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Caso Daniel


Condenado por tráfico, dono de moto de Brittes depõe e nega conhecer o réu

Juninho Riqueza e a mulher Cristiana Brittes em foto com moto apreendida pela polícia - Reprodução/Instagram
Juninho Riqueza e a mulher Cristiana Brittes em foto com moto apreendida pela polícia Imagem: Reprodução/Instagram

Dimitri Valle e Karla Torralba

Do UOL, em São José dos Pinhais e em São Paulo

01/04/2019 10h43Atualizada em 01/04/2019 15h00

Celso Alexandre Pacheco de Quevedo, condenado por tráfico de drogas, foi o primeiro a depor no início da segunda fase da audiência de instrução do caso Daniel hoje (01), no fórum de São José dos Pinhais-PR. Quevedo é o dono da moto que estava com Edison Brittes, apreendida pela polícia durante as investigações sobre a morte do jogador. Ele negou conhecer o réu.

A testemunha foi convocada pelos advogados de defesa de Edison Brittes Júnior, que confessou ter matado Daniel no final de outubro, para que a relação entre Brittes e o Quevedo fosse "esclarecida". A moto modelo CBR 1000, ano 2011, que estava em nome de Quevedo era ostentada por Juninho Riqueza e sua mulher Cristiana Brittes nas redes sociais.

Celso Alexandre de Quevedo está preso por tráfico de drogas e foi deslocado para o fórum de São José dos Pinhais especialmente para a audiência de instrução, que decidirá se os réus pelo assassinato do jogador Daniel irão a júri popular. As audiências acontecem hoje, amanhã (02), quarta (03) e sexta (05).

Em seus 10 minutos de depoimento, Celso Alexandre Pacheco de Quevedo afirmou que a moto era dele e que havia deixado o veículo para ser revendido em loja no bairro Boqueirão, em Curitiba. Ele ainda disse que não conhecia e nem era amigo de Brittes.

Segundo ele, a moto custou R$ 51 mil e foi adquirida por meio de consórcio. O valor da revenda seria R$ 45 mil, parte da quantia foi para o banco, restando R$ 15 mil para Quevedo. Quem recebeu o dinheiro restante foi a mãe do condenado por tráfico.

A promotoria questionou ainda sobre a transferência de nome do veículo para quem comprou e Celso afirmou que a transferência não foi feita "porque a moto foi restituída para o banco".

Outros depoimentos

Além de Quevedo, dois policiais militares, um tenente e o gesseiro que trabalhava em obras na casa da família falaram à Justiça.

O gesseiro Vilmar Coniegner esteve na casa dos Brittes da manhã do crime. Ele afirmou que se encontrou com Edison na rua quando chegava para deixar material de construção e que Edison afirmou que "voltaria em cinco minutos". "No retorno, não percebi nada de anormal", disse.

Nessa fase de audiência serão ouvidas todas as testemunhas de defesa dos sete réus por envolvimento em diferentes níveis na morte de Daniel. Só a família Brittes (Edison, Cristiana e Allana) tem 48 nomes que foram arrolados. Depois das falas das testemunhas, os réus devem finalmente falar.

2ª fase de audiência

A segunda fase de audiência de instrução do caso Daniel terá depoimento apenas de testemunhas de defesa dos sete réus acusados de envolvimento na morte do jogador. Depois disso, será a vez dos réus testemunharem pela primeira vez após a conclusão do inquérito policial.

Na primeira fase, em fevereiro, as testemunhas de acusação que falaram à Justiça. Entre elas, membros da família de Daniel. A mãe do jogador, Eliana Correa, chorou ao falar do filho e ficou cara a cara com Edison Brittes Júnior.

Relembre o caso

Daniel Correa foi morto no início da manhã de 27 de outubro do ano passado após participar da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes em uma boate de Curitiba. Depois da comemoração, alguns convidados seguiram para a casa da garota, incluindo Daniel.

Na casa de Allana, o pai da menina, Edison Brittes Júnior, iniciou uma sessão de espancamento contra Daniel após ter visto o jogador em seu quarto, onde sua mulher Cristiana Brittes dormia. O atleta apanhou de vários homens até ser levado de carro por Edison, David Vollero, Eduardo Henrique da Silva e Ygor King até uma estrada.

No local Daniel foi degolado e emasculado. O corpo do jogador foi achado naquele final de semana.

Seis pessoas estão presas pela morte de Daniel: a família Brittes (Edison, Cristiana e Allana), David Vollero, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva. Eles são acusados de diferentes crimes cometidos durante e depois do assassinato. A sétima ré, Evellyn Perusso, responde por falso testemunho em liberdade.