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Ex-advogado de mulher explica encontro e fala em "armadilha" de Neymar Pai

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo, Pedro Lopes e Ricardo Perrone

Do UOL, em Teresópolis (RJ) e São Paulo

2019-06-03T22:15:57

03/06/2019 22h15

Após atacar o discurso de estupro da mulher que se disse vítima de Neymar Júnior, o advogado José Edgard Bueno também não poupou palavras para se defender diante das acusações de Neymar Pai de que ele teria tentado extorquir o estafe do jogador quando ainda defendia a moça.

Em carta enviada ao UOL Esporte, Bueno detalhou o encontro que teve na residência da família Silva Santos em 29 de maio e falou em "armadilha com o objetivo de criar um álibi para o seu protegido" de Neymar Pai, que, segundo o advogado, teria o convidado.

"Digno de nota o absurdo de uma reunião entre advogados ser referida, de maneira torpe, como tentativa de extorsão, ainda mais quando essa reunião só se realizou dado o convite feito pelos representantes de Neymar Júnior. Isso só demonstra que os representantes de Neymar Júnior, sabendo dos fatos, orquestraram verdadeira armadilha com o objetivo de criar um álibi para o seu protegido, em prejuízo da vítima e de seus antigos patronos", pontua José Edgard.

O advogado ainda diz que deixou a defesa da mulher que acusa Neymar a partir do momento em que ela prefere a acusação de estupro na esfera criminal, mudando uma linha inicial relatada por ele.

"A ex-contratante nos contratou para zelar pela defesa dos seus interesses no caso envolvendo as agressões que, conforme seu relato, foram praticadas por Neymar dos Santos Júnior (Neymar Júnior) em Paris, no dia 15/05/2019. A ex-contratante estava ciente de que poderia procurar as autoridades policiais a qualquer momento. No entanto, sempre afirmou em diversas oportunidades que não queria o seu nome envolvido em escândalos midiáticos, que poderiam afetar o seu filho, inclusive, preferindo, como lhe garante a Constituição Federal e as leis pátrias, que as alegadas agressões fossem reparadas na esfera civil. Ou seja, que o agressor fosse contatado pelo nosso escritório para arcar com suas despesas médicas, de tratamento psicológico e, ainda, reparasse civilmente os danos que lhe foram causados. Considerando sua pretensão de reparação civil pelas agressões já relatadas, iniciamos a tentativa de conciliação com a parte contrária, de forma ética e transparente. Orientamos a ex-contratante a realizar laudo particular que constatasse as lesões sofridas. Esse laudo foi realizado após consulta médica. O que se buscava era que Neymar Júnior reconhecesse as agressões praticadas, bem como a necessidade de amparar a ex contratante psicologicamente (arcando com o respectivo tratamento) e também fizesse a devida compensação pela violência perpetrada. Fizemos o primeiro contato com os representantes de Neymar Junior, por intermédio de uma reunião realizada em 29/05/2019. Esses representantes negaram qualquer possibilidade de acordo. Isso foi prontamente comunicado à ex-contratante. Logo, até aquele momento, todas as providências que nos foram demandadas foram tomadas de forma ética e legal. Todavia, a partir de 31/05/2019, dada sua frustração, a ex contratante tomou decisões à revelia de seus patronos. Esse fato fez com que renunciássemos ao nosso mandato em 01/06/2019, em mensagem dirigida à ex contratante. Esses são os fatos", se defendeu Bueno, em carta assinada ainda por seus sócios, Francis Ted Fernandes e André Castello Branco Colloto.

Mulher falou em estupro antes de B.O.

O UOL Esporte ainda confirmou o diálogo entre Bueno e a ex-cliente - divulgado pela TV Globo na noite desta segunda-feira (3).

"Por que a gente não joga logo na mídia para acabar com a carreira desse pipoqueiro logo de vez? Ele me espancou e me estuprou", questiona a moça - contrariando o discurso de que não teria falado em estupro inicialmente, antes do Boletim de Ocorrência. "Calma, isso logo depois de apresentarmos a denúncia", responde Bueno.

"Estou com raiva, Zé. Eu deveria ter matado ele quando tive a chance", emendou a mulher. "Não vai ficar impune, mas você tem que saber que uma briga dessa demora", completou o advogado.

Em carta divulgada pela TV Globo e de teor confirmado pela reportagem, José Edgard diz: "No dia 31 de maio de 2019, registrou um Boletim de Ocorrência no qual capitulou o fato ocorrido como 'estupro', ou seja, alegação totalmente dissociada dos fatos descritos por você aos nossos sócios, já que sempre afirmou que a relação mantida com Neymar Jr. foi consensual, mas que, durante o ato, ele havia se tornado uma pessoa violenta, agredindo-a, sendo esse o fato típico central (agressão) pelo qual ele deveria ser responsabilizado cível e criminalmente".

O estafe de Neymar foi procurado pelo UOL Esporte para comentar as falas de José Edgard Bueno, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

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