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Advogados presos em operação receberam mais de R$1 mi do Cruzeiro em 2018

Conselheiros presos na manhã de hoje são suspeitos de retirar e vazar dados sobre investigações da Polícia Federal - Vinnicius Silva/Cruzeiro
Conselheiros presos na manhã de hoje são suspeitos de retirar e vazar dados sobre investigações da Polícia Federal Imagem: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Enrico Bruno, Rodrigo Matos e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

05/06/2019 12h57

Três conselheiros do Cruzeiro foram presos na manhã de hoje em operação da Polícia Federal. Marcio Antonio Camillozzi Marra, Carlos Alberto Arges Júnior e Ildeu da Cunha Pereira são suspeitos de retirar documentos sigilosos e vazar dados do sistema da corporação, que investiga os crimes de corrupção ativa, passiva, organização criminosa, obstrução de justiça e violação de sigilo funcional. Segundo apurou o UOL, dois desses advogados receberam quantias do Cruzeiro em 2018 que, juntas, superam R$ 1 milhão.

Tanto Ildeu quanto Arges estão entre os 18 conselheiros do Cruzeiro que receberam pagamentos em 2018 por prestarem serviços ao clube. O primeiro obteve cerca de R$ 674 mil pela sua empresa. Arges recebeu pouco mais de R$ 365 mil como pessoa física e quase R$ 50 mil por meio do seu escritório. Juntas, as quantias totalizam R$ 1.088.858,65.

Arges já prestou serviços ao Cruzeiro e advogou pelo clube em algumas ações. Já Ildeu foi superintendente jurídico do Cruzeiro na primeira gestão de Zezé Perrella, além de também representar Itair Machado, atual vice-presidente de futebol. Esta é a quarta prisão do advogado. A última delas aconteceu no ano passado, na operação batizada de Capitu, quando ele e mais 15 pessoas foram detidas por suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura.

Outro conselheiro preso foi Marcio Antonio Camillozzi Marra, agente da Polícia Federal e membro do Conselho Deliberativo do Cruzeiro. Marra foi indicado por Zezé Perrella (presidente do Conselho) para apurar as denúncias contra o clube. Ele seria um dos responsáveis por fiscalizar as práticas do presidente Wagner Pires, do vice de futebol, Itair Machado, e do diretor-geral, Sérgio Nonato, que já são investigados por suspeita de falsificação de documentos privados, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Procurado pela reportagem, o Cruzeiro informou que "os valores recebidos pelos Srs. Carlos Alberto Arges Júnior e Ildeu da Cunha Pereira referem-se a serviços prestados por seus respectivos escritórios de advocacia à agremiação no ano de 2018. A contraprestação de serviços e os respectivos pagamentos estão devidamente documentados pelos instrumentos legais e informados em todos os registros financeiros da entidade. Sobre a prisão deles, em operação da Polícia Federal que nada tem a ver com o clube, o Cruzeiro lamenta".