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Coritiba em luto: morre Dirceu Krüger, maior ídolo coxa-branca

Divulgação/Coritiba
Imagem: Divulgação/Coritiba

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

25/04/2019 11h00

Dirceu Krüger, 74 anos, 53 dos quais dedicados ao Coritiba, faleceu na manhã de hoje (25) em Curitiba, após uma parada cardiorrespiratória durante a madrugada. Considerado o maior ídolo da história do Coxa, Krüger sofria com complicações intestinais desde os anos 70, após um choque durante um jogo pelo Alviverde.

Como jogador, o Flecha Loira, como era mais conhecido entre os torcedores, defendeu a equipe entre os anos de 1966 e 1975 e conquistou sete campeonatos estaduais. Ele também chegou a comandar o time em 185 partidas e atualmente fazia parte do quadro de funcionários do clube.

Homenageado em vida com uma estátua na frente do Couto Pereira, bancada pela mobilização da torcida coxa-branca, Krüger foi destaque na época áurea do Coritiba, quando enfileirou taças do Paranaense (sete, entre 1968 e 75) e o Torneio do Povo em 73, competição nacional organizada pela CBD e que pretendeu reunir os clubes de maior torcida na época em São Paulo, Rio, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná.

Uma vida e quase morte pelo Coxa

Nestes 53 anos dedicados ao futebol, Krüger foi jogador, técnico, auxiliar e diretor no Coritiba. Seguiu funcionário do clube até o momento da morte, após trocar o extinto Britânia (um dos clubes que deu origem ao Paraná Clube) pelo Coxa em 1966. Foram 252 partidas como jogador.

"Um craque como poucos. Foi uma marca, sem dúvida alguma. Um jogador extraordinário, mas principalmente pelo caráter, conquistou a simpatia de todos e até o respeito do adversário", comentou o jornalista e narrador esportivo Carneiro Neto, que acompanhou a carreira do Flecha Loira, apelido que ganhou pela mobilidade em campo.

Dirceu Kruger durante a final de 2019 do segundo turno do Campeonato Paranaense, que leva o seu nome - Reinaldo Reginato /Fotoarena/Folhapress
Dirceu Kruger durante a final de 2019 do segundo turno do Campeonato Paranaense, que leva o seu nome
Imagem: Reinaldo Reginato /Fotoarena/Folhapress

Em 1970, Krüger quase morreu após um jogo pelo Coxa. Era 11 de abril, dia em que o jogador completava 25 anos. Em uma partida contra o Água Verde, Krüger dividiu com o goleiro Leopoldo, que o acertou violentamente na região do intestino. O grave ferimento fez com que Krüger fosse internado, com o órgão danificado a ponto de ter até recebido a extrema-unção, rito católico para enfermos. Ele sobreviveu e voltou a atuar até se aposentar.

Em 1979, cumpriu o primeiro de seus 185 jogos como técnico. Um deles foi o 0 a 0 com o Goiás no Couto Pereira, na caminhada do Coxa pelo título brasileiro de 1985, durante a troca de Dino Sani por Ênio Andrade.

Nunca aceitou convites de clubes de Rio e São Paulo

Dirceu Krüger emprestou seu nome para uma das taças (ou turnos) do Paranaense 2019, uma homenagem da Federação Paranaense a ele e ao ídolo atleticano Barcímio Sicupira, que nomeou o outro turno. Desportista, Krüger entregou o troféu com seu nome ao Athletico após a vitória do rival sobre o Coritiba nos pênaltis. Dias depois, foi internado para um procedimento de desobstrução intestinal.

Jornal Diário do Paraná fala sobre o interesse do Vasco em Kosilek e, no meio do texto, que o clube se assustou com valor de Dirceu Krüger - Reprodução
Jornal Diário do Paraná fala sobre o interesse do Vasco em Kosilek e, no meio do texto, que o clube se assustou com valor de Dirceu Krüger
Imagem: Reprodução

Para o historiador coxa-branca Guilherme Straube, Krüger é o maior ídolo do clube por diversos fatores."Krüger ocupa este posto, para mim. Estreou contra o Grêmio de Porto Alegre já marcando gol, ao driblar o zagueiro Airton "Pavilhão". Jogador extremamente inteligente e rápido, e por isso o apelido 'Flecha Loira', era parado pelos adversários apenas na base da violência. Ele fez o gol da vitória na decisão de 1972 contra o Atlético e ajudou o clube a tornar-se pentacampeão regional. Como treinador das categorias de base, Kruger acompanhou e ajudou a formar todas as gerações de atletas que foram criadas no clube, a partir da década de 1980. Em 2016, a torcida coritibana reuniu-se e financiou a construção de uma estátua de Kruger, em frente ao estádio Couto Pereira. Dificilmente alguém, algum dia, conseguirá fazer pelo Coritiba, o que fez o nosso eterno Flecha Loira."

Na carreira, Krüger não aceitou jogar por outros clubes que não o Coxa desde que assinou contrato. Em 1971, o Vasco procurou o Coritiba para levar Krüger, mas acabou contratando Kosilek, que fazia dupla com ele. Criou-se então a lenda de que o Chinês, apelido do presidente Evangelino Neves, teria ludibriado o Vasco. "Na época o presidente Evangelino Neves não deixou Krüger aceitar os convites que teve do Flamengo, Corinthians e de outros. Falava-se que o Kosilek foi para o Vasco da Gama confundido com o Krüger. Não é verdade, é uma lenda. O Kosilek também era um ótimo jogador e o Vasco sabia que o Coritiba não ia deixar o Krüger sair", contou Carneiro Neto.

Krüger deixou a esposa, dois filhos, uma neta e toda a torcida coxa-branca.