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Sem Champions, sem Copa de 2002. Zé Roberto cita frustrações da carreira

Zé Roberto veste óculos da Stepper Eyewear, marca responsável por viabilizar a entrevista com o UOL Esporte - Rodrigo Dod / Excalibur
Zé Roberto veste óculos da Stepper Eyewear, marca responsável por viabilizar a entrevista com o UOL Esporte Imagem: Rodrigo Dod / Excalibur

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

31/03/2019 04h00

Não é fácil escolher o ano em que o atleta Zé Roberto viveu o auge de sua extensa carreira como jogador de futebol. Mas 2002 certamente está entre eles. Foi quando o meio-campista brasileiro ajudou a levar o Bayer Leverkusen à melhor campanha de sua história na Liga dos Campeões - só parou na final ao perder por 2 a 1 para os "galácticos" do Real Madrid. Ainda assim, o ídolo aponta este momento como o mais frustrante de sua vida profissional.

Em entrevista ao UOL Esporte, o ex-jogador - que hoje exerce a função de assessor técnico do Palmeiras - explica os motivos de o ano, mesmo histórico para o Bayer Leverkusen, ter ficado marcado negativamente em sua carreira: o vice da Liga dos Campeões depois de chegar tão perto da taça e a não convocação para a Copa do Mundo de 2002 por Luiz Felipe Scolari.

Hermann J. Knippertz/AP
Imagem: Hermann J. Knippertz/AP
Titular absoluto do time alemão, Zé Roberto não pôde jogar a grande final por conta do terceiro cartão amarelo recebido na segunda partida da semifinal, contra o Manchester United. Portanto, viu das tribunas do Hampden Park, em Glasgow, na Escócia, o show do Real Madrid de Zidane que, naquela noite, fez, de voleio, um dos gols mais marcantes de sua história dentro das quatro linhas.

Curiosamente, a decisão da Champions League, disputada em 15 de maio de 2002, aconteceu cerca de uma semana depois da divulgação da lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo por Felipão. Apesar da expectativa pela ótima fase que vivia no Bayer, Zé Roberto acabou preterido.

"Eu tive duas frustrações naquele ano: não ter ganhado o título [da Champions League] tendo feito, de repente, a melhor campanha do clube na história, e não ter ido para a Copa do Mundo de 2002".

Na temporada seguinte, Zé Roberto acertou com outro time alemão, o gigante Bayern de Munique, onde ficou por seis temporadas e faturou boa parte dos títulos da carreira: quatro edições da Bundesliga, três da Copa da Alemanha, e dois da Copa da Liga alemã. Conquistas que, aos poucos, foram ajudando a diminuir a enorme frustração do ano de 2002 - apesar de não ter faturado a Liga dos Campeões.

Ben Radford;
Imagem: Ben Radford;
"Foi um ano difícil para mim, mas ao mesmo tempo desafiador, e essas frustrações me deram uma força ainda maior pra ir em busca de outros objetivos: da Copa, a qual, no ano seguinte, quando cheguei ao Bayer de Munique, vendido pelo Leverkusen, consegui o 'doble' que eles falam - campeão da Copa da Alemanha e da Bundesliga -, algo que eu buscava há quatro anos pelo Leverkusen."

"E a partir desse ano que cheguei no Bayern comecei a buscar meu espaço, tamanha era a concorrência na seleção brasileira, uma geração de muito talento, e era difícil ser convocado naquela época, imagina ser titular. Então foi um ano que ao mesmo tempo foi frustrante, mas que o ano seguinte me deu novas forças e fui em busca dos meus objetivos, e fui alcançando", acrescentou Zé Roberto, que já havia disputado o Mundial de 1998, na França, e voltaria a ser convocado para a seleção quatro anos depois, na Copa da Alemanha, em 2006.

VEJA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA

Nova geração: Paquetá, David Neres, Vinicius Junior...

São jogadores novos que estão tendo a oportunidade de jogar em grandes clubes e com essa possibilidade de poder ser convocado para a seleção brasileira. É uma nova geração que está vindo e acho que é muito positivo até porque o Brasil precisa sempre renovar, dar a oportunidade e buscar esses novos talentos que hoje jogam em grandes clubes na Europa. O Brasil sempre teve essa tradição de exportar para esses jogadores terem um crescimento profissional dentro desses clubes, e agregando sempre para nossa seleção.

Os favoritos para vencer a Champions League 2018/19

Das oito equipes que vão disputar essa próxima fase eu apontaria dois times como grandes favoritos para conquistar essa Champions: Barcelona e Juventus. E eu vejo a Champions, a cada ano que passa, não tendo muita surpresa, mas os clubes com tradição e que fizeram as melhores contratações - ou que mantiveram seus jogadores - chegando nas finais, que foi o caso do Real Madrid que conseguiu manter o time durante anos e chegar a três finais de Champions seguidas, e sendo campeão. E o Barcelona tem um padrão de jogo muito diferenciado das demais equipes que disputam essa competição.

Onde é mais ídolo? Bayern de Munique ou Bayer Leverkusen?

Stuart Franklin/Getty Images
Imagem: Stuart Franklin/Getty Images
Eu joguei quatro anos no Bayer Leverkusen, que foi o meu primeiro clube [na Alemanha], e seis anos no Bayern de Munique, que foi o clube pelo qual atuei mais tempo durante a minha carreira, então me sinto um ídolo dos dois clubes, como também do próprio Real Madrid, em que joguei quase um ano. E quando tem jogo eles sempre me convidam. É importante você manter essa relação por aquilo que você deixou de positivo nos clubes, por você ainda, pós carreira, poder ter esse contato e estar com a sua imagem vinculada no clube por aquilo que você representou. Isso é muito importante.

O que a Champions League representa?

A Champions League, com certeza, é a maior competição que existe hoje no futebol, claro que depois de uma Copa do Mundo. É uma competição em que você consegue ver grandes clássicos, mundialmente conhecida por equipes mundialmente conhecidas, que você consegue ver uma final sendo jogada em fase de grupos onde você vê um Bayer de Munique jogando contra um Liverpool, ou um Real Madrid jogando contra um Arsenal, e só a Champions League dá essa possibilidade para todos nós que somos amantes. Então, você jogar uma Champions League, você ter o privilégio de jogar uma Champions League e vivenciar essa atmosfera, vivenciar esses clássicos, é um privilégio que todo atleta profissional teria que ter.

Função de assessor técnico no Palmeiras

A minha rotina pós carreira, assumindo o cargo de assessor técnico no Palmeiras, praticamente são os horários de treinamento do time profissional, até porque o cargo de assessor técnico é o elo entre a diretoria e os jogadores e comissão técnica, e diretamente ligado também com a base, fazendo a transição. No ano passado, estive junto com o sub-17 no Mundial de Clubes, tive envolvido também com o sub-20 em alguns torneios, então a gente faz essa transição no sentido de ver jogos, treinos e passar um conteúdo dos atletas que estão se destacando para a comissão técnica quando se tornar necessário subir esses garotos para treinar e serem observados pela comissão técnica.

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