Topo

Esporte


Campeão na Ucrânia, Maycon sente falta da Arena Corinthians: "Diferente"

Maycon em ação com a camisa do Shakhtar Donetsk na Liga dos Campeões - James Williamson/Getty Images
Maycon em ação com a camisa do Shakhtar Donetsk na Liga dos Campeões Imagem: James Williamson/Getty Images

Lucas Sarti

Colaboração para o UOL

02/06/2019 04h00

Criado no Terrão do Corinthians, Maycon deixou o clube na metade de 2018 rumo ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Em menos de um ano, o volante conquistou os dois principais títulos em disputa no país e passou a ser peça importante do time conhecido por ser a casa de diversos brasileiros na Europa. Longe do clube que o criou, Maycon revela que sente saudade do local onde passou alguns dos melhores momentos da carreira: a Arena Corinthians.

"O que sinto mais falta no Corinthians é atuar na Arena. Sempre sonhei em jogar no Corinthians, em um estádio lotado, e consegui realizar isso. A atmosfera que os torcedores criam lá é diferente, não dá para explicar. Pelo fuso horário, às vezes é complicado acompanhar, mas continuo assistindo e torcendo. Além de manter o contato, ainda tenho muitos amigos lá, em especial com os jogadores que subiram comigo, os mais jovens", contou Maycon, em entrevista ao UOL Esporte.

Com status de campeão brasileiro, título conquistado em 2017, Maycon assinou contrato com o Shakhtar em junho de 2018. Na época, o jogador era titular do time, havia se tornado pai de primeira viagem recentemente e partiria para a Ucrânia, país de condições climáticas e cultura bem diferentes do Brasil. Apesar do "frio na barriga", o volante de 21 anos de idade rapidamente se adaptou ao futebol europeu, conquistando o Campeonato Ucraniano e a Copa da Ucrânia.

"Acredito que me adaptei muito bem. Sabemos que o primeiro ano de Europa é sempre complicado pelas diferenças que tem em relação ao Brasil, desde o estilo de jogo ao clima e língua. Tem aspectos aqui que não tem como fugir, é natural demorar um pouco para se acostumar, mas acredito que consegui me adaptar rápido e ajudar a equipe da melhor forma dentro de campo. Para um primeiro ano, foi muito bom", avalia Maycon.

Batedor de faltas no Shakhtar, Maycon marcou três dos cinco gols no novo time em cobranças de longa distância. O quesito foi aprimorado na Ucrânia, mas o jogador conta que aprendeu bastante ao observar um antigo companheiro nos tempos de Corinthians.

"Eu sempre treinei muito, busquei me aprimorar e, graças a Deus, saíram muitos gols assim neste ano. É bem legal, é um trabalho particular que sempre me esforcei para evoluir desde o Corinthians. Naquele momento, o Corinthians estava muito bem servido, com atletas experientes que tinham ótimas cobranças de falta e mais tempo de casa, como o Jadson, por exemplo. Foi ótimo poder treinar com ele, aprendi muito", relembra o volante.

Após a saída de Maycon, o Corinthians demorou para achar um substituto com características parecidas. Em 2019, a torcida corintiana vê em Júnior Urso um volante com chegada ao ataque, assim como o atual meio-campista do Shakhtar, que avaliou o novo dono da posição.

"Já havia jogado contra o Júnior Urso quando atuava no Brasil e venho acompanhando ele desde que chegou ao Corinthians. Temos algumas características parecidas, de pisar na área, de fazer gols, e o Corinthians também valoriza isso nos últimos anos. Ele vem provando que é um grande jogador, e com certeza o Corinthians está bem servido. Tenho certeza que vai dar muito certo", afirma.

A decisão de deixar o clube paulista foi difícil, mas Maycon se apoiou no desejo de realizar um sonho: o de jogar a Liga dos Campeões. Em sua estreia na competição europeia, o volante deixou o banco de reservas para marcar o segundo gol do Shakhtar no empate por 2 a 2 contra o Hoffenheim, em chute de fora da área.

"Foi um sonho realizado. Vim para a Europa para disputar a Liga dos Campeões, jogar no mais alto nível do futebol mundial, e estrear fazendo o gol que garantiu aquele empate no fim foi muito gratificante. É algo que me lembro com muito orgulho", afirma.

No fim da temporada europeia, o volante sofreu lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo, o que o forçou a passar por cirurgia operação. Recuperando-se da operação, Maycon deve retornar ao Brasil nos próximos dias para ficar perto de seus familiares e realizar tratamento no CT Joaquim Grava. O jogador pode ficar até seis meses afastado dos gramados.

Confira a entrevista de Maycon ao UOL Esporte

Você sempre teve como característica forte o apoio ao ataque, tanto que no Corinthians fez oito gols e em partidas decisivas. Na Ucrânia você já tem média de gols superior aos tempos de Corinthians. Houve mudança em seu estilo de jogo? Se vê mais como um meia do que como um volante?

Não houve mudança nenhuma no meu estilo de jogo, acho que o time joga de forma diferente. No Corinthians eu tinha muitas chances de fazer gol, mas a bola acabava não entrando, mas aqui minha média de gols subiu consideravelmente. Procuro atuar sempre da mesma forma, sempre me adaptando ao estilo de jogo que o clube proporciona, mas fico muito feliz em poder valorizar minha participação dentro de campo com gols.

Prestes a completar um ano de Shakhtar, como você avalia sua primeira temporada?

Avalio que minha primeira temporada foi muito boa. Tive boa participação em número de jogos, fiz gols, dei assistências, foi acima das minhas expectativas. Eu saí do Corinthians pensando que teria muita dificuldade com a adaptação e tudo foi mais tranquilo do que eu pensava, fiquei muito feliz com meu desempenho nessa temporada, graças a Deus tudo saiu muito bem.

Você sempre foi um cara muito calmo e tranquilo no dia a dia de Corinthians. Como foi sua adaptação ao ambiente do Shakhtar?

O ambiente do Shakhtar é excelente. Ajudou muito o fato de ter muitos brasileiros, ter esse contato num país completamente diferente, quem está aqui há mais tempo já me passou logo de cara o que acontece no país e no clube. A língua dificulta um pouco o contato com os ucranianos, mas vamos nos entendendo da melhor forma e está dando tudo muito certo.

Você aprimorou suas batidas de falta no Shakhtar, mas não tinha muito espaço no Corinthians. O que te impedia de cobrar mais no Corinthians?

Eu sempre treinei muito, busquei me aprimorar e graças a Deus saíram muitos gols assim neste ano. É bem legal, é um trabalho particular que sempre me esforcei para evoluir desde o Corinthians. É gratificante ver as coisas acontecendo como queremos, a bola entrando, você se lembra daquele dia em que ficou a mais no campo após a atividade para treinar faltas. Naquele momento o Corinthians estava muito bem servido com atletas experientes que tinham ótimas cobranças de falta e mais tempo de casa, como o Jadson, por exemplo. Foi ótimo poder treinar com ele, aprendi muito. Nada me impedia, eles me davam liberdade de bater as faltas com frequência, mas naquele momento eles estavam mais preparados para isso e tinham mais êxito nos jogos.

O Shakhtar é conhecido no Brasil por ter um elevado número de jogadores brasileiros no elenco. Isso pesou na sua decisão de ir para o clube?

Com certeza pesou. O Shakhtar tem uma tradição de receber brasileiros e quando recebi a proposta e fui estudar mais sobre o clube já tive informações da forma como eles lidavam com os brasileiros e sem dúvidas pesou positivamente. Eles sabem que a Ucrânia é muito diferente do Brasil e que o brasileiro precisa de um tempo de adaptação, eles têm paciência com isso, auxiliam e facilitam esse processo que às vezes pode ser longo, é bem legal a forma como eles lidam com isso.

Qual sua relação com o Dentinho, seu companheiro no Shakhtar e ex-atacante do Corinthians? Você conheceu o Dentinho quando ele já era profissional e você estava na base?

No Corinthians eu não tive contato com o Dentinho, mas quando cheguei aqui já foi um dos que mais me ajudou na adaptação, me ajudou a entender as características do clube, o que eles esperam dos atletas. É um parceirão meu aqui, sempre estamos juntos fora do clube, dou muita risada com ele.

Infelizmente você sofreu uma lesão no último mês e precisou se afastar dos gramados. Como está sendo a recuperação?

Claro que é sempre incômodo para o atleta ter uma lesão de qualquer grau. Infelizmente tive essa lesão que me tira dos gramados por um tempo, mas está tudo correndo bem, tive um ótimo começo de recuperação e estou evoluindo com calma. Temos que saber lidar com esses momentos e nos dedicar para voltar da melhor forma possível.

Você conquistou os dois principais títulos na Ucrânia, mas não esteve em campo nos últimos jogos. Os títulos ficaram com um gosto "agridoce" ou foi um momento de felicidade?

Os títulos foram momentos de pura felicidade. Ganhar campeonatos é sempre um momento especial, a ausência não tira o mérito do que fiz em campo durante a temporada, foi uma felicidade imensa conquistar dois títulos já na primeira temporada e buscar a recuperação para estar em campo nos próximos títulos.

Você se emocionou muito na saída do clube, inclusive chorou quando se despediu. Qual sua relação com o Corinthians?

Tenho um carinho enorme pelo Corinthians, nunca escondi isso de ninguém. É o clube que me revelou, abriu as portas para eu ser um atleta profissional e me deu tudo que eu precisava para aprimorar minhas características. Me emocionei na saída por que é um lugar onde eu era querido e gostava de estar, um clube onde fui muito bem tratado.

Mesmo com uma bela história no Corinthians, você atuou por apenas dois anos no clube. Por que não continuou por mais tempo?

Eu achava que era o momento de novos desafios, tinha a oportunidade de disputar um campeonato que eu sempre quis disputar, a Liga dos Campeões, ainda mais por um clube que sempre abriu portas para os brasileiros, então entendi que era o momento de aproveitar a oportunidade e vivenciar coisas novas. Se foi o momento certo, só o tempo vai dizer, mas fui muito feliz lá e estou muito feliz aqui no Shakhtar.

Você foi emprestado para a Ponte Preta em 2016 e voltou muito bem ao Corinthians em 2017, conquistando os títulos do Paulistão e do Campeonato Brasileiro. Como foi, na época, ter que deixar o clube e ir para a Ponte?

Foi uma decisão totalmente minha ir para a Ponte. Tinham vários atletas com mais rodagem, mas experientes do que eu na mesma posição e fiz essa escolha de ir ganhar essa bagagem para voltar e buscar meu espaço no Corinthians. A Ponte me ajudou muito na minha formação como atleta profissional, levo muita gratidão e boas recordações do tempo que passei lá.

Mais Esporte