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'Silencioso', tipo de câncer de Carbonero dificulta detecção e tratamento

A jornalista Sara Carbonero está tratando câncer no ovário - Reprodução/Instagram
A jornalista Sara Carbonero está tratando câncer no ovário Imagem: Reprodução/Instagram

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

22/05/2019 13h19

Na tarde de ontem, a jornalista esportiva Sara Carbonero anunciou que está tratando de um câncer nos ovários. Este tipo do tumor é considerado um dos mais letais, porque é "silencioso", ou seja, é mais difícil de ser detectado nas fases iniciais. Felizmente, a esposa do goleiro Iker Casillas afirmou que o diagnóstico aconteceu "a tempo".

"O câncer de ovário é o mais letal de todos os tumores femininos. De cada 10 mulheres com essa doença, oito tem diagnóstico de câncer avançado. A chance de cura dessas 'oito mulheres' é menor do que 20%", explicou o oncologista Fernando Maluf, chefe do centro oncológico BP Mirante e integrante do quadro médico do Hospital Albert Einstein.

"É uma doença silenciosa, que ainda não tem, como o câncer de mama, um rastreamento preciso. Então, infelizmente, no mundo o diagnóstico precoce ainda é infrequente", completou.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa de 2018 foi de 6.150 novos casos e o Atlas de Mortalidade de Câncer de 2015 registrou 3.536 óbitos. É considerada a segunda neoplasia ginecológica mais comum e fica atrás apenas do câncer do colo de útero.

Ainda de acordo com o Inca, a estimativa de novos casos de câncer de mama em 2018 era de 59.700 e Atlas de Mortalidade por Câncer registrou 15.593 óbitos, sendo 15.403 mulheres e 187 homens. Já o câncer de colo de útero teve 16.370 casos em 2018 e 5.727 mortes registradas.

Além disso, a Coalização Mundial de Câncer de Ovário afirma que as taxas de sobrevida do tumor em cinco anos variam, no mundo, de 30 a 45% enquanto as do câncer de mama ficam entre 80 e 90%.

Em um texto publicado em sua conta oficial no Instagram, Sara contou que já passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno e está otimista com o tratamento.

"Há uns dias em uma consulta, os médicos viram em mim um tumor maligno nos ovários e já fui operada. Tudo correu muito bem - felizmente descobrimos muito a tempo, mas ainda tenho pela frente uns meses de luta enquanto faço o tratamento correspondente. Estou tranquila e com a confiança de que tudo vai correr bem. Sei que o caminho será duro, mas também que terá um final feliz", escreveu a jornalista.

A informação de Sara Carbonero veio a público apenas 20 dias após o infarto sofrido por Casillas em um treino do Porto. O caso foi citado na publicação da mulher do goleiro, que ainda não sabe se voltará a jogar profissionalmente.

Segundo o oncologista Fernando Maluf, o tratamento necessário para o câncer de ovário é, primeiramente, a cirurgia e depois a quimioterapia.

"O tratamento envolve cirurgia, onde se remove útero, ovário, todos os locais onde a doença está presente, geralmente no peritônio. Depois, o tratamento envolve quimioterapia. A cada 10 casos, um a dois têm mutações. Nos pacientes que têm essa mutação, foi recentemente aprovada uma droga que é complementada na quimioterapia de mulheres que tem a mutação", esclareceu o médico.

Os fatores de risco para a aparição de um tumor nos ovários são obesidade, dieta rica em gordura e carboidrato, histórico familiar e sedentarismo.

"O câncer nos ovários é geralmente detectado com a doença mais avançada. Os sintomas são o aumento do volume abdominal, dor abdominal, alteração do trato intestinal e sangramento vaginal", disse Maluf.