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Seleção tenta tirar forças de cidade que sofreu com guerras e se reergueu

Ana Carolina Silva/UOL
A "Coluna da Deusa" é um monumento à resistência de Lille Imagem: Ana Carolina Silva/UOL

Ana Carolina Silva

Do UOL, em Lille (França)

2019-06-18T04:00:00

18/06/2019 04h00

Se houvesse um ranking mundial de locais que mais sofreram ao longo da história, Lille seria forte candidata às primeiras posições. Poucas cidades já mostraram tanta força de reconstrução quanto esta, que foi a casa da seleção brasileira durante a preparação para o jogo contra a Itália, que acontece hoje (18), às 16h (de Brasília), na vizinha Valenciennes. Parece apropriado que um time feminino treine para se reerguer próximo à sombra da estátua de uma mulher - ou melhor, de uma deusa, monumento erguido para celebrar a resistência da população local.

Lille foi atacada e parcialmente destruída em 1914, na Primeira Guerra Mundial; uma vez ocupada pela Alemanha, tornou-se rota frequente para os soldados que estivessem feridos ou precisassem de lazer. O trauma com as perdas físicas e de identidade sofridas naquela batalha foi tão grande que anos depois muitos franceses fugiram quando a vizinha Bélgica foi invadida na Segunda Guerra. Mas a história mais emblemática de resistência na região envolve o cerco austríaco de 1792.

Em abril daquele ano, a França declarou guerra contra as nações envolvidas com a monarquia de Habsburgo, cuja capital era Viena. Esta era a Primeira Coalizão dos confrontos da Revolução Francesa. A história registrou que Lille não se rendeu e foi fortemente bombardeada, mas os austríacos retiraram suas tropas após receberem a notícia do triunfo francês na Batalha de Valmy.

A estátua chamada "Coluna da Deusa" foi erguida em outubro de 1845 como homenagem à resistência de Lille. Ao longo dos últimos dias, quase 174 anos depois, a seleção brasileira treinou no Stade Jean Jacques, a pouco mais de 10 quilômetros de distância deste monumento. A delegação esteve focada no jogo contra a Itália e não visitou a escultura, mas pode se inspirar no que ela representa para resistir em campo.

Rener Pinheiro / MoWA Press
Imagem: Rener Pinheiro / MoWA Press

É verdade que o regulamento da Copa do Mundo feminina permite que os quatro melhores terceiros colocados entre os seis grupos da competição cheguem às oitavas. Ou seja, o Brasil ainda pode ter chance de se classificar mesmo se perder para as italianas. Porém, esta matemática não muda o fato de que a equipe está em xeque e não chegará como favorita a um eventual mata-mata.

Neste momento, a Itália lidera o Grupo C e já está classificada, mas as brasileiras e as australianas ainda podem terminar a fase atual na primeira posição. O terceiro lugar ainda pode ficar com qualquer uma das três; quem terminar nesta colocação, dependendo de como terminarem os outros grupos do Mundial, pode já encarar a França nas oitavas.

Este é um cenário que nenhum dos times deseja: na última vez em que nações estrangeiras se opuseram a uma Revolução Francesa em pleno solo francês, o resultado não foi bonito.

"No almoço, a gente fica conversando sobre essa pontuação, sobre quem pega quem nas oitavas. O terceiro colocado provavelmente pega a França. Então eu acho que a Itália virá com um time bem montadinho para o jogo", alertou Thaisa, meia do Milan e da seleção brasileira, deixando claro que as italianas que tanto conhece devem dar trabalho ao Brasil hoje.

Por isso, Marta sabe qual é a prioridade. "Eu não gosto de entrar em campo pensando em jogar pelo empate. Quero sempre buscar vencer, independentemente da situação. Acredito que a equipe está pronta para isso e vai em busca da vitória. Lógico que a gente pode avaliar, depois, no decorrer da situação, e dizer: 'Tá bom, não vamos forçar mais porque o empate já dá'. Mas entrar em campo com esse pensamento é pedir para regressar. Eu não gosto desse pensamento aí", afirmou a camisa 10.

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