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Botafogo encara Sol de América na terra do primeiro camisa 7

Vítor Silva/Botafogo
Diego Souza em ação pelo Botafogo Imagem: Vítor Silva/Botafogo

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

2019-05-22T04:00:00

22/05/2019 04h00

O Botafogo está em Assunção, no Paraguai, para, diante do Sol de América, começar a caminhada na luta por uma vaga nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. E para este duelo, que acontecerá às 19h15 (de Brasília), os alvinegros podem ter um reforço, digamos, sobrenatural. Afinal, foi da capital paraguaia de onde veio, para General Severiano, Egídio Landolfi, o primeiro camisa 7 da História do Glorioso - número que, com o passar dos anos, ganhou uma forte mística junto aos torcedores. Não à toa o atacante ficou conhecido como Paraguaio.

Apesar do apelido, Egídio nasceu no Brasil, no Mato Grosso do Sul. Porém, segundo edição do "Jornal dos Sports" de 15 de julho de 1948, em texto assinado por Geraldo Romualdo da Silva, isso não passou de um mero acaso. A família era fixada em Assunção, mas o "velho Landolfi tanto fez em matéria de política que deve de disparar" da capital paraguaia. Retornaram cinco anos depois, "tranquilizados os conflitos em Assunção e perdoados os rebeldes".

Em 1943, no Olímpia, Egídio obteve registro de jogador de Sexta Divisão, chegando à Primeira três anos depois. Porém, "neste ínterim, o Paraguai voltou a se conturbar. Só se falava em revolução". Landolfi, então, decidiu deixar o país e foi à Embaixada Brasileira. Lá, Aldo de Freitas, à época secretário da Embaixada, se prontificou a ajudá-lo. E a ponte de Egídio com o Botafogo encontrava-se no sobrenome de Aldo. Quis o destino que a mão que se estendeu para auxílio fosse de um primo de Heleno de Freitas, ídolo do Alvinegro.

Ao chegar ao Brasil, em maio de 1946 - dia seguinte a uma vitória alvinegra sobre o Flamengo -, Egídio foi a General Severiano e procurou por Heleno, que estava no bar com Bebiano, então presidente do clube. Com sotaque que não lhe deixava esconder a origem, entregou ao jogador alvinegro a carta que tinha em mãos, assinada por Aldo. Heleno leu, se inteirou da história de Landolfi e conversou com o mandatário do Glorioso, que resolveu ajudar.

"Ao ver Egídio arrastando sua maleta, o presidente observou sem naturalmente perceber o alcance das palavras:
- De onde não se espera, às vezes é que sai. Afinal, esse 'paraguaio' não tem má cara", retrata a edição do "Jornal dos Sports". Ali mesmo, além do apelido, Landolfi começou a escrever a história que teria no Glorioso.

Em 1948, passou-se a usar numeração nas camisas e Paraguaio, ponta-direita, ganhou a 7, que, depois, seria usada por Garrincha, Jairzinho, Túlio, entre outros. Especialmente no clube da Estrela Solitária, o 7 passou a ser o número de grandes ídolos. No elenco atual, o detentor é Diego Souza, contratado no início da temporada para ser o homem-gol, mas que não vive fase goleadora.

E não é apenas no passado onde se pode encontrar ligação do Botafogo com o Paraguai. No grupo comandado pelo técnico Eduardo Barroca, o goleiro Gatito Fernandéz também é de Assunção e começou a carreira no Cerro Porteño. Mais do que isso, o arqueiro nunca foi derrotado pelo Sol de América. Em sete partidas, foram cinco vitórias e dois empates empates.

FICHA TÉCNICA
Sol de América x Botafogo


Data: 22/05/2019
Local: Estádio Luis Alfonso Giagni, em Assunção
Hora: 19h15 (de Brasília)
Árbitro: Árbitro: Germán Delfino (ARG)
Assistentes: Lucas Germanotta (ARG) e Pablo González (ARG)

SOL DE AMÉRICA: Escobar, Velásquez, Cabrera, Portillo e Clar; Pardo, Ferreira, Fredes, Ortiz; Villagra e Ruiz Diaz. Técnico: Javier Sanguinetti

BOTAFOGO: Gatito Fernandéz, Fernando, Joel Carli, Gabriel e Jonathan; Gustavo Bochecha, Alex Santana (Luiz Fernando), Cícero e João Paulo; Erik e Diego Souza. Técnico: Eduardo Barroca