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Nada de Vini Jr ou Coutinho: quem é o artilheiro brasileiro no Espanhol

Nesta temporada, Charles tem 33 partidas com a camisa do Eibar e marcou 14 gols - (Divulgação/Twitter Eibar)
Nesta temporada, Charles tem 33 partidas com a camisa do Eibar e marcou 14 gols Imagem: (Divulgação/Twitter Eibar)

Lucas Sarti

Colaboração para o UOL

27/04/2019 04h00

Aos 35 anos, Charles Dias é o brasileiro com mais gols marcados no Campeonato Espanhol. O atacante do Eibar, com 13 gols, está à frente de nomes como Philippe Coutinho, Vinicius Júnior, Malcom e Willian José. Em sua melhor temporada no futebol europeu, onde fez toda sua carreira, o experiente atacante se acostumou a enfrentar grandes nomes do cenário internacional. Quando enfrentou Lionel Messi, em 2013, ficou surpreso ao ver o que o craque argentino fez com sua camisa número 9 do Málaga.

"O Messi tem uma camisa minha no museu dele. Quando troquei com ele depois de um jogo, ele colocou no seu museu. Nunca pensei que o Messi fosse colocar minha camisa lá. Pensei que ele tivesse deixado de lado ou dado para alguma outra pessoa. É muito legal saber que ele guardou e que teve essa iniciativa", conta Charles em entrevista ao UOL Esporte.

Em 2017, Messi publicou foto de seu acervo pessoal no Instagram, e camisas de craques e colegas aparecem dispostas no museu do argentino. No canto esquerdo inferior, é possível ver a camisa com o nome "Charles" gravado na cor roxo. Os encontros com Messi ficaram marcados na memória do brasileiro, que também guardou com carinho a camisa número 10 de Messi, na cor laranja, em um canto particular em sua casa, em Bilbao.

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Carrasco do Real Madrid

Enquanto há chances de que Lionel Messi lembre-se de Charles com carinho, a torcida do rival Real Madrid deve ter outro sentimento. Em 2014, os Blancos estavam longe da briga pelo título do Campeonato Espanhol, mas ainda sonhavam com uma virada para cima de Atlético de Madri e Barcelona. No dia 11 de maio, a equipe de Carlos Ancelotti entrou em campo, contra o Celta de Vigo, com time reserva, poupando atletas para a final da Liga dos Campeões nos próximos dias, e perdeu por 2 a 0, com dois gols anotados por Charles, que lembra de sair da partida vaiado pelos torcedores do Real.

"Fiz dois gols naquela partida e ajudei a tirar o título do Real, porque eles ficaram sem chance matemática de título. Eles precisavam ganhar, se perdessem contra a gente, já era. E foi o que aconteceu", lembra Charles.

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Conversa com Felipão não aconteceu, mas rumores animaram Charles

Na primeira divisão espanhola há sete anos, Charles nunca disputou uma partida como profissional no Brasil. O atacante, inclusive, terminou seu processo de formação nas categorias de base já em Portugal, e lá começou sua caminhada na Europa. Desde 2002, Charles atuou por sete times diferentes, entre Portugal e Espanha, e se acostumou com o estilo europeu. A identificação é tanta que o centroavante se naturalizou espanhol em 2008.

"Quando eu vim para a Espanha, eu fiquei cinco anos no Pontevedra. Chegou o momento em que eu podia pedir a nacionalidade. Não fiz pensando na seleção, mas em muitas portas que poderiam se abrir sendo um jogador com passaporte europeu, que não conta como estrangeiro", afirma Charles, que é casado com uma portuguesa e tem dois filhos.

(Divulgação/Eibar)
Imagem: (Divulgação/Eibar)

Mesmo sendo cidadão espanhol, Charles nunca teve oportunidade de atuar na seleção local. O atacante aproveita para esclarecer um rumor que o persegue desde 2014, quando o jogador teria recebido uma ligação do técnico da seleção brasileira na época, Luiz Felipe Scolari. Charles garante que não foi procurado por Felipão, e a situação não passa de "especulação".

"Ninguém falou comigo, mas não sei se chegaram a conversar algo com meus representantes. Ouvi essa história, mas ninguém me procurou diretamente", afirma Charles.

"Fiquei com esperanças (de ser convocado), claro. Não para a Copa do Mundo, mas ser chamado para algum jogo, um amistoso, poder ser testado."

(Acervo Pessoal)
Imagem: (Acervo Pessoal)

Trajeto solitário até Santos atrapalhou possível futuro na Vila Belmiro

Filho do ex-jogador Careca, ídolo no Paysandu e com passagem pelo Santos, Charles cresceu na Europa, enquanto o pai atuava no futebol português, e passou pouco tempo de sua vida no Brasil. Aos 13 anos, o atacante chegou a treinar por um ano nas categorias de base do Santos. Mesmo com a pouca idade, o atacante deixava o bairro do Brooklin, na zona Sul da cidade de São Paulo, e ia sozinho até a cidade de Santos. Por conta da distância, a chance de se tornar um 'Menino da Vila' logo foi abandonada.

"Eu ia todos os dias de São Paulo para Santos. Sozinho. Eu era muito novo, e naquele tempo não me deram alojamento. O clube não era como é agora. Meus pais trabalhavam, então eu pegava metrô, ônibus, trem, tudo sozinho. Às vezes chegava lá (em Santos) e o pessoal já estava treinando. Eu chegava tarde porque pegava neblina na estrada, ficava tudo parado", lembra o jogador, que chegou a dividir os gramados com Robinho.

Apesar do carinho pelo momento passado por ele e seu pai no Santos, Charles era corintiano quando criança. O atacante se apaixonou pelo clube na época em que Marcelinho Carioca era o grande jogador do time paulista. A paixão era tão grande que o artilheiro marcava presença nos jogos da equipe no estádio do Pacaembu. "Eu era da torcida, ia nos jogos com meus amigos de infância. Cheguei a ser sócio da Pavilhão 9 quando era moleque. No meu tempo, o craque era o Marcelinho."

'Quase retorno' ao Brasil

O veterano lembra que ficou próximo de atuar no Brasil no último ano, e ainda quer deixar uma porta aberta no país onde sua família vive.

"Já tive algumas propostas para voltar, sobretudo antes de assinar com o Eibar. Falei com os diretores do Bahia, quando estava em Belém de férias, mas não foi para frente. Estava avançado, mas optei por ficar na Europa", conta Charles, que tem contrato com o Eibar até junho de 2020.

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