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Como Rueda resgatou autoestima dos chilenos com um jogo na Copa América

Diego Salgado, José Edgar de Matos e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/06/2019 04h00

Reinaldo Rueda enfrentou vaias e críticas. Alvo do único protesto da noite de ontem (17) no Morumbi, quando teve o nome anunciado no telão, o técnico da seleção do Chile deu a resposta em apenas 90 minutos. A goleada por 4 a 0 sobre o Japão, que coloca a equipe em situação confortável no Grupo C da Copa América, serviu para recuperar a autoestima do atual time bicampeão. O treinador e os líderes do grupo ressaltaram o poderio psicológico da exibição.

O treinador colombiano, ex-comandante do Flamengo, não escondeu o alívio com o resultado diante dos japoneses. A pressão encontrada em São Paulo acabou relegada a um segundo plano e trocada pela recuperação da confiança do time, ainda sob o trauma da fracassada participação nas eliminatórias sul-americanas. O Chile não jogou a Copa da Rússia.

"A torcida precisava desta vitória. Todos nós, jogadores e comissão, também precisávamos, pelo que passamos com as nossas famílias. É muito bom para a gente ter uma vitória assim e com futebol bem jogado", destacou o treinador, também um psicólogo para o elenco chileno.

"É um conflito emocional difícil: uma seleção que veio a ser campeã duas vezes da Copa América e que não foi a um mundial. Isso atacou a autoestima e frustrou jogadores e povo chileno. Este é um impacto que temos que assimilar, e os jogadores assimilaram bem tudo isso. Não éramos os melhores por vencer e não somos os piores por perdemos. Tem que ter equilíbrio", acrescentou.

Para este primeiro jogo, Rueda quis balancear o peso do bicampeonato (2015-2016) com o momento ruim vivido pela equipe roja. Há mais de um ano no comando da equipe chilena, o treinador colombiano se rendeu aos mais experientes neste momento de estreia na Copa América. Nomes como Vidal, Sánchez e Vargas se destacaram na goleada de segunda.

"Os jogadores têm a nobreza, mesmo com muitas batalhas de Copa do Mundo e Copa América no currículo, de aceitar nosso trabalho. Trabalhamos para tirar fora a 'síndrome de campeão', sempre. Nas condições que vínhamos, se entrarmos com a fome de fazer um bom jogo, vamos desenvolver", assegurou.

Destaque na goleada sobre o Japão, Vidal aprovou a estreia do Chile na Copa América - Marcello Zambrana/AGIF
Destaque na goleada sobre o Japão, Vidal aprovou a estreia do Chile na Copa América
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

O trabalho de Rueda fora das quatro linhas e a consequente vitória influenciaram justamente estes atletas mais experientes. Vidal e Medel exibiam um semblante muito confiante na zona mista do estádio do Morumbi.

"Era muito importante ganhar os três pontos hoje, ainda mais jogando bem. Logo pegamos confiança, intensidade. Estamos muito felizes por isso. Vamos seguir trabalhando. Importante ter tranquilidade", pediu Medel, pilar defensivo do Chile desde os dois títulos de Copa América.

"Foi importante ter feito isso. Tivemos muitos dias de preparação, muitos dias para ver as partidas. Os amistosos não foram bons, mas na parte importante apareceu o verdadeiro Chile. Somos os campeões, temos de defender o título. Sabemos que será difícil, mas temos de ir jogo a jogo e seguir melhorando", discursou Vidal, destaque na goleada.

Agora com a autoestima renovada, o Chile pode se aproximar da classificação para as quartas de final com uma partida de antecipação. Na sexta-feira (21), na Fonte Nova (Salvador), o bicampeão encara o Equador, goleado por 4 a 0 pelo Uruguai na primeira rodada.

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