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Atacante recomeça na 3ª divisão da Suécia após cocaína, doping e internação

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Michael, ex-Fluminense, recomeça na 3ª Divisão da Suécia Imagem: Divulgação

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

2019-05-17T04:00:00

17/05/2019 04h00

As menções ao atacante Michael, ex-Fluminense, sempre vieram acompanhadas pelas palavras "polêmica" e "talento". Após deixar o clube que o revelou, o jogador rodou por times pequenos até encontrar um pouso no Linköping City, clube da cidade sueca de mesmo nome.

Na 3ª Divisão do país nórdico, o mineiro tenta reescrever uma nova página em uma trajetória promissora interrompida por uma suspensão por uso de cocaína. Liberado para voltar, Michael deu sinais de que não estava pronto. Sumiços em treinos e até um período de internação em um hospital por um acidente automobilístico com uma vaca na estrada foram o estopim. O jogador demonstra incômodo com o assunto, se esquiva quanto pode, mas admite que pensou em largar o esporte.

"Pensei sim (em parar). Mas ser atleta profissional de futebol é o que sei fazer. Passei por tantas coisas, mas as pessoas de bem sempre me incentivaram a voltar. Elas sabem o quanto sou feliz atuando. Me arrependo de poucas coisas, mais das que eu não fiz. Aprendi com os tombos que tomei a não compartilhar nada, seja de bom ou ruim, com pessoas que nada te acrescentam. Filtrei bastante muitas coisas e hoje vivo uma vida diferente. É um caminho bem mais responsável", disse ao UOL Esporte.

Em pouco tempo na Suécia, o atacante tem retomado o gosto pelo dia a dia do futebol. Em sete jogos, ele marcou seis gols e vai tentando aprimorar o inglês e o sueco. Levado ao país por um dos patrocinadores do Linköping, ele vive na casa do próprio investidor, que é casado com uma brasileira. O ambiente mais familiar ajuda na recuperação do cidadão do município de São Francisco de Sales (MG), mas a vigilância é diária. Mais longe das tentações do país natal, Michael mantém contato regular por telefone com um psicólogo. O plano é mostrar que a retomada não está apenas no discurso.

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Imagem: Divulgação

"Havia problemas aqui no Brasil, as portas aqui se fechavam. Ele passou por uma internação em uma clínica no Brasil, me garantiu que está há três anos e pouco sem usar (cocaína), mas as pessoas não acreditavam aqui. Ele disse que sabe que tem de pagar um preço por tudo isso, mas lá não faltam situações que o ajudam a saber o que não fazer. Tínhamos propostas das Séries C e D, mas ele optou por lá para respirar outros ares e ter novas companhias", contou Rafael Moura, empresário de Michael.

Apesar da distância, o atacante é apegado à história. Questionado sobre a ajuda recebida durante o período mais crítico no Tricolor, ele cita imediatamente o técnico Abel Braga, por quem foi dirigido duas vezes nas Laranjeiras. Campeão brasileiro em 2012, viveu o melhor e o pior da fama. Neste recomeço em um dos líderes da 3ª sueca, ele espera vencer para "que ele (Abel) se sinta bem por ter ajudado".

Rodrigo Ferreira/Photocamera
Imagem: Rodrigo Ferreira/Photocamera

A mudança implica em outros desafios que não apenas ao extracampo. Dentro das quatro linhas, o atleta se depara com uma realidade bem diferente na vivida no Tricolor, sem a mesma badalação, idolatria e um nível técnico muito diferente, e as dificuldades cotidianas são divididas com outros três brasileiros que atuam no Linköping. Após tropeços e desencontros, ele espera por vitórias além das quatro linhas:

"Espero escrever uma bonita história por aqui".

De olho no Cruzeiro

Por ironia do calendário, o Fluminense se prepara para encarar justamente o Cruzeiro, rival da última quarta-feira, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Hoje, o técnico Fernando Diniz comanda o último treino ante do reencontro com os mineiros. Autor do gol de empate nos acréscimos, João Pedro falou sobre a importância de uma recuperação no Brasileiro.

"No Brasileiro, precisamos correr atrás porque perdemos jogos em casa que não deveríamos perder, como no caso da partida contra o Goiás. Precisamos conquistar os três pontos", analisou o atacante.