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Seca de gols e má fase do Cruzeiro distanciaram Fred até das redes sociais

Pedro H. Tesch/AGIF
Fred vive seca de gols no Cruzeiro. Ele não marca há seis partidas Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

2019-05-26T04:00:00

26/05/2019 04h00

O torcedor do Cruzeiro não vê Fred com a mesma frequência de outrora. Figura assídua nas redes sociais desde as férias passadas, o atacante ficou conhecido como Rei dos Stories por conta das brincadeiras e filmagens feitas em seu perfil no Instagram. No entanto, graças à seca de gols e à fase conturbada da equipe, o camisa 9 se afastou da internet.

O momento do time é algo que o colocou mais distante do dia a dia na internet. A Raposa não vence há quatro partidas. O time foi derrotado por 2 a 1 pelo Emelec, do Equador, em pleno Mineirão, em jogo que não contou com a presença do centroavante. Na sequência, já com o camisa 9 em campo, os mineiros perderam para o Inter por 3 a 1 e para o Fluminense por 4 a 1 em jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro. O time ainda empatou em 1 a 1 com o mesmo Flu pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil.

A sequência negativa culminou em cobrança de Itair Machado, vice-presidente de futebol do clube, ao elenco na última terça-feira (21). Entre os assuntos, o pedido para evitar a exposição excessiva, já que houve manifestação da torcida.

O conselho da diretoria foi acatado pelos jogadores do elenco. Fred, por exemplo, não publicou nada sobre o cotidiano na Toca da Raposa II nos últimos dias. A única imagem em seu Instagram Stories é uma repostagem de Nikão sobre o combate ao racismo.

Meu nome é Maycon Vinícius Ferreira da Cruz, mas sou mais conhecido como Nikão, atleta profissional de futebol do Club Athletico Paranaense. Hoje, eu estou com 26 anos de idade e algumas vezes me deparei com uma situação tratada por muitos como ?delicada?, mas que eu aprendi a classificar como INADMISSÍVEL. Ontem foi um dia desses. . Entramos em campo para disputar o primeiro jogo da final da Recopa Sul-Americana diante de uma das equipes mais tradicionais do continente e, outra vez, numa disputa esportiva de nações coirmãs, o racismo tomou forma. O Grafite e o São Paulo sabem porque eu disse ?outra vez?. O Vasco e seu torcedor também. O Cruzeiro e o Tinga também. O Serginho, do Jorge Wilstermann, também... isso pra não citar o resto do mundo. Quantos mais? Dezenas? Centenas? Ou milhares? Quando isso vai acabar? Estamos no ano de 2019 e ainda somos obrigados a nos deparar com atitudes tão desumanas como esta. . Já ouvi dizer que isso é uma questão cultural, que é comum esse tipo de xingamento em alguns países da América do Sul e que a gente não deveria dar tanta importância. Também já vi falarem por aí que o preconceito nem existe de verdade e que é tudo vitimismo. Eu posso falar por mim: se uma atitude me machuca, corrói, afeta não só minha família, mas tantas outras pessoas que se sentem representadas por mim quando estou em campo, não passa pela minha cabeça aceitar. Essa ideia tem que ACABAR! . Apesar de acreditar que uma boa postura se aprende em casa, com boa educação, orientação e diálogo franco, por outro lado, tenho a certeza de que já passou da hora de a Conmebol ser mais enérgica com os casos de injúria racial. Já tivemos aqui no Brasil um grande exemplo de punição para o Grêmio, cuja torcida teve atitudes racistas, e o ato resultou na eliminação da Copa do Brasil. O recado é bastante claro: se o respeito não vem através de campanhas de conscientização e do diálogo, será necessário estabelecer punições mais severas, que mexam naquilo que mais importa para o torcedor e que deixem claro que cada ação tem uma consequência. (continua nos comentários)

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O atacante seguiu a recomendação da cúpula cruzeirense também pelo momento pessoal. O atleta não balança as redes há seis partidas. A última vez que ele celebrou um tento foi no triunfo por 2 a 0 sobre o Deportivo Lara, da Venezuela, em 23 de abril passado.

"Incomodar não incomoda. Nossa equipe inteira teve uma pequena queda, isso é natural. Difícil manter o ano inteiro com um futebol de alto nível. Mas daqui a pouco as coisas voltam a melhorar. O coletivo funciona, o individual aparece também e, mesmo esses jogos sem fazer gols, eu continuo artilheiro, continuo com uma média alta e eu quero voltar a fazer gol o quanto antes para as coisas melhorarem dentro de campo para mim também", disse o centroavante.

Fred tenta reencontrar o caminho das redes diante da Chapecoense, hoje, às 19h (de Brasília), no Independência, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro.

Ficha técnica
Cruzeiro x Chapecoense

Motivo: 6ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Arena Independência, em Belo Horizonte (MG)
Data: 26 de maio de 2019 (domingo)
Horário: às 19h (de Brasília)
Árbitro: Daniel Nobre Bins (RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Jorge Eduardo Bernardi (RS)
Árbitro de vídeo: Leandro Pedro Vuaden (RS)

Cruzeiro
Fábio; Edilson, Léo, Dedé e Egídio; Henrique, Lucas Romero, Robinho, Rodriguinho e Pedro Rocha (Marquinhos Gabriel); Fred.
Técnico: Mano Menezes.

Chapecoense
Tiepo; Caíque Sá, Gum, Douglas e Bruno Pacheco; Márcio Araújo, Elicarlos, Augusto, Campanharo e Rildo; Everaldo.
Técnico: Ney Franco.