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Fla vê "guerra" que pode tirar Bandeira de Mello da vida política do clube

Gilvan de Souza/ Flamengo
O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello pode ficar inelegível no Flamengo Imagem: Gilvan de Souza/ Flamengo

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro

2019-05-16T13:43:15

16/05/2019 13h43

Está agendada para a próxima segunda-feira (20) uma votação que pode suspender e deixar o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello inelegível no Flamengo. A definição do futuro do ex-cartola caberá a 106 conselheiros em sessão do Conselho de Administração.

Bandeira pode ser suspenso por 180 dias ou absolvido. Ele enfrenta um processo interno por ter interferido na Justiça comum no caso das cores das chapas no pleito presidencial de dezembro passado.

O Estatuto do Flamengo (artigos 129, inciso IV e 37) diz que o presidente se torna obrigado a respeitar as deliberações dos demais poderes, podendo ser suspenso, eliminado ou perder o mandato. Caso seja punido, Eduardo Bandeira de Mello não poderá se candidatar e tampouco votar na próxima eleição rubro-negra - dezembro de 2021

A atual situação anexou provas ao processo sobre a interferência de Bandeira, inclusive contendo conversas com funcionários do clube para que o parecer fosse favorável ao candidato Ricardo Lomba.

O SóFla (Sócios Pelo Flamengo), grupo político de Bandeira, trabalha nos bastidores para evitar a punição, tratada como injusta e alvo da "guerra" com alguns dirigentes da gestão Landim, entre eles: Luiz Eduardo Baptista, Wallim Vasconcellos, Gustavo Oliveira e Rodrigo Dunshee.

Entenda o caso

A questão teve origem na disputa pelas cores das chapas no pleito de dezembro. Situação e oposição protocolaram a inscrição com o pedido de utilização da cor azul. O objetivo era claro no momento. Como o grupo original se elegeu em 2012 com a cor em questão, ela naturalmente ficou ligada aos administradores responsáveis pela recuperação econômica do Flamengo.

Acontece que o grupo se dissolveu com o passar do tempo e os dois lados se julgaram donos da "Chapa Azul". Ambos, inclusive, sustentaram que um bom número de associados votaria pela cor, ligando-a diretamente ao grupo e sem ter o conhecimento dos integrantes de cada chapa.

O impasse durou algumas semanas no ano passado e envolveu até a ordem de chegada na sede da Gávea para a inscrição. As duas chapas acabaram protocoladas ao mesmo tempo por Marcos Braz - presidente em exercício do Conselho de Administração na época e atual vice de futebol - já que ninguém abriu mão do direito.

Na sequência, a Comissão Eleitoral, diante do impasse, anulou a cor azul da eleição e solicitou que as chapas apresentassem cores alternativas. As decisões foram inéditas no clube e motivaram uma série de discussões. Ricardo Lomba ficou com a cor rosa, enquanto Landim defendeu a chapa roxa.

A então situação ingressou na Justiça contra o clube para ter o direito de utilizar a cor azul. A liminar, no entanto, foi indeferida. Foi aí que, no prazo de contestação da decisão, Eduardo Bandeira de Mello entrou no circuito.

Como réu, o mandatário, com procuração entregue ao escritório Dubeux, Pessanha & Cid Advogados Associados, pediu ao juiz que desse a liminar favorável ao autor. Neste caso, fazendo valer o desejo da chapa de Ricardo Lomba contra o Flamengo.

Presidente do Conselho Deliberativo na época e atual vice-geral do Rubro-negro, Rodrigo Dunshee abriu o inquérito contra Bandeira, que terá os direitos políticos analisados pelo plenário do Conselho de Administração.

Questionado inúmeras vezes sobre o assunto na campanha do ano passado, Bandeira se mostrou seguro e disse que se posicionou na Justiça apenas para fazer valer o cumprimento do estatuto rubro-negro. Ele comparecerá ao CoAd para se defender.

Recentemente, outro pedido de punição ao ex-mandatário foi arquivado. Acusado de utilizar o clube politicamente na campanha para deputado federal, ele poderia ser suspenso e também excluído do quadro social.