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Ex-Grêmio, Léo Jardim se destaca e pode repetir Oblak e Ederson em Portugal

Rio Ave/Reprodução
Pelo Rio Ave, brasileiro Léo Jardim tem sido um dos melhores goleiros do Português Imagem: Rio Ave/Reprodução

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

2019-04-12T04:00:00

12/04/2019 04h00

Na temporada 2012/13, Ederson e Jan Oblak, dois dos melhores goleiros do mundo, estiveram reunidos no Rio Ave, um modesto clube do norte de Portugal, situado em uma cidade litorânea de praticamente 30 mil habitantes e que, naquela altura, contava com um orçamento anual de 3,4 milhões de euros (na cotação atual, R$ 14,2 milhões). Foi um marco em sua história e que acabou coroado com o sexto lugar no campeonato, uma de suas melhores campanhas recentes.

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A partir de então, a equipe passou a ser referência entre os números 1 que sonham em dar o salto na carreira e perseguir o mesmo sucesso de Ederson e Oblak, ambos hoje no Manchester City e no Atlético de Madri, respectivamente.

É possível dizer que, nesses pouco mais de cinco anos, um obstáculo não mudou para aqueles que resolvem se aventurar no município de Vila do Conde: a escassez de casas disponíveis para alugar, especialmente, no início de cada temporada, quando o verão ainda está fervendo e a maioria delas ocupadas por turistas.

Em 2012, Ederson, por exemplo, teve de se hospedar com o colega Marcelo, hoje no Chicago Fire, dos Estados Unidos, porque não tinha onde morar.

Atual titular, Léo Jardim está trilhando os mesmos passos do compatriota. Ao desembarcar vindo por empréstimo do Grêmio no meio do ano passado, o goleiro natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, se deparou com o mesmo cenário e, ao lado da esposa, teve de recorrer a uma solução emergencial.

"Na verdade, quando chegamos aqui, em julho, em pleno verão, estava tudo alugado, a disponibilidade de apartamentos era muito pequena. A gente meio que ficou sem opção e mudamos para o que tinha em uma cidade vizinha, Póvoa de Varzim. Não foi muito por escolha, mas necessidade mesmo", contou Léo, aos risos, em conversa com o UOL Esporte.

Os dois lugares são colados. Entre Póvoa de Varzim e o centro de treinamento do Rio Ave, em Vila do Conde, o goleiro demora ao redor de 10 minutos.

Nesse trajeto praticamente diário, sobra um pouco de tempo para o atleta de 24 anos refletir sobre o que tem sido a sua temporada. Ao deixar o Grêmio sem saber o que o esperava pela frente, tem visto a sua aposta ser recompensada até aqui. É o goleiro com mais defesas na Liga Portuguesa, superando nomes como o espanhol Iker Casillas, do Porto, viu uma delas ser comparada à lendária do inglês Gordon Banks e entrou no radar dos grandes.

Reprodução/YouTube
Léo Jardim faz defesa milagrosa no Campeonato Português Imagem: Reprodução/YouTube

Léo Jardim conseguiu a sequência que sonhava no Grêmio e ainda uma melhor vida também fora dos gramados.

"Estou gostando muito daqui. Para quem vem do Brasil, a qualidade de vida, a segurança e a tranquilidade não têm comparação. Você vê isso nas coisas básicas que, para a gente que desembarca do Brasil, enxerga muita diferença. Eu sou mais reservado também, caseiro e costumo sair com minha esposa apenas para almoçar e jantar", afirmou.

Grêmio queria a sua volta

No fim de dezembro, com a transferência de Marcelo Grohe para o exterior, o Grêmio bateu na porta de Léo e pediu que ele retornasse a Porto Alegre, que foi a sua casa por seis anos. O Rio Ave, no entanto, foi firme pela permanência do brasileiro.

"Na época, com o Grohe vendido, eles me falaram que queriam que eu voltasse, mas, quando eu vim por empréstimo para aqui, o Rio Ave tinha uma opção de compra e havia notificado que iria exercê-la", explicou Léo, que, por sua vez, não se mostrava disposto a abrir mão da fase que atravessa no futebol português.

"É difícil falar disso, cara, porque, quando a gente faz uma escolha, nunca sabe se está fazendo a escolha correta ou errada. Hoje, analisando as coisas como aconteceram, acredito que saí no momento certo. Mas também poderia ter ocorrido de outra forma e eu pensar que não deveria ter saído. O mais importante é estarmos convictos da decisão, abraçá-la e não olhar para trás", prosseguiu.

"No fim das contas, são escolhas e agora eu me encontro muito bem em Portugal. Não passou pela minha cabeça voltar naquele momento", completou.

Ao caminhar pelos corredores do Rio Ave, não falta inspiração para o goleiro se manter concentrado em suas metas e chamando a atenção no novo país.

"Quando eu vim, eu conhecia mais ou menos por cima a história do Ederson e do Oblak juntos aqui. Mas já me contaram melhor, fiquei mais por dentro e, volta e meia, pergunto como eles eram no dia a dia, mais por curiosidade mesmo. Do Oblak, não chega a ter nenhuma foto. Mas do Ederson tem uma dele posado com o time antes de uma final", revelou.

Jogo com os pés virou diferencial

Em sua rotina, não foi apenas a qualidade de vida que mudou para Léo Jardim no percurso entre Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

"Por aqui, o goleiro é muito mais exigido no jogo com os pés, tem de participar de forma muito mais ativa na partida. Essa é uma coisa que senti muita diferença e bastante dificuldade até me adaptar melhor. Hoje, com muito trabalho, consegui me encaixar nesse estilo", descreveu.

"Pude evoluir e aprender bastante em aspectos como a saída de bola, a construção de jogo e passe longo mais preciso", acrescentou.

Aliado ao seu desempenho entre as traves, esses são detalhes que fizeram com que o ex-gremista se valorizasse muito desde a sua vinda e se encontre agora na mira do Sporting, entre outros. Ele tem o ex-meio-campista Deco, que reside em Portugal, como um dos responsáveis por sua carreira.

"O que precisa, eu falo com ele. Ele ajudou e se colocou à disposição para tudo que necessitasse. Por enquanto, até a mim, ainda não chegou nada (sobre transferência), sigo com a cabeça no Rio Ave e nos compromissos restantes", finalizou.

A equipe ocupa a nona posição na Liga Portuguesa, com 32 pontos, e volta a campo para enfrentar o Vitória de Guimarães, em casa, no domingo, 14.

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