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COL se cala e renda recorde da seleção na Copa América vira mistério

Lucas Lima/UOL
Policiais na torcida durante Brasil x Bolívia na estreia da Copa América, no Morumbi Imagem: Lucas Lima/UOL

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, em Salvador

2019-06-17T04:00:00

17/06/2019 04h00

A Copa América no Brasil começou com estádios vazios e rendas altas. Como é possível? Os preços dos ingressos são caros, com mínimo de R$ 120 (inteira) na maioria das partidas da primeira fase, o que explica os lugares vazios e valores milionários em jogos como Peru x Venezuela, sábado (15) em Porto Alegre, e Paraguai x Qatar, domingo (16), no Maracanã.

O grande mistério, e que até o momento o COL (Comitê Organizador Local) não explicou, é como a partida Brasil x Bolívia, na abertura sexta-feira (14), teve pouco mais de 46 mil pagantes e renda de incríveis R$ 22 milhões, a maior já divulgada no futebol brasileiro.

O valor médio do tíquete nos números anunciados do jogo do Morumbi foi de R$ 485, menor apenas do que a entrada mais cara vendida para o torcedor em geral nessa partida, de R$ 590 (inteira), a categoria 1. Havia bilhetes nos valores de R$ 390, R$ 290 e R$ 190, menores o que a média. O UOL Esporte questiona desde sexta-feira após a partida o COL para explicar a renda milionária, que não bate com os torcedores presentes no estádio, e qual foi a carga total colocada à disposição, mas até o momento não houve resposta.

Uma das possibilidades é a de que o valor tenha incorporado a receita de pacotes de hospitalidade, com ingressos para camarotes e áreas VIP, muitas delas compradas por patrocinadores da Conmebol e da competição. Não é comum que torneios de seleções como a Copa América divulguem renda de partidas específicas, apenas uma receita total ao fim do torneio, englobando áreas de hospitalidade -- é o que a Fifa faz na Copa do Mundo, por exemplo.

Há preocupação na cúpula da Conmebol com os estádios vazios. O Blog do Rodrigo Mattos revelou que será feita uma cobrança ao COL, isso porque as duas partidas com pior venda para a primeira fase ainda nem ocorreram -- Bolívia x Venezuela, dia 22 de junho, e Equador x Japão, dia 24 de junho, ambos no Mineirão, que não chegavam a 5 mil entradas negociadas ao fim da semana passada.

A diretoria do COL apostava que o início da Copa América, e a paralisação do Campeonato Brasileiro, que teve rodada até a véspera da abertura, fariam com que os torcedores se animassem em comprar ingressos para a competição de seleções, mas até o momento isso não ocorreu. "A cultura do torcedor sul-americana é um pouco essa [de comprar ingressos mais perto do campeonato]", disse o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, na quinta-feira (13), um dia antes de o Brasil enfrentar a Bolívia.

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