgação/Shakhtar Donetsk
Antônio Carlos Zago trabalhou como auxiliar do Shakhtar Donetsk Imagem: Divulgação/Shakhtar Donetsk
"Ajuda bastante no crescimento até porque tive a oportunidade de fazer os cursos da Uefa. Eu trabalhei três anos como auxiliar praticamente aprendendo. No Shakhtar eu viajava junto com outro auxiliar para ver os adversários da Champions League, e isso vai fazendo com que você cresça cada vez mais. É uma experiência incrível", contou Zago, animado pela experiência.

"Por exemplo, a gente jogou contra o Manchester [United]. Nosso jogo era na terça, e o Manchester jogava sábado pelo Inglês, e viajávamos na sexta e passávamos todo esse tempo analisando, trocando ideias, conversando com pessoas do mundo do futebol, e isso aí acrescenta muito. Foi um período muito bom e, agora, depois que voltei. A vida é um aprendizado. Sempre tive vontade de aprender. E tem que procurar sempre melhorar, e dessa maneira que eu encaro a minha profissão", acrescentou o comandante de 49 anos.

Trabalho já começou a dar resultado desde o começo

Antônio Carlos Zago foi anunciado como novo técnico do Red Bull em setembro do ano passado. Sua primeira missão era levar o time ao G-4 da tabela e mantê-lo vivo na Copa Paulista. Conseguiu, com três vitórias e um empate, e assim classificou a equipe para a segunda fase. Nela, obteve dois triunfos, três igualdades e uma derrota, resultados que levaram o Red Bull para as quartas de final da competição. Em seguida, eliminou o Mirassol, mas parou na semifinal diante da Ferroviária após derrota em casa (2 a 0) e empate (2 a 2) fora, com um a menos.

AP Photo/Felice Calabro
Imagem: AP Photo/Felice Calabro
"Paramos na semi para a Ferroviária. Perdemos em casa, acho que o pior jogo que fizemos, e fomos em Araraquara e com 20 minutos já estávamos ganhando de 2 a 0. Aí acabamos perdendo um jogador e aí foi tudo por água abaixo e ficamos fora. Mas já vínhamos trabalhando em cima de alguns jogadores que a gente achava que poderia chegar aqui e ajudar no crescimento dos jogadores mais jovens e do clube, e graças a Deus a gente acabou acertando", afirmou o ex-zagueiro de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, entre outros.

"O elenco mudou uns 40, 50% para esse ano. Todos os jogadores que chegaram esse ano, começaram a treinar esse ano mesmo", afirmou o treinador do Red Bull, que teve alguns dos destaques deste Paulistão contratados para esse ano, como o vice-artilheiro do time Roberson - com três gols -, o lateral esquerdo Rafael Carioca e o lateral direito Aderlan.

Ao ataque contra o Santos: "não tem porque mudar agora"

O Red Bull ainda não sabe o que é perder para times grandes nesse Campeonato Paulista. O resultado mais surpreende foi uma vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians, em plena Arena do adversário, em Itaquera. Além disso, empatou com São Paulo, por 0 a 0, no Morumbi, e Palmeiras, por 1 a 1, em Campinas. Diante disso, Zago diz não ter dúvidas de qual será a estratégia para pegar o Santos: ao ataque.

"Não tem porque mudar agora. Deu certo contra os outros três grandes e temos que manter o trabalho, independente do que aconteça. O clube está vivendo esse momento com muita alegria e alegria é você tentar fazer alguma coisa diferente, é você colocar seus jogadores para jogar, é isso que a gente procura passar para eles", disse o técnico que, assim como o torcedor do clube fundado em 2007, sonha em repetir os feitos dos times de fora da capital que alcançaram a final do Estadual nos últimos anos, como Ponte Preta (2017), Audax (2016) e Ituano (2014, campeão).

Ricardo Duarte/Divulgação Inter
Imagem: Ricardo Duarte/Divulgação Inter
"A gente, dentro de campo, tem que fazer de tudo para competir com essas grandes equipes sabendo, é lógico, que o investimento é totalmente diferente. É uma sensação de um quase dever cumprido nessa primeira fase, mas sonhando em chegar cada vez mais longe. Passar pelo Santos, pela semifinal e, quem sabe, disputar uma final do Campeonato Paulista, que seria a coroação de tudo", acrescentou o comandante do time de apenas 11 anos de história.

Com DNA ofensivo, o Red Bull encontrará pela frente um time e um técnico que pensam da mesma forma. Até por isso, a expectativa é de dois jogos abertos - o duelo de volta contra o Santos está marcado para terça-feira (23), às 20h, no Moisés Lucarelli, em Campinas.

"Eu espero que sejam dois grandes jogos, por tudo que as equipes fizeram até aqui. Às vezes as duas equipes jogam muito bem, mas acabam se enroscando. Mas espero que não, que as duas equipes joguem do mesmo jeito e procurem propor o jogo como propuseram até agora", disse.

Fã do trabalho de Sampaoli, Zago destacou a qualidade do técnico argentino que, segundo ele, transformou o Santos da quarta força de São Paulo para a grande sensação do Paulistão.

"Do outro lado, na minha opinião, tem um p. de um treinador, é um cara que acompanho desde a Universidad de Chile, depois fez um belo trabalho na seleção chilena, no Sevilla também muito bem e deu m... na seleção argentina porque os jogadores estavam cada um de um lado, estava tudo quebrado. Agora, no Santos, em pouco tempo, da quarta força passou a ser a sensação do campeonato. Então temos que enaltecer o trabalho dele porque fez, em pouco tempo, o Santos jogar um futebol bonito, e agora, contra eles, é tentar fazer de tudo para chegar à semifinal. Seria importantíssimo na história do clube, inédito também se chegar à semifinal, e vamos trabalhar para isso. O Santos tem uma excelente equipe, e nosso time também vem apresentando um bom futebol, e eu espero que sejam dois grandes jogos", completou.