Topo

Futebol


Problema urinário de Pelé é recorrente, mas só há um fator de risco

AFP
Aos 78 anos, o Rei do Futebol se sentiu mal após evento em Paris e seguirá internado por mais "um ou dois dias" Imagem: AFP

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

2019-04-05T04:00:00

05/04/2019 04h00

Aos 78 anos, Pelé está internado desde a manhã da última quarta-feira em um hospital na França, ainda sem previsão de alta. Ele se sentiu mal depois de um evento comercial e foi diagnosticado com infecção urinária. Não é a primeira vez que o ex-jogador vive este problema: ele chegou a ir para a UTI em 2014 e passou por cirurgia no ano seguinte para evitar que o quadro se repetisse. Quatro anos depois houve novo diagnóstico, o que gerou apreensão pela recorrência.

LEIA MAIS

Apesar de a situação de Pelé ser considerada "tranquila e controlada" segundo porta-voz do Hospital Americano, localizado nos arredores de Paris, há um fator de risco no caso. E não é a reincidência.

"Quando tem um espaço de tempo grande, como no caso dele, não tem problema. O retorno da infecção em prazo curto é mais preocupante, porque se você passa um antibiótico e 15 dias depois a bactéria volta significa que não há resposta a esse antibiótico. Mas não é o caso", disse Alex Meller, urologista da Universidade Federal de São Paulo e que acompanhou o caso da primeira internação do Rei em 2014.

O fator de risco no novo quadro de infecção urinária de Pelé é o fato de ele ser paciente de rim único, como explica o especialista:

"Não é um fator agravante, mas é um fator de risco. Porque se a bactéria sai da bexiga e vai para o rim, como só tem um, é potencialmente mais grave do que em um paciente que tem os dois rins. Mas isso é raro, é muito específico, seria muito azar."

Pelé tem somente um rim. O direito foi retirado nos anos 70, durante sua passagem ainda como jogador pelo Cosmos, dos Estados Unidos. Ele havia sofrido uma fratura na vértebra após uma joelhada em jogo pelo Santos, e o trauma causou a perfuração do rim. Em Nova York ele começou a sentir febres e foi informado que um de seus rins não estava em funcionamento, e por isso foi retirado.

Reginaldo Castro/Estadão Conteúdo
Pelé ficou internado entre 24 de novembro e 9 de dezembro de 2014 por infecção urinária Imagem: Reginaldo Castro/Estadão Conteúdo

No caso das infecções urinárias, Pelé foi internado pela primeira vez em 13 de novembro de 2014 por conta da "presença de cálculos renais, ureterais e vesicais, causando obstrução ao fluxo urinário". O ídolo fez uma cirurgia para retirada dos cálculos, mas voltou a ser hospitalizado depois de 11 dias, quando houve o diagnóstico de infecção do trato urinário.

O ex-jogador foi parar na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Albert Einstein, em São Paulo, por uma semana, chegou a ter quadro de infecção generalizada (sepse) e parada renal que exigiu hemodiálise, mas melhorou e teve alta na segunda semana de dezembro. Ainda assim, foram dias de apreensão.

"A evolução de uma infecção localizada para uma generalizada é mostrada nos exames, mas é comum que a frequência cardíaca suba, a pressão caia e as suspeitas de que a infecção está mais grave se confirmam. A infecção urinária é, basicamente, uma bactéria dentro da bexiga. Ela acha uma porta de entrada, que no caso do homem idoso pode vir pelo sangue, pela próstata, ou ser cultivada na urina, quando o homem não esvazia bem a bexiga. Os sintomas são ardência para urinar, mudança de hábito urinário, alguns podem ter febre e outros sangramento na urina ou confusão mental em caso de pacientes mais idosos com menos potencial cognitivo", relatou Meller.

Em maio de 2015, o Rei do Futebol foi submetido a uma cirurgia para tratar hiperplasia na próstata, um problema benigno que faz com que o paciente retenha muita urina - aumentando a chance de infecção urinária. A operação foi justamente para que o quadro não voltasse a se repetir. Quatro anos depois o ídolo se sentiu mal depois de um evento comercial e foi diagnosticado novamente com o problema. A internação ocorreu na última quarta-feira, em Paris, onde estava participando do lançamento de uma linha de relógios com o jogador Mbappé, do PSG.

"Basicamente, as alternativas contra esse problema é tomar bastante líquido, isso ajuda. Se o paciente tem dificuldade para esvaziar a bexiga orientamos a fazer um tratamento à base de remédio ou cirurgia, como foi o caso dele (Pelé). Existem remédios que inibem a chance de ter infecção também, mas não é garantido", contou o especialista.

Pelé teve outros problemas de saúde anteriormente, como operações na coluna (2015) e duas vezes no quadril (2012 e 2016), o que atrapalha sua mobilidade e exige o uso de cadeira de rodas. Por ter forçado andar normalmente ele teve problemas no joelho e começou a fazer fisioterapia. Em 2014, o maior artilheiro da seleção na história chegou a brincar com o excesso de internações: "Opa, acho que Deus está esquecendo de mim".

Mais Futebol