Topo

Futebol


Conheça André "Mensalão", atacante do time da cidade de Sérgio Moro

Assessoria MFC
"Mensalão" no foco da mídia: atacante André Lima ganhou apelido após teste com a camisa do PT Imagem: Assessoria MFC

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

2019-04-23T04:00:00

23/04/2019 04h00

Em 2005, em meio ao primeiro Governo Lula, o Brasil vivia um "boom" econômico e o prestígio do então presidente parecia intocável. Parecia. Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB carioca, foi a público denunciar um esquema que remunerava deputados em troca de apoio aos projetos do Palácio do Planalto. O chamado "Mensalão" ganhava as manchetes de todo o Brasil.

Na mesma época, em Ananindeua, região metropolitana de Belém, um garoto de 15 anos tentava a sorte no futebol. André Lima pegou suas chuteiras e foi fazer um teste. O resto virou história.

"É até engraçado", contou. "Bem no auge do escândalo em Brasília, a minha mãe tinha ganhado uma camisa do PT num comício, e eu fui fazer um teste no Ananindeua. E eu levei a camisa para esse treino. Cada um tinha que levar o seu material de treino. Como era uma camisa sem muito valor, eu levei, justamente para fazer o teste. E lá tinha outro menino chamado André. Eu vesti a camisa sem entender nada, tinha 15 anos. E o treinador, que era o Valdir Alagoano, começou a dividir o time. E ele chamou: 'André'. E todo mundo perguntou, 'mas qual André', e ele disse: 'Ah!, o do Mensalão ali'. E pegou esse apelido", descreveu, aos risos.

Hoje aos 28 anos, André "Mensalão" - que prefere ser chamado de André Lima, nome pelo qual chegou ao seu 18º clube - agora vai jogar pelo Maringá, do Paraná, que está na Série D nacional. Irá representar o time da cidade do Ministro da Justiça Sérgio Moro, um dos personagens que ganhou notoriedade pelo antagonismo com membros do Partido dos Trabalhadores. Sem "Mensalão", André mantém uma expectativa sobre o desempenho de Moro, agora na Política.

"Eu não sabia que ele era de Maringá, e como eu cheguei recentemente aqui na cidade, ainda não falaram dele. Mas acompanho o trabalho dele há alguns anos, até porque já estive em Curitiba. E eu vejo o trabalho dele no Ministério da Justiça como o principal trabalho para tentar alavancar o Brasil."

O apelido é tomado como brincadeira, mas se puder evitar...

"Não me sinto mal, mas é algo esquisito. E até porque o meu nome é bem bonito, né? Não tenho problemas, mesmo sendo algo que repercute legal na história do País", comentou.

Mensalão à parte, André tem seus próprios problemas para cuidar. O Maringá terminou o Estadual do Paraná rebaixado, apesar de ter melhor campanha que o vice-campeão Toledo, que escapou da queda por ser finalista, por uma dessas razões quase indecifráveis dos regulamentos dos estaduais. Agora, vai tentar o acesso nacional num grupo com Ferroviária-SP, Joinville-SC e Avenida-RS.

"Quando houve o primeiro contato com o procurador, ele me passou que o Maringá tinha caído, mas que o projeto para a Série D era bom. As condições de trabalho, cidade para moradia... isso foi primordial. O principal objetivo nosso é a Série C, vamos lutar bastante para isso. Ano que vem a Deus pertence, a gente fazendo um bom campeonato aqui, quem sabe possa dar uma alavancada no Maringá."

Com contrato até o fim do campeonato, em agosto, André Lima vive as mazelas da maioria dos operários da bola, que rodam pelo País em busca do projeto seguinte. Pensando assim, seria mais fácil aceitar um "mensalão" para arrumar o caixa? "O mais fácil é jogar futebol, esperar o salário cair na conta e ganhar o dinheiro honestamente", dispara, num recado para quem quiser ouvir.

Mais Futebol