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Seleção sofre com lesões e vê preparação questionada para mata-mata da Copa

Rener Pinheiro / MoWA Press
Imagem: Rener Pinheiro / MoWA Press

Ana Carolina Silva

Do UOL, em Valenciennes (França)

19/06/2019 04h00

Andressa Alves só não será cortada da seleção brasileira feminina porque a CBF não pode fazer substituições no elenco durante a Copa do Mundo. Porém, depois de uma sequência de atletas lesionadas, a notícia de que a atacante não se recuperará a tempo de voltar a jogar no torneio levantou uma questão entre os torcedores. Afinal, há um problema de preparação física no time?

O preparador Fábio Guerreiro foi publicamente defendido por todos os membros da delegação que foram questionados sobre seu trabalho. Cristiane, por exemplo, destacou o fato de que ele contribuiu para que ela própria e Bia Zaneratto se recuperassem de uma lesão muscular e de uma fratura na fíbula, respectivamente. Ambas estão aptas e têm jogado.

"Eu não vou questionar o trabalho do Fabinho. Vi que as pessoas criticaram muito, mas não avaliaram como ele me recuperou e recuperou a Bia. É muito fácil apontar agora. Ninguém viu que a Andressa veio de uma temporada longa na Europa, totalmente diferente de outros campeonatos. Jogou final de Liga dos Campeões, teve três dias de folga, então eu acho injusto questionar o trabalho", disse Cristiane.

REUTERS/Denis Balibouse
Imagem: REUTERS/Denis Balibouse

O fato de que a atacante ainda não disputou uma partida inteira neste Mundial também foi assunto na entrevista. "É um cuidado que eles têm. Não dá para a Formiga, a Marta e eu jogarmos os 90 minutos. Eles têm de ser um pouco inteligentes. O time vai para um mata-mata e tem outras meninas que podem ser usadas. Na Copa, você usa o grupo inteiro", explicou a artilheira da equipe, citando, também, o fato de que a seleção dos Estados Unidos atuou com time reserva no segundo jogo, contra o Chile.

Marta se lesionou durante a preparação do Brasil em Portugal e, assim como Cristiane, ainda não fez um jogo completo na Copa de 2019. "A gente sempre tem um receio, e eu fui até onde poderia ir sem sentir nada. O cansaço físico não foi o que afetou a minha saída, mas, sim, uma questão de pensar mais para frente. Se eu pudesse, ficaria o jogo inteiro. Mas poderia correr o risco de sofrer uma nova lesão, sentir mais dores", explicou a camisa 10.

"Fiquei até chateada por ter de sair em uma situação como essa, porque jogos assim são os que eu mais gosto. Foi bem competitivo. Qual atleta não quer estar em uma situação como essa e jogar grandes jogos? Mas eu estou bem, na medida do possível, e vou sempre dar o meu melhor, buscar a minha superação", completou Marta.

REUTERS/Phil Noble
Imagem: REUTERS/Phil Noble

Além disso, um dos cortes não foi responsabilidade da CBF: Adriana se machucou em compromisso pelo Corinthians. A lateral Adriana, do Internacional, vinha sofrendo com contusões desde antes do período de preparação para o Mundial, quando sofreu outra. Dentre as três atletas cortadas, Erika é o caso mais emblemático.

A zagueira torceu o tornozelo antes de se encontrar com a seleção, mas, quando já estava sob o comando da comissão técnica de Vadão, a atleta corintiana sofreu uma lesão na panturrilha da mesma perna. O departamento médico da CBF justifica que entorses podem resultar em uma "pane" muscular.

Vadão afirma que "não há erro ou problema" na preparação física. "Não existe carga de trabalho excessiva. A Andressa Alves sentiu a lesão no aquecimento, não foi um treino forte, intenso. Antes de terminar o aquecimento, ela sentiu", justificou o treinador da seleção.

Naomi Baker - FIFA/FIFA via Getty Images
Imagem: Naomi Baker - FIFA/FIFA via Getty Images

Comandante da equipe nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, ele fez questão de dizer que a preparação não foi responsável pela queda do Brasil na semifinal contra a Suécia, com derrota nos pênaltis após empate com bola rolando. "O que tirou o Brasil daquela final foi a gente ter finalizado 30 vezes durante o jogo, sem marcar, e depois perdido nos pênaltis", contou.

Em seguida, Vadão passou a explicar as dificuldades que a comissão técnica sente para elaborar um planejamento físico para as atletas. "Nós sempre dissemos que tínhamos um desafio muito grande de alinhar a parte física da seleção, porque cada uma joga em uma parte do mundo. Quando a gente foi para o torneio dos Estados Unidos, algumas estavam vindo de férias e outras de temporada", começou.

"Nós tínhamos jogadoras na China, na Dinamarca, na Coreia do Sul, nos Estados Unidos... Cada uma com uma data de campeonato, um período de preparação, um tempo de jogo. O nosso preparador físico não teve controle da situação em momento algum. No masculino, a maioria dos atletas está no calendário europeu. Todo mundo segue o mesmo calendário, e você vai sempre receber quase todos os atletas no mesmo patamar", encerrou Vadão.

A seleção ainda não sabe se enfrentará França ou Alemanha nas oitavas de final da Copa do Mundo feminina. Porem, seja qual for o adversário, a tendência é de que o time volte a contar com a volante Formiga, que cumpriu suspensão na vitória por 1 a 0 sobre a Itália e não teve lesões preocupantes constatadas após torcer o tornozelo esquerdo.

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